
ESCREVER sobre os avanços da educação ao longo do país, sem apenas mover-se da capital, pode converter-se em uma coerente cadeia de enunciados. Por isso, devemos aproveitar qualquer ocasião que se presente para saber, de primeira mão, o que fazem os professores em outras províncias e as particularidades de seus territórios.
Nesse empenho conhecemos a mestre em Ciências da Educação, Obdulia María Vistorte Pupo, chefa do Departamento de Educação Primária em Las Tunas, no oriente do país.
Por ela soubemos dos professores que trabalham em salas de aula com crianças de diferentes séries. Também conhecemos que essa província conta com 489 escolas de nível elementar, delas 375 rurais; e que a matrícula geral é de 35.633 escolares, dos quais 14.621 estudam em centros não urbanos. Assim começou a conversa.
Esta matrícula é de internos ou semi-internos?
«Todos são externos. Como temos as mesmas possibilidades do setor urbano, já as crianças participam de um concurso nacional e obtiveram medalhas de ouro, prata e bronze. A província leva três anos consecutivos obtendo o primeiro lugar nestes encontros nacionais que têm a ver com Língua Espanhola, Ciências Naturais e História de Cuba».
Como se coordena o trabalho para atender ao setor rural?
«Primeiro, organizamos a preparação metodológica com os diretores zonais, os concentramos em nível municipal. Depois trabalhamos com os chefes de ciclo de forma diferenciada, segundo a composição que têm nas escolas. Depois, reunimos-nos com os professores dependendo das complexidades da multissérie».
«Trabalhamos com os professores que têm combinações mais simples (primeira – segunda – terceira – quarta, quinta – sexta) e depois com os que têm grupos mais complexos como aqueles que atendem da primeira à sexta séries».
«Também aperfeiçoamos o trabalho com os metodólogos para que organizem a parte metodológica. Falo da entrada aos centros do setor rural de especialistas de Educação Física, bibliotecárias, instrutores de arte, professores de Computação, um grupo de pessoas que influem na preparação dos professores para a ajuda metodológica».
«Temos alunos com necessidades educativas especiais que são atendidos de forma diferenciada por logopedistas e psicopedagogos, entre outras especialidades».

De que forma é realizada a preparação destes estudantes para dar solução às necessidades que tenha o território? Como os preparam para que eles saibam as opções de trabalho que terão mais adiante?
«Temos concebido em todas as escolas rurais os círculos de interesse, que respondem às necessidades reais do território onde está encravada a escola. São atendidos por instrutores, tanto da área agropecuária, industrial, mecânica, como também os clubes pedagógicos. Têm que trabalhar para a formação de professores. Desde as primeiras idades vamos enviando as crianças a esse clube».
Quais seriam os principais desafios que enfrenta um professor rural nas escolas multisséries?
«O principal é uma preparação metodológica, especialmente projetada para várias séries. É bastante complexo, mas agora temos livros, manuais. Também vamos trabalhando com os eventos do setor rural. Isso contribuiu muito para os professores. É como o evento de Pedagogia, onde se reúnem os professores com maiores experiências e vão divulgando tudo o que realizaram em um curso completo.
«Também está a avaliação sistemática, que é um desafio importante. Como avaliar nossas crianças em um mesmo exame, mas com diferentes conteúdos?»
O tema da cobertura docente?
«Em Las Tunas não tem problemas com a cobertura docente: temos 24 escolas com dois professores para 25 alunos, o que é um propósito da educação primária e tem já no rural 123 grupos com dois professores».
Qual é o segredo para alcançar os mesmos níveis de conhecimentos do que nas escolas primárias urbanas?
«A base está na preparação metodológica que recebam nossos professores e em como eles vão organizar seu processo para poder conduzir. É verdade que estamos a um mesmo nível. Quando se faz um corte avaliativo, o resultado do rural é igual ao setor urbano com os mesmos conhecimentos e as mesmas habilidades».
«O como é o que precisamos porque já sabemos o que fazer. Também temos outras vias: as folhas de trabalho para a casa, que fortalecem a preparação da criança, a partir da qual preparamos os pais para trabalhar a sistematização em família. Como vamos fazer isso por níveis de conhecimento para que a criança continue avançando até chegar ao nível de aplicação?»
«Contamos com um suporte importante agora: o Pa’ que te eduques (Para se educar), uma produção de Cinesoft. Se a criança não pode ir a um museu, pode fazer uma visita virtual, pode ver o Iate Granma por um museu virtual. Essa é uma ferramenta que se dá para que possa continuar aprofundando nos conhecimentos. Desta forma não têm um museu em sua localidade, mas podem observá-lo através do televisor. São várias vias que temos para que a criança continue preparando-se constantemente.





