ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Durante o ato na Cujae foi destacado o desempenho de Correa na frente do Equador. Photo: Jorge Luis González

SANTIAGO DE CUBA .- «Se Martí inspirou a todos nós, Fidel foi um exemplo para a luta revolucionária, não só da América, mas no mundo inteiro», disse o presidente do Equador, Rafael Correa, ao prestar homenagem a ambos os ícones de Cuba, no cemitério de Santa Ifigenia desta cidade.

Depois de assistir à troca da guarda de honra em um lugar tão sagrado, o presidente tornou patente a primeira homenagem ao Apóstolo José Martí, no mausoléu que guarda seus restos mortais, e, em seguida, colocou diante da pedra que contém as cinzas do Comandante-em-chefe uma oferenda de rosas brancas, cravos e lírios, em cuja fita com as cores da bandeira de sua nação dizia «A Fidel Castro Ruz, líder histórico da Revolução cubana».

«Eu acabo de deixar uma rosa branca daquelas que cultivou José Marti ao amigo sincero que me estende sua mão franca», declarou à imprensa. Cuba sempre nos deu a mão honesta. Fidel sempre a estendeu ainda vivente, Raul continua estendendo-a, e Martí desde a eternidade também nos estende a mão, para mostrar-nos o caminho com o seu pensamento ilustre à frente de seu tempo».

Mais tarde, Rafael Correa foi até a sede da Assembleia Municipal do Poder Popular, e ali, no histórico salão da Prefeitura recebeu das mãos do presidente desse corpo, Raúl Fornés Valenciano, o reconhecimento de Filho Ilustre da Cidade, concedido a personalidades nacionais e estrangeiras por seus méritos relevantes.

Em comoventes palavras, Correa expressou a honra que representa esta distinção, que ele recebe em nome de todo o povo equatoriano, acrescentando que diante «da bondade que teve a cidade para me conceder este reconhecimento, devido a nossa assistência depois da passagem do furacão Sandy, não há nada a agradecer. É o Equador e a América Latina os que agradecem sempre a Cuba e a Santiago, por sua solidariedade eterna».

Cenas de indescritível emoção vivida em visita de Correa para famílias beneficiadas com moradia doada por seu país. Photo: Jorge Luis González

Depois da passagem do fenômeno meteorológico, essa nação sul-americana apoiou a reabilitação capital do dormitório da Faculdade das Ciências Médicas nº 1, escola onde se formaram, juntamente, milhares de jovens estrangeiros e do Equador, como profissionais de saúde. Ainda, o Equador enviou 1 600 módulos de coberturas para moradias.

Esse país também doou recursos materiais e contribuiu com uma parte da força de construção, na execução de 560 apartamentos destinados a famílias desabrigadas, construídos mediante a tecnologia Forsa em 28 edifícios de cinco andares, a leste da cidade, no bairro Abel Santa Maria.

Acompanhado do membro do Bureau Político e vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, comandante da Revolução Ramiro Valdes Menendez, bem como das mais altas autoridades do Partido e do governo da província, Lazaro Exposito Canto e Beatrice Johnson Urrutia, o ilustre visitante parou-se no balcão central da antiga Câmara municipal.

A partir desse local, o mesmo em que o Comandante-em-Chefe Fidel Castro proclamou o triunfo da Revolução, em 1º de janeiro de 1959, Correa foi recebido por centenas de santiagueiros concentrados espontaneamente no Parque Céspedes, que esperaram sua saída do recinto para apertar suas mãos ou abraçá-lo.

O novo local a visitar foi o antigo quartel Moncada, atacado pelos jovens da Geração do Centenário, com Fidel na frente, em 26 de julho de 1953, e por mais de uma hora e meia de visita ao museu que recria aquele fato, convertido hoje na Cidade Escola 26 de Julho, teve como guia excepcional um dos participantes principais daquele acontecimento, o comandante Ramiro Valdés.

No ponto culminante de sua visita, o presidente equatoriano recebeu uma calorosa recepção no assentamento residencial onde foram construídas as casas doadas por sua nação. Em ambos os lados das ruas e passeios centenas de homens, mulheres e crianças esperaram ansiosas para tornar patente a gratidão pelo gesto nobre.

NINGUÉM VAI PARAR A REVOLUÇÃO CIDADÃ

HAVANA.— «O povo equatoriano não vai deixar perder tudo o que foi alcançado nestes dez anos de Revolução Cidadã», disse na quinta-feira, 4 de maio, Rafael Correa, que está em uma visita oficial a Cuba.

Durante a noite cultural com a comunidade equatoriana em Cuba, realizada na Universidade Tecnológica de Havana (Cujae), Correa chamou os jovens de seu país a transformar a sociedade, porque eles são a esperança de que a Revolução Cidadã não possa ser parada por ninguém.

Na função de gala, que também teve a participação do primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel Diaz-Canel Bermudez, e o chanceler equatoriano Guillaume Long, Correa destacou o exemplo de resistência do povo cubano e afirmou que em Cuba «há ciência mas também há consciência».

Referindo-se às eleições mais recentes, que foram ganhas por Lenín Moreno, Correa explicou que na segunda rodada a oposição toda se uniu contra Aliança País. Isto, combinado com uma recessão, terremotos, a queda das exportações e não ter sua própria moeda nos fez enfrentar umas eleições ‘duras’».

Apesar disso — precisou o presidente — conseguimos ganhar tudo o que se poderia ganhar: Presidência, Assembleia Nacional e o Parlamento Andino.

A boa notícia é que já saímos da recessão, embora a imprensa da direita não o queira reconhecer e esteja engajada em culpar-nos até dos desastres naturais. «Nosso principal adversário não tem sido a partidocracia, mas sim seus meios de comunicação», disse.

A burguesia usa todos os dias no Equador ou na Venezuela suas armas de destruição em massa, através da mídia que manipula a verdade.

Durante a noite, o presidente foi premiado com o Selo de Cujae, em reconhecimento ao seu exemplo revolucionário, no sentido que nos deu o Comandante-em-chefe em seu conceito de Revolução.

O embaixador do Equador em Cuba, Fabián Solano continuou destacando as realizações de Correa e sua Revolução Cidadã: aplicou mudanças na educação, com as escolas do milênio e os sistemas de bolsas de estudo, reduziu o desemprego e fechou a base militar de Manta.

Acerca dos processos de integração regional, o embaixador disse que seu país, com Correa na frente, teve um papel de liderança ao lado de Hugo Chávez e outros líderes latino-americanos.

Representando os equatorianos que vivem em Cuba, Harry Balda disse que aqueles que tiveram o privilégio de viver a Revolução Cidadã sentem uma nova pátria. Acrescentou que, apesar das campanhas contra, o processo progressista em meu país mostrou que um mundo melhor é possível.

«A revolução não vai recuar. Há milhões de pessoas gratas, que conhecem o antes e o depois da Revolução, o antes e o depois de Rafael Correa», disse.

Por sua vez, a reitora da Cujae, Alicia Alonso, disse que é encorajador receber Correa, que ganhou o respeito e carinho do povo cubano.

A reitora explicou que existem atualmente 18 acordos entre a Cujae e várias universidades do país sul-americano. Também se graduaram 56 equatorianos do pré-grau e 19 mestrados ou doutoramentos em sua instituição.

Hoje, 5 de maio, o distinto visitante ministrará uma aula magistral na Universidade de Havana, uma instituição que lhe vai conceder o título de Doutor Honoris Causa.

Correa também vai manter conversações oficiais com a general-de-exército Raúl Castro Ruz, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.