ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Fidel com meninas e adolescentes em La Mota, na Serra Maestra. Photo: Korda, Alberto

CASO não ter sido extensa demais, eu teria intitulado esta estampa de O humanista e o humanismo de Fidel. São bastantes as experiências que reafirmam estas particularidades dele. Uma e outra vez vêm à minha mente fatos que demonstram isso e dos que eu fui testemunha, em diferentes momentos. Como jornalista, referi-me a eles e a outros muitos.

ESTAMPA 1

Nunca eu tinha sido testemunha de um diálogo tão ameno entre Fidel e um grupo de adolescentes, sobre a vida e o conhecimento. Ainda guardo a caderneta com os apontamentos que fiz, embora esse fato fosse publicado em uma reportagem.

Ele estava sentado em um tamborete e como era usual quando andava pelo campo, cercado de pessoas. Porém, este era um lugar bastante afastado do povoado. Ocorreu na costa sul de Oriente, em La Mota, quando visitou o lar do “Velho” Cardero, um homem da Serra e então foram chegando familiares e amizades do camponês. Nesse ambiente, fora da cabana, conversou com um grupo de adolescentes com os quais tinha trocado impressões à tarde, no mesmo lugar:

“Há pouco, você me falou de uma amiga sua que perdeu a casa quando do furacão e está precisando de uma casa nova. Mas também do problema da sala de cinema de Yara. Você acha que primeiro devemos resolver o problema do cinema ou o da casa da senhora?”, perguntou Fidel a uma das meninas. E ela respondeu que primeiro devia ser construída a casa.

A menina — Hilda — disse-lhe mais: “que o parque de Yara não estava terminado e que até as vacas entravam ali”.

“Pois isso não está bem, é precisou cuidar do parque”, precisou Fidel e aprofundou acerca de sua vida, entretenimentos e aspirações.

“Por que é que sua amiga não fala, como ela se chama?, perguntou Fidel.

“Chama-se Marta, porém eu não sei por que não fala”, respondeu-lhe. E a seguir a dita cuja falou: “Eu estava escutando o senhor”, disse. E Fidel prosseguiu o diálogo. Perguntou-lhe quantos anos tinha e se ela estava trabalhando ou estudando:

“·Estava em um internato, mas tive que deixar a bolsa para vir ajudar minha mãe que estava doente e meus irmãos são homens”, respondeu.

“E você tem namorado?”, perguntou-lhe Fidel. A jovem não respondeu, porém Hilda comentou:

“Parece que ainda há algo…”

“Então, você tinha namorado, o que aconteceu, será que ele abandonou você para andar por aí...?”, perguntou.

“Ele se casou”, disse ela.

“E ainda você está pensando nesse homem? Ele demonstrou que não te queria, chegamos a essa conclusão”, expressou Fidel e Sofía, outra das adolescentes do grupo interveio:

“O que ela tem que fazer é se apaixonar outra vez. Há muitos homens bons por aí”.

“Você tem razão! É muito inteligente; mas nesta tarde você ficou escondida lá dentro e quando lhe perguntei se ia estudar sua resposta foi que não lhe interessava”, disse Fidel a Sofía. E continuou falando com ela:

“Depois você disse que ia estudar, mas eu receei que essa resposta sua não era bem convencida e descobri na mesaque você é inteligente”.

“Eu estava observando. Eu primeiro observo as coisas é depois é que falo”, respondeu Sofia.

“Onde é que aprendeu essa filosofia? Você não avança sem conhecer o terreno. Não é assim?”

“É isso, mas eu não a aprendi em nenhum lado, essa é minha, eu penso as coisas e as examino”, respondeu Sofia, sorridente. Era a mais nova das três.

Amanhã vamos à praia. Por que não vai para que a conheça?, convidou-o Sofía.

“É por perto daqui?”, quis conhecer Fidel.

“É sim, por aí, pela costa. Vai?”, insistiu Sofia cuja personalidade se havia imposto.

“Não prometo porque nós temos que sair cedo”, respondeu-lhe Fidel.

Quando as garotas partiram, o chefe da Revolução refletiu amplamente acerca do diálogo:

“Quantas situações e personalidades se encontram por aqui na Serra. Existe um conceito equivocado quanto a apresentar os camponeses como pessoas torpes, ignorantes. A conversa que tivemos com estas garotas prova o contrário: seu comentário foi extenso e educativo”.

ESTAMPA 2

O helicóptero sobrevoa por cima de Birán. Os camponeses parecem adivinhar a chegada de Fidel em qualquer lugar.

“Choveu muito por aqui, vejam que estas pastagens estão verdes”, comenta com satisfação. Estava colado ao vidro de uma das janelas do helicóptero, enxergando os campos.

O capitão Venero e o tenente Carrión conduziam o helicóptero, seguindo o roteiro que Fidel lhes traçava verbalmente. Já em terra, Fidel é cercado por várias pessoas. Um velhinho haitiano, entre vários, se aproxima de Fidel.

“Rapaz…!”, diz Fidel, após o reconhecer.

“Piti”, como você vai? E o problema da garganta?”, pergunta.

“Tudo bem, aí”, responde o haitiano. E Fidel, voltando-se para o outro idoso lhe pergunta:

“Que acontece Jesús?”

“Eu tive uma embolia, Fidel”, responde. E Fidel o anima.

“Mas se você parece estar bem. Já se aposentou?”

O haitiano confirma a suposição e outro camponês oferece mais pormenores.

“Fidel, quase todos os haitianos já se aposentaram”.

Não podia faltar a educação. As professoras da escola “6 de Agosto”, que assim chamam em Birán, se aproximam e ele recebe informações acerca do desempenho na escola.

“Agora tudo aquele que quiser, pode estudar”. Despede-se e escuta os brados:

“Retorna, Fidel”, dizem-lhe, para que chegue até o casario.