ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

VÁRIAS organizações e grupos conformam os jovens de outras nacionalidades que estudam nas universidades cubanas, principalmente nas faculdades de Medicina, com o propósito de ajudar-se mutuamente e colaborar com a solução de problemas em cada uma de seus países.

Na Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM) estuda no segundo ano Arcus Makaza, de Burundi, e em diálogo em Havana com o Granma Internacional manifestou que os estudantes africanos integram uma organização juvenil ligada à União Africana, a qual duas vezes os convidou a participar de suas cúpulas realizadas na Etiópia.

«Nossa organização trabalha no sentido de fortalecer a unidade entre nós para melhorar os resultados acadêmicos. Coordenamos brigadas com jovens de bons resultados docentes, que possam converter-se em tutores daqueles com dificuldades para aprovar as disciplinas. Nomeamos os alunos-ajudantes que se encarregam, em seu tempo livre, de oferecer reciclagens para explicar os conteúdos recebidos nas aulas», afirmou o jovem.

Através deste tipo de grupo, eles divulgam a cultura africana dentro das universidades de Medicina, com o propósito de despertar o interesse em professores, trabalhadores, estudantes e de outras na-ções. «Preparamos uma gala anual na ELAM por países com todas as manifestações artísticas e difundimos nossa diversidade cultural e étnica», indicou Arcus Makaza.

Esta organização mantém vínculos estreitos com a Federação Estudantil Universitária (FEU) de Cuba e a Organização Continental Latino-americana e Caribenha de Estudantes (OCLAE). Entre todos promovem torneios esportivos e vão às convocatórias e mobilizações de respaldo à Revolução como a de 27 de novembro, para lembrar o assassinato dos oito estudantes de Medicina, ocorrido em 1871 e a Marcha das Archotes, em 27 de janeiro, para rememorar o natalício de José Martí (28 de janeiro de 1853), entre outras.

Também conformam a Brigada de Amizade África-Cuba para refletir acerca das relações solidárias entre a Ilha Maior das Antilhas e os povos africanos. «Cuba ajuda a combater doenças em nossos países, um exemplo recente ocorreu com a letal epidemia de Ébola, quando mais de 200 médicos ofereceram seus serviços na Libéria, Guiné Conacri e Serra Leoa até eliminar a doença» destacou o jovem de Burundi.

Ao mesmo tempo, a cada ano os estudantes africanos também participam das brigadas conformadas nos meses de férias, no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella, de Caimito, da província Artemisa, para realizar jornadas de trabalho voluntário na agricultura e dialogar com especialistas cubanos em diversos setores sociais.

Por seu lado, o jovem palestino Mohammad ressaltou que os estudantes árabes também se agrupam para divulgar a verdade acerca das guerras imperiais no Oriente Médio, desatadas com o objetivo de despojar os povos dos recursos naturais e para ocupar territórios, como é o caso de Israel.

Acrescentou: «Recebemos apoio da universidade para desenvolver diferentes iniciativas. Programamos espaços de trocas políticas nas quais participam os professores e estudantes cubanos. Comemoramos diferentes datas históricas e lembramos os acontecimentos de maior relevância para a história dos países árabes».

O palestino enfatizou nas diversas ações culturais para divulgar a maneira de vida e os costumes de seus povos. Igualmente, dialogam acerca da ajuda cubana aos demais povos do mundo para atingir a soberania e desenvolver suas economias. Em suas trocas têm presente o pensamento do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz por ser visionário dos principais problemas do mundo atual.

Referiu que nunca existem obstáculos para desenvolver suas culturas dentro de Cuba e professar suas religiões: «Sou muçulmano e visito uma mesquita situada em Havana Velha. Meus colegas praticam o cristianismo e participam das missas das igrejas radicadas aqui», apontou.

Entretanto, os venezuelanos Mariangel Marcano Flores e Víctor Gabriel Cropper Conde, os dois estudantes da Universidade das Ciências Médicas Ernesto Che Guevara de la Serna, em Pinar del Río, ressaltaram que estão integrados às brigadas internacionalistas Hugo Chávez para realizar trabalho de promoção e prevenção de saúde em comunidades de difícil acesso.

«Estes grupos de estudantes começaram seus trabalhos a partir de uma iniciativa promovida por Honduras e depois o movimento se estendeu às diferentes universidades das províncias cubanas. Em período de férias tomamos uns dias para visitar comunidades vulneráveis e explicar quais medidas devemos assumir para não adoecer», assegurou Víctor Gabriel.

Entretanto, ela mencionou que para cumprir tais propósitos organizaram o Conselho de Estudantes Venezuelanos em Cuba, para coordenar o apoio logístico e os lugares a serem visitados pelos jovens, indo aos governos locais e aos líderes comunitários. «Visitamos municípios e paróquias da Venezuela, mas também hospitais oncológicos infantis para levar alegria às crianças internadas», apontou Mariangel Marcano Flores.

Os dois concordaram em afirmar que os estudantes venezuelanos, sentem-se cubanos pelo fato de conviver nesta Ilha do Caribe e desejam levar para o seu país valores humanos como a ajuda incondicional, a hospitalidade e a cooperação em todo momento. Resumiram isso em uma frase: «Cuba nos ensina a solidariedade com a humanidade».