
NO último quinquênio, uma das companhias estrangeiras mais reconhecidas nos prédios da Feira Internacional de Havana foi Agostini GmbH. É claro, ninguém atribuiu méritos de graça a essa Sociedade de Responsabilidade Limitada. A fornecedora do setor poligráfico cubano demonstrou que no país dos melhores chocolates e relógios do mundo também se sabe de boa tecnologia.
Ainda que haja exatamente duas décadas se assentou em Cuba, como uma sociedade econômica internacional, essa empresa teve vários status dentro das relações comerciais com a Ilha.
Desde 2002, Agostini GmbH esteve representando as marcas Trotec e Trodat, do grupo Trodat Trotec Holding GmbH. Uma é líder mundial na fabricação de máquinas laser para gravar, cortar e marcar quase todo tipo de material; a outra, a maior manufatureira de carimbos do mundo.
Ao mesmo tempo, o Trotec entende a tecnologia laser como uma nova revolução industrial, mantém-se estabelecendo constantemente renovados padrões. Um amplo catálogo de produtos, que vai desde lasers tipo plotter e galvânicos, até estações de trabalho personalizado, sistemas de extração ou o software para laser mais avançado do planeta, demonstra o sucesso desse fabricante austríaco.
Da mesma maneira, com produtos próprios e de suas diferentes subsidiárias, que se caracterizam por um design moderno e funcional, a também austríaca Trodat cobre todo o espectro de artigos para o mercado, apropriados para qualquer uso. Para que os produtos de marcado possam conseguir impressões limpas e claras, a empresa irmã da Trodat, Trotec, cria tecnologia que beneficia os fabricantes de carimbos.
***
Ao falar da atualização do modelo econômico antilhano com o Granma Internacional, Beat Agostini, representante de Agostini GmbH em Cuba, refere-se ao favorável desenvolvimento logístico futuro que se foi pensando e concretizando pontualmente na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel, com a criação de um porto novo e a geração de cadeias produtivas.
Com certeza, embora até agora não investisse diretamente em Cuba, o representante considera que a atração de capital estrangeiro é um processo positivo, que constrói e faz com que cresça a economia, ao tempo que eleva a demanda dos produtos que propõe sua empresa.
«Inicialmente, explica Agostini, como vínhamos com experiência da indústria gráfica, ajudamos a modernizar o equipamento de impressão existente e, ao mesmo tempo, substituir o que não se pudesse manter».
Por esse caminho, chegou a ideia de produzir e personalizar carimbos. Os primeiros foram parar às instituições do Ministério da Saúde Pública. «Por causa disso, aponta el empresário, começaram a se conhecer os nomes de Trotec e Trodat em Cuba».
Seja dito, também, que ambas as marcas contribuíram seriamente para o avanço industrial na Ilha, há mais de uma década. Os lasers das máquinas de gravação Speedy, bem como as chancelas são os produtos mais conhecidos no território nacional.
***
«Sempre tivemos a noção de que na Ilha se obtinha em termos de produções impressas apenas 10% do que se produzia em qualquer economia supercapitalista». Portanto, havia um grande potencial nesse setor. Nas palavras do especialista será mais útil a Trodat-Trotec, na medida em que haja mais empresas e hotéis em Cuba.
Na opinião de María Elena Ortiz, compradora e vendedora da Agostini GmbH, «Cuba depende da importação de peças de reposição, insumos, etc. para fazer com que funcione a indústria gráfica. Se bem são custosas as máquinas de impressão, trata-se de instrumentos muito necessários».
Tanto o turismo quanto as entidades estatais ou privadas exigem hoje maiores níveis de informação, impressão, decoração. Daí que, segundo Agostini, se encontrem trabalhando com maquinarias de impressão e encadernação e com carimbos que vão mudando sua presença.
