ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Nosso sonho é ter um doutorado em Turismo, assegura o professor Ramón Martín. Photo: Anabel Díaz

UMA das carreiras universitárias que desde setembro passado reduziu seu programa de estudos de cinco para quatro anos, como parte do plano E, é a Licenciatura em Turismo, disciplina que foi instaurada em 2003 e se estuda em seis províncias do país.

Se a compararmos com outras, esta especialidade é relativamente recente, mas seus antecedentes remontam à década de 1970 do século passado.

Inicialmente, foi criada a Licenciatura em Economia do Turismo, na Universidade de Matanzas. Durante a segunda metade da década de 1980 surgiu a Licenciatura em Gestão Hoteleira e, finalmente, apareceu a Licenciatura em Turismo, cujos primeiros alunos foram trabalhadores desse setor.

Atualmente é uma carreira certificada, segundo as categorias de qualidade da educação superior cubana e anualmente recebe uma matrícula de nova entrada de quase 300 alunos em todo o país, devido à alta demanda do setor.

Até agora teve nove formaturas e os estudantes que hoje estão no primeiro ano se formam com um plano de estudo que responde a uma nova concepção no ensino de pré-graduação. Sobre este tema o Granma Internacional conversa com o presidente da Comissão Nacional da Carreira de Turismo, professor Ramón Martín Fernández.

Qual é a característica essencial do plano de estudo E?

«Uma diminuição do tempo presencial dos estudantes com um incremento da autopreparação e das atividades complementares».

«A diminuição do tempo da carreira para quatro anos não significa que se retiraram conteúdos, mas que estão estruturados de outra maneira».

«O estudante agora tem que vir a menos horas de docência e varia, ainda, o formato da aula. Mudamos o sistema da aula de orientação, mais do que de explicação. Desta maneira, o aluno tem que trabalhar mais tempo sozinho e a ênfase fundamental vai estar na aprendizagem mais do que no ensino».

«Por isso é uma mudança de essência. Trata-se de que o estudante tenha maior papel em sua própria formação. Essas são as coisas essenciais que modificam o sistema de formação: a reestruturação dos tempos. Também, algumas matérias foram transferidas para o ensino de pós-graduação.»

Por que foi a única das carreiras habituais da Universidade de Havana que pôde passar ao plano E?

Atualmente uns 300 estudantes em todo o país começam a estudar esta especialidade. Photo: Anabel Díaz

«Nós estamos acompanhando a evolução do plano E, há mais de dois anos. Já tínhamos a ideia de passar para quatro anos e dois anos depois foi aprovada uma política nacional, na qual rapidamente nos inserimos».

«Há mudanças adicionais na maneira de aplicar este programa. Até agora existia a encomenda estatal ou parte do plano de estudos que se chama currículo base e é comum a todos os lugares onde se ministra a carreira de Turismo em Cuba. Aproximadamente 70% do plano de estudos é comum».

Que mudou neste procedimento?

«Antes definíamos as disciplinas e as matérias que estavam dentro delas, como parte do currículo base. Desta vez, o plano E só define disciplinas e sugere as matérias que poderiam estar dentro do plano de estudos, buscando maior flexibilidade de adaptação aos temas territoriais e a possibilidade de que a organização docente fique mais em mãos das universidades».

«Sempre que sejam cumpridos os conhecimentos essenciais que se apresentam na disciplina, a forma em que a docência é organizada vai ser um tema de cada universidade. Esse é outro grau maior de flexibilidade. Estas são as características essenciais que diferenciam o plano E dos anteriores.»

A carreira é estudada em Matanzas, Villa Clara, Ciego de Ávila, Holguín, Camaguey e Havana. Pensaram abri-la em outras províncias?

«Isso está relacionado com o desenvolvimento turístico do território. Determinou-se fechá-la em Santiago e preferiu-se concentrar os estudantes das cinco províncias orientais em uma (Holguín) que já tinha um trabalho prévio e continua com planos de desenvolvimento até o ano 2030, muito importantes».

