ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O vice-diretor-geral, Adolfo Álvarez Pérez, assevera que o Inhem participa de quase todos os temas de principal prioridade da sociedade cubana. Foto: Mayda Medina

A instituição cubana responsável por zelar pelo desenvolvimento da higiene, a epidemiologia, a microbiologia, a nutrição e a segurança alimentar, comemora seu 115º aniversário ao serviço da saúde da população cubana, com uma projeção de trabalho que privilegia o desenvolvimento das pesquisas, as aulas de pós-graduação e os conhecimentos científico-técnicos.

O atual Instituto Nacional de Higiene, Epidemiologoa e Microbiologia (Inhem) surgiu do Laboratório da Ilha de Cuba, fundado em 17 de maio de 1902, na zona do porto de Havana. Em dezembro desse mesmo ano, foi denominado Laboratório Nacional, mas, em 1944, virou Instituto Nacional de Higiene e foi deslocado para a avenida Infanta, em Havana, lugar onde hoje se localiza.

Após triunfar a Revolução, em 1959, foram atribuídas à entidade novas e complexas missões até que, em 1969, ganhou funções sociais específicas, tornando-se ponto de referência para a criação de outros centros científicos vinculados. O Inhem é adstrito ao Ministério da Saúde Pública (Minsap) e foi certificado por este como Centro de Pós-graduação, e pelo Ministério de Ciência Tecnológia e Meio Ambiente (Citma) como Centro de Pesquisas.

Há duas décadas, possui a categoria de instituição patrocinadora da Academia das Ciências de Cuba e faz parte da Rede de Formação Ambiental para a América Latina e o Caribe, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Em 1996, recebeu a condição do Centro Colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS) no setor da Saúde da Habitação.

O vice-diretor-geral e mestre em Ciências Adolfo Álvarez Pérez, explicou ao semanário Granma Internacional as funções do centro: Desenvolver pesquisas relacionadas com as ciências médicas, coordenar o prograna nacional de pesquisas em temas importantes de saúde e ministrar programas de pós-graduação.

O vice-diretor do Inhem acrescentou outras funções, encaminhadas a oferecer serviços de alto valor agregado, nos ramos da microbiologia e a química sanitária, bem como bioquímica e fisiologia. Indicou que os trabalhadores participam da realização de assessorias ao Minsap para o enfrentamento a situações epidemiológicas na capital e nas províncias do país.

O centro de informação deste instituto de pequisadores oferece serviços para estes e outros profissionais especializados nos ramos médicos da nutrição, a microbiologia e a epidemiologia. Foto: Mayda Midina

O centro tem um papel importante no estudo dos fatores de risco das doenças crônicas não transmissíveis, o controle do meio ambiente e os estudos de avaliação de risco, incluídos os relacionados com a poluição sonora e atmosférica, os campos eletromagnéticos e outros.

O instituto assume a responsabilidade vital pela regulamentação sanitária. Todos os produtos e serviços de consumo humano (exceto os medicamentos) que se pretende comercializar no país têm a obrigação de ser avaliados, certificados e registrados pelo comitê de especialistas. Sem este documento é proibida sua venda na rede comercial, o qual, sem dúvida, é uma garantia para a segurança do consumidor.

FUTURO CIENTÍFICO

A partir do ano 2010, fazendo parte das transformações necessárias iniciadas no seio do Sistema Nacional de Saúde e o processo de reorganização das entidades científicas, ordenou-se uma fusão entre o Instituto de Nutrição e Higiene dos Alimentos (INHA) e o Instituto Nacional de Epidemiologia e Microbiologia (Inhem), com o propósito de reduzir as estruturas organizativas e os aparelhos administrativos e econômicos, aproveitar melhor os recursos tecnológicos e incrementar a capacidade e a contribuição científica. Este processo concluiu em 2015.

Segundo o entrevistado, atualmente o Inhem possui um Centro de Nutrição e Higiene dos Alimentos e um Centro de Epidemiologia e Saúde Ambiental, aliás, uma vice-direção responsável pela docência, as pesquisas, a informação científico-técnica e a informática. Possui, também, departamentos de laboratório e registro sanitário, respectivamente e uma área de logística administrativa e financeira, estruturada em uma vice-direção administrativa e um departamento de Economia.

Atualmente, trabalham no centro aproximadamente 300 trabalhadores. Deles, 109 possuem a categoria de pesquisadores e 83 a de professores. Há 93 masters e 14 doutores em ciências. A maioria dos médicos que trabalha no Inhem é especialista de segundo grau e muitos deles possuem mais de uma especialidade.

Instituto Nacional de Higiene, Epidemiologia e Microbiologia (Inhem), localizado na rua Infanta nº 1158, entre Llinás e Clavel, Centro Habana, Havana. Foto: Mayda Medina

Na instituição ministram-se uma especialidade, dois mestrados, quatro diplomados e mais de vinte cursos de curta duração. Nestes últimos 20 anos se graduaram 243 mestres da saúde ambiental e 228 em nutrição e saúde pública. Graduaram-se 141 especialistas em Higiene e Epidemiologia, os quais oferecem serviços nos diferentes níveis de atendimento médico do país. Conseguiu-se que quase 80% dos pesquisadores detenham a categoria de professores e muitos atinjam a categoria de doutores em ciências.

Atualmente, estão concentrados em um programa de reconstrução institucional e a introdução de novos equipamentos. Reconstruíram o prédio central, fundado há quase um século e resgataram o laboratório de microbiologia, para torná-lo um lugar que responda aos requerimentos e regulamentações internacionais. Logo, será preciso concluir o processo de certificação da qualidade nesse e outros ramos.