Por exemplo, encontramo-nos enfatizando nos carimbos de cor, porque quase 100% dos carimbos cubanos têm uma só cor (preto, vermelho, azul) e no mundo se utiliza o chamado carimbo multicolor.
Também, na Ilha não há praticamente um documento que não requeira de carimbo. «Onde quer que haja uma assinatura, há um carimbo. Que melhor e mais econômico portador de informação, imagem e publicidade sobre as entidades cubanas do que um carimbo?», expõe Agostini.
Agostini GmbH representa mais de dez fabricantes de excelência procedentes exclusivamente da Europa (Suíça, Alemanha, Itália, Áustria) que, embora não sejam os mais baratos à hora de investir, assegura o especialista, «são, em longo prazo, os mais econômicos, porque garantem durabilidade, flexibilidade e qualidade».
Igualmente, existe uma margem também para o desenvolvimento dos produtos. «Temos a sorte de que nossos fabricantes sejam extremamente inovadores. Quase todos têm a mesma característica: são dos primeiros em seu setor, em nível mundial. Por isso continuam fazendo avançar a tecnologia e permitindo-nos trazer a Cuba o mais moderno».
Apesar de chegarem a uma clientela muito variada que abrange, por exemplo, o setor tipográfico, com os equipamentos industriais para a produção de livros, manifesta Ortiz que «realmente nossos clientes diretos são mais de dez exportadoras, que são as que levam os produtos às tipografias, parques gráficos, bancos ou publicitárias».
Agostini acrescenta que, se falasse dos que recebem os carimbos, seria preciso referir-se a umas centenas de clientes finais, distribuídos pelo país todo.
***
A combinação de vários fatores resultou no assentamento da Agostini GmbH em Cuba. Por um lado, o pessoal cubano, fortemente preparado e entendido do mercado, onde permaneceu durante vinte anos. Por outro, a seleção de produtos de primeira qualidade.
Chama a atenção, lembra Beat Agostini, «a quantidade de designers que se formaram em um curto período de tempo e sem a qual não teria sido possível nem operar os equipamentos nem produzir tudo o necessário».
«Não buscamos sermos milionários em Cuba, mas servir com um produto duradouro e de última geração. Assim ganhamos um espaço que valida nossa presença já extensa aqui», afirma.
Aparece, de igual forma, a realidade de um país que se encontra em desenvolvimento e que oferece múltiplas possibilidades para o empresariado nacional e internacional. «Penso que nisso influíram tremendamente nos conhecimentos e a decisão dos cubanos por sair adiante. Nisso radica outra chave para produzir mais e melhor», aponta.
De maneira muito especial, avalia o interlocutor, nos últimos tempos a Feira Internacional de Havana se reafirmou como um encontro comercial valioso, que se continua profissionalizando, além de que não seja a única.
A novidade de Agostini, em 2016, não esteve apenas marcada pela potenciação dos carimbos multicolor na Ilha Maior das Antilhas, ressalta, «senão pela introdução da tecnologia para entintá-los».
Referindo-se à tecnologia laser, a companhia suíça se encontra impulsionando a sinalética, especialmente a partir da fabricação de bicamadas e a experimentação do processo de gravação sobre incontáveis materiais, entre os que se podem mencionar acrílico, alumínio, vidro, papel, plástico, madeira, mármore.
A não utilização do pvc nesses processos, conforme o que informa Agostini, é devido a que é um material que se torna tóxico e interage com o calor que provoca o laser.
Igualmente, Agostini GmbH está apostando em um novo material reciclável, leve e rígido, o primeiro de seu tipo em ser cortado, além de ser calado ou impresso, com o laser. Sobre isso esclarece Agostini que «o processo de corte é cada vez mais detalhado e preciso. A diminuição da margem de erro faz com que as máquinas possam fazer objetos cada vez mais complexos».
Em data recente, a fornecedora suíça estreou na Ilha a maior chancela do mundo, que pode ser utilizada em armazéns e outros gabinetes de mercadoria.







