
PINAR DEL RÍO. — Há séculos que as pessoas recorrem a elas com a intenção de curar doenças ou aliviar dores. Inclusive, há quem assegura que se trata de uma das formas mais antigas de tratamento. Mas, por que as águas mineromedicinais são boas para a saúde?
O doutor Dagoberto Blanco Padilla, diretor do Balneário de San Diego de Los Baños, o mais antigo de Cuba, situado no município de Los Palacios, explica que “a diferença destas águas, em relação às normais, vem dada por sua composição química, unido ao fato de fluírem a elevadas temperaturas”.
No caso das de San Diego, trata-se de nascentes que oscilam todo o ano entre os 36 e os 38 graus, e contêm enxofre, sulfatos, cálcio, sódio, cloro, magnésio e flúor, assinala o especialista, embora esclareça que em outros locais o número de elementos pode variar.
Aparentemente, desde a antiguidade, já o homem as tinha percebido. Daí, não são poucas as alusões a suas propriedades curativas na mitologia.
Segundo os historiadores, uns 450 anos antes de nossa era, alguns dos primeiros princípios da prática balneária foram fixados por Heródoto, enquanto Hipócrates, também fazia precisões sobre as virtudes e contraindicações de sua utilização, pouco depois.
Desde então, o tema teve momentos de esplendor e também de abandono, até chegar a hoje, novamente em uma etapa de crescente interesse, na qual surge de novo a pergunta de como agem estas águas (conhecidas também como águas termais) nas pessoas?
O doutor Dagoberto explica que “o enxofre, por exemplo, é absorbido por todas as vias: pele, mucosas, respiração, e uma vez incorporado, se dissemina pelo corpo.
“Da mesma maneira ocorre com outros elementos químicos, com efeitos muito importantes para o organismo e cuja presença nestas águas faz com que cheguem ao mesmo, sem nenhum tipo de alteração”, acrescenta.
“A absorção através da pele é muito mais rápida e melhor”, diz, por isso, adverte que embora se concentrassem estas mesmas substâncias em uma pílula, o efeito nunca seria igual pela via digestiva, o qual se consegue mediante os banhos.
O resultado, tem múltiplos efeitos no organismo. Pode ser relaxante, antiinflamatório, analgésico, antisséptico, cicatrizante. “Antigamente, antes da existência de certos medicamentos, uma das aplicações mais frequentes da água termal sulfurada era como antisséptica, para curar feridas ou alguns tipos de infecção”, comenta o diretor do balneário de San Diego.
Isso marca a diferença com outras instalações que proliferaram nos últimos tempos, como os Spa.

“Ainda que possam aparentar ser a mesma coisa, há um aspecto fundamental que os distingue: a natureza das águas. Enquanto os SPA utilizam água comum, os balneários são classificados como centros sanitários, que se abastecem de nascentes com propriedades mineromedicinais”, precisa Dagoberto.
“Apesar de que se usam há centenas de anos, os tratamentos com este tipo de águas mantém sua vigência e constituem todo um arsenal terapêutico para patologias do sistema osteomioarticular, dermatológico e o sistema nervoso central”.
É o caso, por exemplo, dos pacientes com psoríase ou dermatite, e também das pessoas que sofreram sequelas de doenças cerebrovasculares, como os infartos cerebrais ou as isquemias, que deixam limitações transitórias.
Ante tais bondades, o especialista considera que no ambiente em que se desenvolve atualmente o país, com um marcado aumento da esperança de vida, o uso das águas mineromedicinais é de grande importância para o tratamento de padecimentos próprios do envelhecimento, a fim de que as pessoas não só vivam mais tempo, mas também que o façam de uma maneira mais saudável.
Contudo, esclarece que se banhar nelas não é benéfico unicamente para aqueles que apresentam algum problema de saúde, pois ao serem relaxantes e analgésicas, também podem ajudar a diminuir o aparecimento de processos degenerativos em nível do organismo como as artroses e, em sentido geral, ganhar qualidade de vida.
Uma conclusão a qual há milhões de anos já tinha chegado o homem, embora a falta de meios para realizar estudos mais profundos fosse atribuída a forças sobrenaturais, perante a evidência inobjetável de que há águas mágicas, capazes de curar feridas e acalmar dores.