Também se incrementou o número de salas de aulas e se trabalha em dois novos laboratórios que devem ser concluídos finalizando o ano. Isso permitirá aumentar os serviços científico-técnicos que se oferecerão, para responder aos diversos conflitos epidemiológicos ou necessidades próprias das pesquisas.

VÍNCULO COM INSTITUIÇÕES INTERNACIONAIS SEMELHANTES

Conheceu-se através do vice-diretor que, historicamente, o centro manteve vínculos científicos com instituições internacionais do mesmo ramo. Mencionou a Universidade de Nottingham, do Reino Unido e o Instituto de Medicina Tropical da Bélgica. Asseverou que foram assinados importantes acordos de colaboração com a Escola Nacional de Saúde Pública, da Fundação Osvaldo Cruz, do Rio de Janeiro, no Brasil.

Adolfo Álvarez Pérez referiu-se ao desenvolvimento de outro grupo de projetos que se aplicam com o patrocínio da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Programa Mundial de Alimentos (PMA), a organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e o PNUD.

Estas pesquisas científicas estão norteadas a solucionar os principais problemas sanitários cubanos como: a mortalidade por doenças crônicas não transmissíveis, cumprir o programa materno-infantil; os conflitos e eventos epidemiológicos fundamentais e as pesquisas sociais. Nestas últimas com ênfase no papel da família, tema que propiciou a constituição da Rede Cubana de Determinantes da Saúde.

Assinalou que neste momento, o centro enfrenta um grupo de desafios relacionados com a aplicação das sondagens nacionais de consumo de alimentos e de saúde; a elaboração de guias de boas práticas nutricionais e a padronização de protocolos e métodos efetivos para examinar e responder problemas concretos, incluídos a organização dos serviços sanitários.

A SOCIEDADE CUBANA, CLIENTE PRINCIPAL

«O instituto participa de quase todos os temas prioritários da sociedade cubana e mantém uma liderança científica tanto na Ilha quanto no estrangeiro.

«Estamos organizando um grupo de trabalho para adotar políticas públicas, integrando todos os organismos líderes e lançando mão de múltiplos setores», asseverou Álvarez Pérez.

Um critério semelhante é dado pela pesquisadora titular Santa Jiménez Acosta, com mais de 30 anos de trabalho ininterrupto no instituto. Ela assevera que viu como foram aplicados os resultados de suas pesquisas. «Nos altos escalões de direção do país são examinadas nossas propostas e eu posso dizer, por exemplo, a medida tomada para fortalecer a farinha de trigo com vitaminas e elementos minerais, utilizada na elaboração de pães e bolachas. Igualmente aconteceu com as compotas para crianças e os suplementos nutricionais para as mu-lheres grávidas».    

Na década dos anos 70 do século passado, ela e sua equipe pesquisaram acerca da despesa de energia nos cortadores de cana de alta produtividade para melhorar seu regime alimentar, necessário para seu desempenho físico, depois espalharam suas pesquisas aos construtores e trabalhadores das florestas. Posteriormente, estudaram o hábito alimentar da população cubana, com ênfase nos grupos vulneráveis, como idosos e crianças.

Neste instante, elaboram-se planos nutricionais para as crianças de dois anos de idade, baseados nas indicações propostas pela Conferência Internacional sobre Nutrição, efetuada em 2014. Nesse evento, os organismos internacionais enfatizaram na importância de ter em cada país um método educativo para divulgar uma alimentação sadia.

Jiménez Acosta assevera que «embora tenha visto aplicadas muitas pesquisas penso que se deve continuar trabalhando em estreitar os vínculos entre os sucessos científicos e a prática social. Eu considero que nosso governo foi muito respeitoso e preocupado na aplicação de ações que dependem dos resultados das ciências».

Concorda com isso a técnica Ailén Camejo Jardines, trabalhadora do departamento de Laboratórios Sanitários. Ela é responsável pela realização das análises microbiológicas nos alimentos (carnes, enchidos, vegetais, enlatados, cereais e lacticínios), com o objetivo de determinar a inexistência de microorganismos e avaliá-los como aptos para o consumo humano.

A licenciada Camejo Jardines, começou sua experiência de trabalho no Inhem, em 2005, após graduar-se de uma carreira de nível médio; posteriormente entrou na Universidade para realizar estudos de Tecnologia da Saúde e atualmente faz o mestrado em Microbiologia Clínica, onde defende a tese da Susceptibilidade na Microbiologia para a salmonella. Assevera que teve muito apoio do Inhem para sua realização profissional.

Por seu lado a licenciada Emilyen Benítez Mas, ligada ao setor da comunicação social, explicou que está trabalhando no tema das relações comunicativas institucionais e nas campanhas de promoção e de prevenção da saúde, a partir de pesquisas desenvolvidas pela entidade.

Atualmente, participa de um estudo acerca da elaboração dos guias para mulheres grávidas e mães que não podem realizar o aleitamento matermo. Ela destacou: «Tenho muitas espectativas no centro porque devo superar-me e, ao mesmo tempo, desenvolvo temas de importância. Participei da Feira Internacional ‘Saúde para Todos’, da Convenção da Saúde; ambas efetuadas em 2015; do Fórum Internacional de Higiene e Epidemiologia; do Congresso de Promoção da Saúde, e atualmente organizo as atividades pela comemoração do 115º aniversário da institução».

Para os trabalhadores, o centro oferece uma dimensão social extraordinária, por suas funções e resultados científicos, mas principalmente, porque tem a missão de alertar os dirigentes do sistema de Saúde acerca das políticas sanitárias que se aplicam para contribuir para a sustentabilidade epidemiológica do país, com o uso racional dos recursos. Eles manifestam um empenho comum por contribuir à sociedade, promovendo a saúde com todos e para o bem de todos.