ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Entre os conselhos que dá Rina Peñalver às novas gerações é que saibam avaliar o desejo de ter conhecimento para colocá-lo ao serviço social. Foto: Alberto Borrego

A Associação de Pedagogos de Cuba reconheceu o trabalho da professora Rina que durante 50 anos de experiência dedicou sua vida à obra da Revolução

SÓ pude conseguir 15 minutos de seu tempo e nem sequer foi na data que eu previ, mas sim um dia depois.

Suas múltiplas responsabilidades como coordenadora da zona 75, dos Comitês de Defesa da Revolução (CDRs), as assembleias de prestação de contas entre vereadores e eleitores, a militância no Partido e o trabalho como professora de História em um instituto pré-universitário convertem Rina Peñalver — também colaboradora internacionalista — em uma mulher de muito trabalho, apesar de ter a venerável idade de 90 anos.

A vida de Rina esteve indissoluvelmente ligada aos eventos transcendentais do processo revolucionário do povo cubano, nos quais ela foi uma protagonista fervente.

«A partir do surgimento dos CDRs, em minha casa tornamo-nos fundadores dessa grande organização, que teve sua primeira sede ao lado do que hoje é o Museu da Revolução». Fidel fez o apelo: ‘Vamos montar em cada quarteirão um sistema de vigilância’. «A partir dessa etapa eu estou neste sistema de vigilância, primeiramente como fundadora a partir do ano 1993 sou a coordenadora».

«Quando viajei a Angola fui substituída porque era a ideológica. Após voltar, retomei os trabalhos com os CDRs. Este trabalho é importante porque tem a comunicação social para analisar os problemas», assevera com absoluta convicção.

A PROFESSORA SUBSTITUTA

Em 1950, Rina começou a ministrar aulas, pois essa era a oportunidade que tinha para se encaminhar e arranjar um emprego. Contudo, as salas de aulas não eram seu sonho profissional.

Rina González Peñalver (à direita) recebeu o prêmio nacional Consagração ao Magistério, por seu trabalho de mérito nas salas de aulas. Foto: Cortesia da Associação de pedagogos de Cuba

«Não tinha essa vocação realmente, mas depois de me inserir nela fui desenvolvendo o interesse. Comecei como professora substituta no município La Habana Vieja. Fui mostrando interesse nos problemas fundamentais do magistério e chamaram minha atenção as dificuldades sociais, a forma em que viviam as crianças, as condições precárias das escolas públicas».  

«Depois, continuei os estudos. Conheci os inconvenientes das diferenças sociais e dos sistemas econômicos e políticos. Nisso sempre reconheço que tive o apoio de nosso Comandante-em-chefe Fidel. Eu digo que ele me ensinou a pensar porque não tinha vocação política. Ganhei a vocação enfrentando os problemas dos rapazes».

Antes de triunfar a Revolução trabalhou como professora substituta, em bairros muito pobres da capital, viu crianças descalças, foi testemunha das injustiças que acarretam as diferenças sociais e as desigualdades econômicas.

Em sua extensa trajetória como docente Rina ministrou várias matérias nos diferentes níveis de ensino, desde múltiplas disciplinas nas escolas primárias até Geografia, História, Cultura Política, História Contemporânea e finalmente História da América, que ministra neste ano letivo.

«É uma matéria muito interessante porque abrange desde a época da chegada dos espanhóis e os ingleses a estas terras até a atual situação que temos na América Latina, região onde percebemos que o império não é capaz de ceder o poder facilmente. É um tema que desenvolve a inteligência», assinala.

Em nossa conversa Rina faz constante referência aos estudantes e o modo em que pensa organizar o conteúdo que deve ministrar nas aulas posteriores: «Digo aos estudantes: o custo do jornal é de 0.20 centavos e vocês obtêm a literatura mais barata. Podem consultar outras fontes, mas eu necessito que as examinem e as valorizem».

Outro tema frequente em suas aulas é a guerra econômica dos Estados Unidos contra Cuba. «É preciso estudar bem o tema do bloqueio, porque muitas pessoas não sabem a situação que gera. A esse respeito eu sempre falo com meus alunos. Temos que insistir nas afetações que nos produz já que não permite nosso desenvolvimento, apesar de todos os esforços que se realizam».

A JUSTA COLOCAÇÃO DOS VALORES

Em sua longa experiência no ensino, Rina Peñalver aprendeu que transmitir valores às novas gerações não é coisa de um dia.

«Eles não nascem com valores, há potencialidades que vamos desenvolvendo: a valentia, não disfarçar a verdade, saber o que é correto e o incorreto. Luz y Caballero nos ensinou isso precisamente»:

«O que é o incorreto e que é o correto? Porém, isso é ganho pelas experiências adquiridas».

A sabedoria que Rina acumulou em mais de cinquenta anos perante as salas de aulas a transmite sem hesitar aos jovens que hoje se preparam como professores e aos pais que têm filhos adolescentes:

«O magistério não se pode vincular com o interesse econômico. Dessa forma não dá. Para ser professor não se pode olhar o salário. Em minha etapa inicial só pagavam oito pesos por mês por ser substituto. O professor tem que sentir amor».

«O problema não que é um aluno consiga tirar 100 pontos, mas sim a qualificação que corresponda com a atitude que ele tenha perante a vida, que saiba valorizar o desejo de ter conhecimento, mas não obtê-los para o ganho pessoal, mas sim para o bem social e do homem».

PRÊMIO À CONSAGRAÇÃO

Neste ano, a Associação de Pedagogos de Cuba concedeu a Rina González Peñalver o prêmio nacional Consagração ao Magistério. Apesar da distinção por uma vida consagrada às aulas, a homenageada não dá mostras de se vangloriar, mais bem deixa ver sua modéstia e gratidão.

«Por ocasiões, existem pessoas e professores que se assemelham a mim. Não é que eu seja perfeita. Sou uma cidadã normal que ama sua profissão. Essa é minha vida. O prêmio outorgado foi um prazer e alegria para mim, mas não o vi com vaidade, mas sim como algo normal, porque esse é meu traba-lho: o magistério».  

Conhecendo que um professor nunca fez tudo, a distinta pedagoga pensa como solucionar os problemas que ainda existem no setor e aposta em estudar as efemérides com os estudantes, ler a imprensa para se informar e saber o que acontece na atualidade.

Dessa forma, conclui a conversa com a pedagoga que não dá mostras de esgotamento nem autocomplacência. Pronta para escrever estas linhas, seguramente, Rina volta aos seus trabalhos, aos quais tem dedicado seus anos, desde o ano 1950, sendo só uma jovem.