
AS autoridades de saúde em Cuba notificam que até o fechamento desta edição não se informou nenhum caso de contágio com o Zika vírus no território nacional, mas alertam em incrementar as medidas de higiene e a vigilância extrema, levando em conta a situação geográfica da Ilha e o perigo real do avanço da epidemia na área.
Seu aparecimento data de 1947 em países africanos, é transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, cursa de modo assintomático num período de 7 a 10 dias, não requer ingresso no hospital para 70% dos casos, e é associado a deformações congênitas cerebrais nos recém-nascidos e ao desenvolvimento da síndrome de Guillén Barré para os adultos, segundo declarações ao jornal Granma da diretora do Centro Nacional de Genética Médica, doutora Beatriz Marcheco Teruel, e do chefe do Departamento Materno Infantil do Ministério de Saúde Pública (Minsap), Roberto Álvarez Fumero.
Designada pelo Comitê de Emergências da Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma urgência sanitária, atualmente os meios de comunicação em massa divulgam a presença de doentes em 26 países do mundo. A principal preocupação está na possível relação entre a infecção materna durante a gravidez e a ocorrência de microcefalia e calcificações intracranianas em fetos, temas hoje em estudo científico.
Os doutores cubanos insistem na observação da febre superior a 38 graus, as erupções cutâneas, a conjuntivite não purulenta, as cefaleias e dores articulares. Ordenam ir imediatamente ao médico, porque se adverte da inexistência de tratamentos com medicamentos especializados ou vacinas preventivas.
Não se limita à gravidez nas mulheres em idade reprodutiva, mas elas e as grávidas devem evitar o contato com o vetor e com possíveis doentes. Pede-se precaução no vínculo com pessoas procedentes ou visitantes de países, onde se informou da doença, referiu a doutora Marcheco Teruel.
Também reclama às grávidas o estrito cumprimento dos encontros médicos contemplados no atendimento pré-natal; a administração do ácido fólico diariamente, a disciplina nos controles do atendimento genético (captação, avaliação das 15 semanas, ultrassons do primeiro, segundo e terceiro trimestre e avaliação às 33 semanas), além da necessidade de referir sintomas característicos a seus respectivos médicos, caso suspeita.
Entretanto, o doutor Álvarez Fumero adverte ao resto da população a tomada de medidas individuais com a higiene pessoal, o uso de redes nas camas, cobrirem a pele com o vestuário apropriado, utilizarem repelentes e evitarem o contato com doentes com febre.
À família e à comunidade se recomenda colaborar na busca de possíveis criadouros de mosquitos, destruir os focos em águas estagnadas, não se opor à fumigação nem às visitas frequentes do pessoal sanitário e eliminar os riscos de transmissão. Às pessoas com temperatura alta e sintomas associados, aconselha-se tomar paracetamol e dipirona, mas nunca a aspirina pelo possível aparecimento de gemorragias, assinala o funcionário do Minsap.
A mídia do país reitera a necessidade de conceber a percepção do risco em cada indivíduo, apoiar as medidas sanitárias nas moradias, praticar a higiene coletiva com a limpeza das áreas comuns e sanear as cidades.
Cuba se prepara conscientemente perante outro problema global gerado na natureza, educando e prevendo, em primeiro lugar, para evitar mortes e danos reparáveis na população.





