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ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

ATÉ o passado mês de novembro, Cuba tinha recebido 4.257.754 turistas, o que reflete um crescimento de 19,7%, em relação a igual período em 2016. O surpreendente, além do número, é que os resultados foram atingidos em um ambiente para nada isento de contrariedades.

Aos prejuízos que depois da passagem do furacão Irma se registraram em instalações hoteleiras e em outros serviços associados ao ramo, também se somou que o Canadá – o principal mercado de nosso país em chegada de turistas – não chegou a cumprir os índices estimados de renda monetária, sobretudo por problemas associados ao enfraquecimento da taxa de câmbio da moeda canadense no mercado internacional.

Não obstante, tal qual informou Manuel Marrero Cruz, ministro do Turismo (Mintur), no debate parlamentar da Comissão de Atenção aos Serviços, nos dias 19 e 20 de dezembro passado, que se tenha atingido um número de 17.230.650 turistas/dias é também reflexo de estratégias que se implementaram no ano passado, como a recuperação da modalidade de circuitos e os grupos de eventos, as novas operações aéreas na temporada alta e a incidência da atividade de

cruzeiros. «Esta última modalidade, por exemplo, registrou mais de 397.500 visitantes», acrescentou o titular.

Igualmente, expressou, a relação qualidade-preço do serviço, um tema sempre pungente e que outros anos mostrava indicadores abaixo do desejado, conseguiu atingir em 2017 os 90,9% de aceitação, entretanto a maioria dos turistas expressou que recomendariam o destino Cuba a amigos e familiares, bem como seu desejo de retornar nos próximos meses.

«Quanto aos investimentos, estes se cumprem por enquanto aos 78,1%, já que continuam existindo dificuldades nos processos de investimentos, motivadas fundamentalmente pela má preparação das obras e o atraso nos fornecimentos e equipamentos automotores», sustentou o ministro do Turismo.

Sobre este último elemento, Marrero Cruz precisou que o turismo não está recebendo o equipamento requerido para as locadoras de carros, situação que deveria melhorar no ano próximo quando comecem a entrar os 9 mil previstos no plano.

Também incidem de forma negativa na satisfação do visitante aspectos relacionados com a sinalização vial, o câmbio de moeda e a higiene nas cidades. Segundo o ministro, estes assuntos são revistos por uma comissão governamental e já existem algumas propostas para incrementar o número de caixas eletrônicas, além de trabalhar a situação epidemiológica a partir do local, ou seja, com as autoridades e entidades municipais dos territórios.

O RECUPERADO DEPOIS DO IRMA

Poucos dias antes da passagem do furacão Irma, 88,5% dos turistas que estavam em Cuba se encontravam alojados em instalações situadas na costa norte do país, precisamente naquelas zonas onde passaria mais perto o olho do meteoro.

Se bem os danos materiais – relacionados com a infraestrutura hoteleira – nas províncias de Sancti Spíritus, Camaguey, Las Tunas, Holguín, Matanzas e Havana não foram tão graves, a situação foi bem diferente nos polos turísticos das Ilhotas Coco, Guillermo e Santa María, onde foram evacuados 10.625 turistas.

Os principais prejuízos, assinalou Marrero Cruz, focaram-se nas áreas verdes,

cobertas leves, os falsos tetos e elementos de vidraçaria e carpintaria de alumínio.

«Por que nos recuperamos então tão rápido? Pois porque tínhamos à mão toda a força construtiva e os recursos materiais e financeiros necessários para enfrentar esta situação», explicou. «Também, todas as instalações hoteleiras estavam asseguradas e isso permitiu enfrentar os pagamentos e também influiu, em boa lide, a rapidez e eficiência com que se restabeleceu a energia elétrica e o abastecimento de água», acrescentou.

Como resultado destas ações, lembrou, em 1º de novembro se reiniciaram as operações e serviços nas ilhotas do norte. «Podemos dizer, inclusive, que as praias do país estão melhor que antes».

Mas aos impactos do furacão, soma-se que os indicadores de entrada de turistas ao país baixaram nos meses de setembro, novembro e dezembro, pois se generalizou, erroneamente, «uma percepção nos viajantes de que tudo estava mal e que era impossível para Cuba se recuperar antes da temporada alta», expressou.

Apesar destas contrariedades, assegurou, não renunciamos a atingir em 2017, o número de 4,7 milhão de visitantes, que representaria 11,9% acima do planejado.

FAZER UM TURISMO SUSTENTÁVEL

«Conforme ao plano de medidas aprovado em 2017 pelo Conselho de Ministros para o enfrentamento à mudança climática, outras das ações do Ministério – disse Marrero Cruz – estão encaminhadas à sustentabilidade do turismo e suas projeções rumo a 2050 e 2100».

«Em tal sentido, emitiram-se medidas reguladoras como a lei de costas e a vinculação dos territórios à Tarefa Vida, para demolir aqueles estabelecimentos que estão na orla costeira e têm um impacto ambiental nas dunas», acrescentou.

«A recuperação das instalações patrimoniais é também um propósito em andamento, pois com isso se busca converter aqueles imóveis que estão abandonados ou em mal estado construtivo em pequenos hotéis e resgatar seus valores históricos e arquitetônicos».

«Como parte da mesma estratégia ambiental, referiu, continuam-se desenvolvendo serviços como o turismo de natureza, aventura e rural, ao tempo que existem outros projetos para o aproveitamento dos resíduos alimentícios, e investimentos associadas à poupança energética, montagem de aquecedores solares, lâmpadas led e colocação de usinas dessalinizadoras de água.

Em relação ao tema, Marilyn Rodríguez, deputada do município de Cárdenas, Matanzas, comentou que o furacão Irma deixou não apenas uma experiência de prevenção nas zonas locais do Poder Popular, mas que também fez consciência à população sobre a importância do Plano do Estado para o enfrentamento às mudanças climáticas e a necessidade de levar a outras zonas aquelas instalações e moradias que estão perto da costa.

DO CONTROLE INTERNO E SUAS FISSURAS

Acerca do compromisso e a responsabilidade que têm os trabalhadores do setor em prol de elevar a qualidade do serviço e cortar o passo a ilegalidades e movimentos indevidos de inventários e perdas, também chamou a atenção Víctor Manuel Lemagne, deputado do município de Trinidad, Sancti Spíritus, e secretário também do Comitê Nacional do Sindicato de Hotelaria e Turismo.

Em resposta a este problema, Manuel Marrero Cruz expressou que, na atividade extrahoteleira, especialmente nos serviços gastronômicos, os próprios administradores e trabalhadores introduzem produtos que não lhes chegam pelas vias de abastecimento estabelecidas, «ou seja, vêm da rua, o que implica quase sempre que têm uma origem ilegal».

Não obstante, explicou, as principais fissuras no controle interno e desvios de recursos ocorrem nos hotéis que oferecem o pacote de «tudo incluído». Os recursos que saem do hotel não aparecem como faltante já que, supostamente, foi consumido pelo turista, quando em verdade não acontece assim.

Outras vezes, ainda que chegam as faturas das mercadorias, não se recebe o produto na instalação, já que se desvia a compradores externos. «É um tema que trabalhamos com o Ministério do Interior e a Controladoria Geral da República, pois o objetivo não é sancionar depois de que ocorre a indisciplina ou o roubo, mas evitar que aconteça», precisou.