«Ciego de Ávila tem o grande avanço da zona norte, o que eu chamo Jardines del Rey este, isto é, as ilhotas do norte de Ciego de Ávila, e depois está Jardines del Rey oeste, que são as ilhotas do norte de Villa Clara.

«Evidentemente Villa Clara tem previsto um importante progresso, inclusive com outras ilhotas que vão ser exploradas e por isso a carreira foi aberta, há já alguns anos.»

Quais são os estudos de pós-graduação da licenciatura?

«Temos o Mestrado em Gestão Turística, que abrange quase todos os perfis do setor. Nacionalmente, há especialidades de pós-graduação em várias matérias de Turismo.

«É importante esclarecer que nosso mestrado se diferencia dos outros. No mundo, o mestrado é um curso de especialização para obter um emprego. Em Cuba é para aperfeiçoar-se como trabalhador, já em um local de trabalho. Por isso, não temos quase nenhuma a tempo integral, pois enquanto no exterior todos os mestrados são de um ano a tempo integral, nós as temos de dois anos, mas com dedicação parcial.

«Essa característica é muito importante, porque explica as diferentes formas que usamos em relação ao mundo. A mesma coisa eu posso dizer das especialidades de pós-graduação».

«O Doutoramento em Turismo não existe. Há doutorados em várias ciências específicas que têm a ver com a disciplina. Contudo, já conseguimos o primeiro passo e é que fosse aprovado um exame mínimo desta especialidade. Os que vão trabalhar em temas doutorais de Turismo — pode ser Economia, Geografia, Sociologia, Direito ou qualquer ramo — fazem o exame desta especialidade. Nosso sonho é ter o Doutoramento em Turismo, como já existe em outros países.»

Quantos estudantes estrangeiros estão formando neste momento?

«No ano passado eram 19, entre africanos e asiáticos. Este curso são aproximadamente 24. Em pré-graduação temos de Angola, Gana, Vietnã, China, também tivemos do Equador e da República Dominicana. Em pós-graduação ocorre algo parecido: temos estudantes chineses que estão estudando o mestrado.

Falemos das fontes de ingresso.

«A carreira teve estudantes que eram trabalhadores. Agora estamos reabrindo: temos primeiro e segundo ano de trabalhadores e no ano próximo (setembro de 2017) pensamos abrir cursos de ensino à distância. Neste ano entraram alunos de diversos setores e tentamos fazer uma carreira que fosse dirigida à superação dos trabalhadores do setor.

«Contudo, no ano próximo abriremos o ensino à distância para quem quiser, se nos alcançam as possibilidades de atenção. Não se trata de matricular todo aquele que desejar, mas todo aquele que possamos atender. Mas há a intenção de fazê-lo no próximo ano letivo.»

É possível que os trabalhadores do setor não estatal também possam matricular?

«A ideia é que possam entrar, com maior força, a partir do ensino à distância, em Havana. Em outras partes do país já entraram à carreira. Não há limitação. A política é dar iguais possibilidades para todos. Não há nenhuma restrição para o setor não estatal. Só que, às vezes, as condições concretas não viabilizam os volumes para satisfazer toda a demanda».

«Se vamos apoiar o setor não estatal da economia, como pediu o Partido em seus dois últimos congressos, temos que apoiá-lo também em formação e capacitação.»

Em sua opinião, qual é o papel do turismo em Cuba até 2030 e que lugar vai ocupar esta licenciatura no desenvolvimento desse setor?

«Quando começamos em 1977 a impulsionar a carreira, como economista cheguei à conclusão de que o turismo tinha que ser um dos motores do desenvolvimento cubano».

«Hoje, que já temos nove formaturas, estamos tentando que os formados sejam cada vez mais eficazes e eficientes em seu desempenho profissional».

«O turismo tem um efeito de motor no resto da economia e isso vai continuar sendo importante. Aspiramos que os formados saiam cada vez mais preparados. Nossa lógica é que aqui entram bons seres humanos, mas têm que sair melhores seres humanos e isso tem três significados: mais revolucionários, com melhores sentimentos e valores, e excelentes profissionais do turismo, as viagens e a hospitalidade. Esse é o sentido da carreira, em nível nacional.»