ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

SEGUNDO contam as pessoas que moram lá há muito tempo e que têm os cabelos cinzentos, Sagua la Grande sempre foi uma cidade vital. Os primeiros moradores estão inscritos na história desde 1812 e é a partir dessa data que se tornou perceptível o desenvolvimento econômico e social desta cidade ao norte da província Villa Clara.

Hoje, mais de dois séculos após ter sido fundada, esta cidade renasce como um destino turístico que surpreende diante da diversidade de atrações que apresenta. Patrimônio, cultura, natureza e praias se destacam entre as opções que incluem a cidade dentro do chamado turismo de circuitos, uma das modalidades mais atraentes dos últimos anos.

A DIVERSIDADE DE SAGUA

Pode parecer uma cidade simples, mas sua história não fará companhia a esse adjetivo. Como uma das cidades mais favorecidas para o comércio, devido à sua localização estratégica no Canal das Bahamas, muitas são as lendas que existem sobre Sagua, se falamos sobre seu desenvolvimento econômico e social.

Sua primeira usina açucareira foi instalada em 1820, juntamente com o desenvolvimento de estábulos, a cultura do fumo, árvores de madeira nobre e um forte aumento na cana-de-açúcar, o que enriqueceu a vida e as tradições da cidade. Ruas largas, prédios que refletem o estilo neoclássico e coexistem com a contemporaneidade, fazem do seu centro histórico um Monumento Nacional, desde 2011, por seus altos valores arquitetônicos e de conservação.

Com um rio de grande caudal que a divide e lhe confere uma singular riqueza natural, esta cidade tem sido uma inspiração para provérbios, poemas, pinturas, música. Muitos espelharam suas características históricas, construtivas e naturais em suas obras, entre eles o famoso pintor cubano Wifredo Lam ou o músico Rodrigo Prats, ambos nascidos nesta cidade do centro da Ilha.

Durante a sua inauguração, em maio passado, como um destino turístico, o ministro do setor, Manuel Marrero Cruz, disse que Sagua la Grande «oferece aos visitantes a possibilidade de encontrar uma cidade encantadora e patrimonial, com uma cultura, arquitetura e história que será para o deleite do turista».

ILHOTA CAYO ESQUIVEL

Sol e praia também estão incluídos neste novo destino. Apenas a 13 quilômetros da cidade está Isabela de Sagua, uma vila de pescadores muito perto de Cayo Esquivel, a maior das ilhotas no norte da Ilha, perto do arquipélago Jardines del Rey.

Esta ilhota, que no início do século passado foi explorada, com vista ao turismo local, tinha casas e hotéis resort que desapareceram na década de 50. De acordo com aqueles que têm desfrutado de seus encantos, nos mais de dez quilômetros no meio do Atlântico, as praias da ilhota destacam pela cor muito branca da areia.

Hoje, graças à nova base náutica Marlin, com capacidade para 12 navios, a Isabela consegue ter ligação marítima com a ilhota Cayo Esquivel. O terreno natural e praticamente virgem foi cuidadosamente limpo para o desfrute de um complexo turístico amigável com a natureza.

Com excursões diárias que incluem o prazer de um bar-restaurante e do mar, Cayo Esquivel se junta às atrações recreativas da região. Dado o seu potencial, preveem-se futuros investimentos na ilhota, que poderá chegar a ser um ponto turístico chave de Cuba.

EM BUSCA DO CONFORTO

Conhecida como a capital das primeiras coisas feitas em Cuba, porque foi aqui onde foi construído o primeiro barco a vapor no país, uma das primeiras redes de esgoto com sinais de urbanidade, os caminhos-de-ferro, o aqueduto e muitos outros eventos que mostraram um avanço histórico, socioeconômico e cultural, Sagua la Grande continua surpreendendo pela sua capacidade de se transformar.

Perante um amplo processo de empreendimentos que incluiu a melhoria das instituições culturais, parques, praças e edifícios públicos, hoje podem ser encontrados dois novos hotéis: Sagua e Palacio Arenas, com 84 e 11 quartos, respectivamente. Além disso, o bar-café El Alambique, o Real Gran Rey Café, o La Jungla Night Bar e o Chipo Cafe Bar, pertencentes à empresa de campismo.

Duas lojas turísticas da rede Caracol para a venda de lembranças e produtos estrelas do mercado cubano: rum, charutos e café, ao lado de um novo escritório da Havanatur, também se destacam entre as novas instalações.

Segundo Marrero Cruz, os resultados percebidos graças a um intenso processo de investimento por parte do Estado, também incluem os esforços de organizações, instituições, construtores, especialistas e pessoas em geral. «São os sagueros que têm o maior mérito de fazer retornar à sua cidade o esplendor», disse o ministro.

NÃO PERDER A VITALIDADE

Reconhecida como uma localização cultural, geográfica e historicamente privilegiada, Sagua la Grande continuará se expandindo como destino turístico. Conforme relatado pelo ministro do Turismo, «a agência alemã Thomas Cook, uma das mais operativas no cenário mundial, tornou-se a primeira a incorporar Sagua la Grande em seu catálogo para a próxima estação de inverno, sob a forma de circuito turístico. Além disso, já estamos trabalhando em estudos e projetos para a construção de outros estabelecimentos hoteleiros, o que nos permitirá resgatar algumas das jóias da arquitetura saguera».

Da mesma forma, foi assinada uma carta de intenções entre a agência francesa Louvre Hotels e a empresa cubana Cubanacan, para iniciar um processo de negociação e converter em hotel o Casino Español, um dos edifícios mais queridos da cidade.

O ministro do Turismo disse que desde a sua inauguração, a maior tarefa dos habitantes e de suas instituições é operar o destino com qualidade. Ao mesmo tempo, reconheceu o imperioso desdobramento de esforço, unidade e trabalho coletivo até chegar à sua abertura, destacando que Sagua é «uma cidade simplesmente bela e seu povo, o herói de todos os dias».

Muitos são os destinos que, tal como Sagua la Grande, o ministério do Turismo reativa como parte de sua estratégia de estimular o turismo de circuitos. De acordo com Marrero, são 31 projetos para serem concluídos no calendário atual, quando outros investimentos também são executados, a fim de reformar e ampliar as instalações extra-hoteleiras naqueles destinos tradicionais dedicados a esta modalidade.