ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A diretora do Cenesex, Mariela Castro Espín, aponta que nos últimos 30 anos a comunidade internacional conseguiu avanços importantes e referências úteis contra a Violência de Gênero, Tráfico de Pessoas, Prostituição e Turismo Sexual, esforço no qual são necessárias, ainda, ideias muito mais efetivas. Photo: Yander Zamora

PROMOVER o debate científico sobre as causas, implicações e soluções em relação à violência de gênero e suas problemáticas foi um dos objetivos fundamentais da realização do Segundo Simpósio Internacional de Gênero, Tráfico de Pessoas, Prostituição e Turismo Sexual «Berta Cáceres in memorian».

Este Simpósio, realizado no Centro Internacional de Saúde La Pradera, foi organizado pelo Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), no âmbito da Jornada pela Não Violência contra as Mulheres e as Meninas.

Uma de suas premissas foi honrar a memória da ativista social hondurenha Berta Cáceres, assassinada por defender os direitos do povo lenca das multinacionais, a oligarquia nacional e os políticos corruptos, que sacrificam os direitos de seus povos perante os do capital.

«Os temas abordados têm um forte impacto negativo nos processos de desenvolvimento e no exercício dos direitos humanos de todo o mundo. Estes requerem de soluções imediatas da comunidade internacional e a articulação de consensos teórico-metodológicos, que permitam a tomada de decisões dos estados e governos para a definição, implementação e acompanhamento de políticas pulcras», expressou a doutora Mariela Castro Espín, diretora do Cenesex e presidenta do evento.

«A maioria dos governos não conseguiu estruturar adequadas vias de mecanismos de atendimento a estas mazelas sociais, porque, evidentemente, teriam que questionar sua ordem patriarcal e reverter o processo de reprodução do capital», destacou a diretora.

Também afirmou que quase sempre as vítimas de tráfico são mulheres, meninas e meninos de baixo nível socioeconômico, onde as principais correntes de tráfico procedem de países pobres com destino aos enriquecidos.

Castro Espín rememorou que no Segundo Congresso de tráfico de pessoas, desenvolvido no México, em 2010, a diretora regional da Coalizão de Tráfico de Mulheres e Meninas da América Latina e o Caribe, Teresa Ulloa, divulgou que a cada ano cerca de 100 mil mulheres procedentes de países da América Latina e o Caribe são levadas a diversas nações do mundo, com enganos e falsas promessas de emprego.

«Sem que se conheçam as quantidades oficiais, os estudos estatísticos nem os relatórios qualitativos, que permitam evidenciar o fenômeno do tráfico de pessoas, estas relações somadas ao vazio legal e a falta de respostas políticas, que primam a muitos países, favoreceram seu posicionamento como o terceiro negócio mais rentável do crime organizado por trás da venda de armas e o narcotráfico», continuou revelando Mariela Castro.

Igualmente, acrescentou que as Nações Unidas e, especialmente, seu anterior secretário-geral Ban Ki-moon, impulsionaram campanhas para frear a violência contra as mulheres e as meninas e que nas relações multilaterais se fortalecem as ações de enfrentamento ao tráfico de pessoas e ao turismo sexual.

Também, convidou a encontrar respostas científicas a estas graves problemáticas, que dilaceram os direitos humanos das pessoas e constituem um desafio inadiável e fez um apelo a compartilhar resultados de pesquisa e boas práticas.

Acerca das experiências próprias de sua nação, a ministra de Família, Adolescência e Infância da Nicarágua, Licenciada Marcia Ramírez Mercado comentou: «Nosso objetivo essencial consiste em fazer justiça focando-nos nos seres humanos».

«Na Nicarágua, nós as mulheres temos 50% dos cargos de eleição popular: na Assembleia Nacional, nas prefeituras, nos governos municipais, nos cargos de ministros e vice-ministros, na Suprema Corte de Justiça», informou a ministra.

A funcionária nicaraguense expôs que fizeram esforços enormes no tema da promoção e prevenção, o fortalecimento dos meios de apoio e o trabalho combinado com diferentes instâncias do governo, a própria família e com estruturas do partido.

«É de grande importância aprender e fazê-lo para melhorar. Tudo o que possamos conhecer de algumas práticas e esforços de outros países será bem-vindo para adequá-lo ao contexto nicaraguense e avançar. Esse é o desafio, avançar», assegurou.

«Meu país considera emblemáticos projetos como o Eduque seu filho (programa cubano pela via não institucional, que oferece alternativas de educação aos meninos e meninas de zero a seis anos); nele há uma canteira de prevenção de violência, pois se ensina aos meninos mais um modelo de relação desde o berço; na Nicarágua o adotamos sob o nome Amor para os mais pequenos», ressaltou Ramírez Mercado.

A diretora do Cenesex detalhou: «Somos cientes que ainda existem contradições nas abordagens e conceições; bem como nos posicionamentos ideológicos, que respaldam as políticas de atendimento a estas problemáticas.

Contudo, nos últimos 30 anos a comunidade internacional conseguiu avanços importantes e referências úteis para a ação».

«Ainda temos desafios, não estamos conformes quanto ao que avançamos em nosso país; pelo qual o Cenesex, como centro que coordena e assessora as ações do Programa Nacional de Saúde e Educação Sexual, considera que tem a responsabilidade de facilitar este tipo de encontros para continuar produzindo ideias muito mais efetivas no atendimento destas mazelas, que estão muito relacionadas entre si», findou Mariela Castro.