ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Jenni Gunn; um dos jovens sindicalistas do Reino Unido que participou do evento. Foto: Catriona Goss

O Encontro Internacional de Solidariedade com Cuba, tal como os que se efetuam cada ano, teve suas sessões no Palácio das Convenções, de Havana, com a participação de centenas de líderes sindicais e representantes de movimentos sociais e de amizade de todas as latitudes do mundo.

No evento, organizado pelos sindicatos cubanos, por decisão do presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros de Cuba, general-de-exército Raúl Castro Ruz, condecorou-se com a Medalha da Amizade o secretário-geral da Federação Sindical Mundial (FSM), George Mavrikos, bem como o vice-presidente desta organização, Valentin Pacho.

A condecoração foi entregue pelo secretário-geral da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), Ulises Guilarte de Nacimiento, e o Herói da República de Cuba e presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap), Fernando González Llort.

Marcaram presença, também, o vice-presidente do Conselho de Estado, Salvador Valdés Mesa; a secretária-geral da Federação das Mulheres Cubanas (FMC), Teresa Amarelle Boué; o membro do secretariado do Comitê Central do Partido Comunista e chefe do departamento das Relações Internacionais, José Ramón Balaguer Cabrera e outras personalidades.

Os participantes internacionais destacaram a diferença entre o ambiente de celebração e alegria que presenciaram no dia anterior, ao participar do enorme desfile de 1º de Maio, ao lado do povo, na Praça da Revolução José Martí e os protestos reivindicatórios que costumam marcar esta importante data para os trabalhadores do mundo em seus próprios países.

Nas palavras de boas-vindas, o secretário-geral da CTC expressou o apoio cubano a todas as organizações de traba-lhadores do mundo e, especialmente ao povo venezuelano, em sua luta contra a violência da oposição e a ingerência estrangeira e denunciou o criminal bloqueio imposto pelos Estados Unidos durante mais de 50 anos.

A vice-ministra das Relações Exteriores, Ana Teresita González Fraga, ofereceu detalhes da política externa cubana e as da Ilha com o mundo e salientou o apoio de Cuba aos povos que continuam lutrelações ando por sua soberania nacional.

No ato, foi condecorado com a Medalha da Amizade o secretário-geral da FSM, George Mavrikos, no canto direito da foto, bem como o vice-presidente Valentín Pacho, o segundo da esquerda para a direita. Photo: Yaimí Ravelo

O Encontro serviu como espaço oportuno para compartilhar experiências de luta e ratificar a importância da solidariedade entre os povos do mundo. Palestrantes do Brasil, Argentina e Venezuela ofereceram detalhes sobre as ameaças das forças da direita em seus países, além de destacar a necessidade da unidade e a solidariedade da classe mundial dos operários para enfrentar o capital financeiro global e a imposição de modelos de ajuste neoliberal.

O Herói da República de Cuba, Fernando González, referiu-se à importância da luta contra o bloqueio e enfatizou: «Quando ouvimos na mídia que o governo norte-americano flexibiliza suas relações com Cuba, isso não quer dizer que o bloqueio esteja eliminado, o bloqueio contra o povo cubano continua».

Também instou os presentes a continuar informando em seus países sobre este tema e, igualmente, exigir o fechamento da ilegal Base Naval de Guantánamo e a devolução desse território ao povo cubano. E acrescentou que a campanha internacional pela Libertação dos Cinco, foi um exemplo de que quando os homens de bem se unem é possível conseguir grandes coisas.

Igualmente, disse que a situação atual na América Latina com o ataque à Revolução Bolivariana da Venezuela, a presença de governos neoliberais e golpes de estado parlamentares, são uma prova da arremetida da direita regional contra as forças progressistas.

A secretária nacional feminina da Unidade Popular Venezuelana (UPV), Omarlena Abreu, falou da realidade que vive hoje o povo venezuelano, ao enfrentar a guerra econômica e condenou a política de dupla moral das potências ocidentais e seus aliados ao acusar alguns países, como o dela, de desrespeitarem os direitos humanos. Entretanto, eles atacam militarmente outras nações e violam a autodeterminação dos povos com suas políticas de ingerência.

Delegados da Palestina, Índia, Gana, Barbados, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai, Nicarágua e a França expressaram sua solidariedade com o povo e governo cubanos e informaram de seus esforços para contestar a manipulação da mídia contra a Ilha em seus respectivos países.

Delegadas convidadas dos Estados Unidos referiram-se à repressão policial, o racismo, as lutas sindicais e as mentiras da mídia hegemônica em seu país. Destacaram o exemplo de figuras como Fidel Castro, Ernesto Che Guevara e Camilo Cienfuegos e ressaltaram que a força de Cuba se fez sentir na histórica marcha do Dia Internacional dos Traba-lhadores.

Uns 20 jovens sindicalistas do Reino Unido participaram do evento. A escocesa Jenni Gunn, do sindicato Unison, um dos maiores do Reino Unido, que agrupa 1,3 milhão de trabalhadores dos serviços públicos, declarou ao Granma Internacional sua imensa emoção ao participar do desfile de 1º de Maio ao lado do povo cubano. Destacou que a Revolução Cubana transcende o puramente político e se pode apreciar no aspecto social: «Os cubanos são das pessoas mais acolhedoras que já conheci… são pessoas muito solidárias».

Acrescentou que conhecia um pouco sobre a Ilha antes de vir, mas que «realmente não percebi até que ponto o bloqueio dos EUA e o terrorismo patrocinado por esse Estado em Cuba tinham impactado nas pessoas aqui, três mil cubanos morreram por causa dos atos terroristas apoiados pelos Estados Unidos». Acrescentou que a «alentou o fato de que isso serviu para fortalecer a firmeza e o apoio à Revolução».

Concluiu que o vivido em Cuba servirá para mostrar aos seus colegas, ao retornar ao seu país, que «os ideais socialistas não são apenas retórica, funcionam e se pode ver neste país, não é apenas questão de falar de Marx e de Lenin, não é só ideologia, mas soluções práticas que funcionam para as pessoas aqui. E podemos falar com as pessoas e demonstrar-lhes que o socialismo pode funcionar e Cuba o demonstrou, sob as mais difíceis circunstâncias… trata-se de priorizar coisas como a saúde, a assistência social e a educação, acima da guerra e os lucros».

Indubitavelmente, estes sentimentos foram compartilhados pelos reunidos em Havana, que viveram dias intensos de debate e solidariedade com seus pares cubanos.