
COM a mística de um tambor como clamor dos povos originários, ativistas, líderes das organizações populares, acadêmicos e pesquisadores refletiram em Havana acerca das práticas sociais na luta popular, no 12º Workshop Internacional sobre Paradigmas Libertários ‘Berta Cáceres Vive’, que se realizou de 10 a 3 de janeiro de 2017.
Este evento, realizado no Pavilhão Cuba, teve como inspiração o legado do líder da Revolução cubana Fidel Castro Ruz e a recordação latente da ativista hondurenha Berta Cáceres, assassinada em 3 de março de 2016, quem representou a etnia lenca, na luta de sua comunidade por defender o direito a utilizar seus recursos naturais, diante da apropriação ilegal dos monopólios capitalistas.
O grupo América Latina: Filosofia Social e Axiologia (Galfisa), do Instituto de Filosofia do Ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente, de Cuba; o Centro Memorial Dr. Martin Luther King, Jr., bem como organizações integrantes do Capítulo Cubano da Articulação de Movimentos Sociais Para a Alba: entre elas a Central dos Trabalhadores de Cuba, a Federação das Mulheres Cubanas, a Associação Nacional de Agricultores Pequenos e outras, patrocinaram o foro, que teve a presença de quase 400 delegados vindos, principalmente, da América Latina, Europa e os Estados Unidos.
O doutor em Ciências Filosóficas, Gilberto Valdés Gutiérrez, coordenador do evento, disse ao semanário Granma Internacional, que se debateu acerca da ofensiva oligárquica imperialista em auge no continente latino-americano. «Fizemos uma análise profunda de quais são as causas deste fenômeno e como temos que aprofundar nas tendências da lógica do capital, para enfrentá-lo em melhores condições», assinalou.
«O eixo principal do diálogo teve a ver com o cenário em que decorre a atualmente a luta na América Latina e o Caribe, interpretada a partir da relação dialética entre dominação e emancipação. A partir daí se propõem construir coletivamente ações éticas, políticas e epistemológicas, a serem aplicadas movimentos sociais e populares para continuar a batalha contra a direita continental», explicou também Valdés Gutiérrez, pesquisador titular do Instituto de Filosofia de Havana.
Um dos temas centrais foi o debate sobre a atualização das concepções acerca dos sistemas de múltipla dominação, as estratégias geopolíticas de total composição e as guerras do capital no século 21; a caracterização do imperialismo; a reflexão acerca do chamado ciclo progressista; as novidades da luta hegemônica cultural e o papel de Cuba na obra atual de Nossa América.
O evento motivou a realização de um diálogo produtivo, plural e respeitoso, reivindicando os modos de pensar, debater, dialogar e construir saberes solidários, com perspectivas de gênero e inclusão das diversidades, sem simples formalismos acadêmicos e discursos teóricos.
O pesquisador cubano Valdés Gutiérrez destacou que não se vive um simples retorno às condições do neoliberalismo dos anos 90 do século passado, senão que se torna evidente uma estratégia bem pensada dos poderes econômicos, focalizados no setor político, da cultura, do simbolismo e a estética.
Este encontro constituiu uma pequena contribuição, que ajudou a tornar visível o conhecimento que resulta das experiências nas mobilizações de resistência perante o poder hegemônico.
O prestigioso acadêmico acrescentou: «Finalizaremos com um debate a partir da reflexão de Fidel em seu conceito de Revolução, visto a partir do cenário latino-americano. Falaremos de como interpretar, a partir de cada contexto, a forma de construir a Revolução, concentrando-nos nas complexidades e nos problemas enfrentados pelos países e a dinâmica de avançar».
Uns dos discursos mais elogiados foi o proferido pelo intelectual cubano Fernando Martínez, Prêmio Nacional das Ciências Sociais, quem expôs o tema: «As chaves do antiimperialismo e o anticapitalismo hoje: as visões de Fidel Castro nos novos cenários de luta».
O filosofo e ensaísta partiu das qualidades do líder revolucionário de converter o impossível e o impensável em uma possibilidade real, para a transformação da sociedade. E insistiu na necessidade da unidade e a organização das massas no uso de táticas criativas. Encorajou os membros dos movimentos populares a indagar acerca da obra de Fidel, porque nela está a chave da ação para as lutas de emancipação.
«As revoluções que amamos e pelas qual estamos dispostos a tudo são as iniciativas mais audaciosas e arriscadas dos seres humanos, que pretendem transformações prodigiosas, libertadoras das pessoas e das relações sociais, de tamanho nível que nunca mais queiram nem possam votar a viver sua vida em sociedades de dominação e violência», sublinhou Heredia, também diretor do Instituto de Pesquisas Juan Marinello.
A esse respeito, a psicóloga guatemalteca Margarita Ortiz Fuentes, referiu à nossa publicação que participa destes eventos desde o ano 2007, para escutar a voz de nossos povos, em suas necessidades e através da análise científica.
Para ela é imprescindível a mistura entre a teoria e prática, como elemento para construir uma alternativa nova.







