ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Pôster da recém-concluída Semana do Design, que teve como sede o Centro Hispano-americano de Cultura em Havana.

COM a convocatória à Bienal do Design de Havana 2019: ‘Desenhar além da forma’, foi encerrada, na capital cubana, a 14ª Semana do Design. O espaço, com um amplo programa onde tiveram lugar debates, palestras, exposições e desfiles de modas, também foi palco para a entrega dos Prêmios de Gestão de Design 2017 à empresa mista Suchel Camacho S.A., de sua versão de honra à fundadora da Associação de Publicitários e agentes de Propaganda de Cuba, Mirta Muñiz e do Prêmio Nacional de Design 2017 a Carlos Alberto Masvidal Saavedra.

O evento serviu, ainda, para conhecer acerca do trabalho atual do Gabinete Nacional de Design Industrial (ONDI) que promove o design cubano a partir de sua criação. Para isso, de-senvolve diferentes espaços, entre os que se destacam as Semanas do Design e a Bienal, uma ideia que começará sua segunda edição em 2019.

Além do trabalho de promoção, a instituição possui diferentes áreas técnicas: a Direção de Desenvolvimento, de Avaliação e a de Registro e Desenvolvimento Profissional.

PROJETOS DA ONDI

Vários são os projetos que se desdobram na Direção de Desenvolvimento do Gabinete Nacional de Design. Segundo comentou seu diretor, Boris Luis León Valdivia, o departamento é o responsável por dar resposta às diferentes solicitações que chegam com caráter governamental ou projetos que podem ser fruto da colaboração com outras instituições.

«O mais ambicioso que existe neste momento tem a ver com o próprio Gabinete. Trata-se de um processo de empreendimentos daquilo que será a futura sede do ONDI».

«É o maior desafio que tem a maioria dos profissionais. Os esforços estão norteados ao design dos seus espaços, o apoio a todas as soluções tecnológicas e tudo aquilo de que se requer para conseguir uma funcionalidade desta nova sede que, também, ofereça uma visão a partir do design», assevera León.

Dois projetos sociais se destacam, ainda, no trabalho do Gabinete de Direção de Desenvolvimento. O primeiro deles relacionado com o hospital Pando Ferrer ou La Ceguera como é mais conhecido no país todo.

O trabalho abrange desde a elaboração de uma imagem para o hospital até várias obras que trariam melhor funcionalidade para o prédio. Para isso, estão sendo elaborados elementos de comunicação visual, mostrando sempre um conceito de design que esteja relacionado com as características deste centro médico.

«Instalaremos sinais, imagens e pôsteres que permitam ao paciente conhecer e orientar-se da melhor forma possível. Lembremos que este é um hospital para pessoas com problemas visuais e por isso o desafio é criar imagens com proporções que não sejam as mais frequentes ou contrastes inusuais».

«Fez-se um estudo interessante, junto da parte clínica, acerca das cores e dimensões ,para que realmente exista uma correspondência entre o design e o tipo de serviço oferecido no Pando Ferrer», acrescenta Boris León.

O segundo projeto é focalizado nos idosos. Trata-se de uma pesquisa que vai gerar, daqui em diante, projetos de design. Faz-se em parceria com a Sociedade de Gerontologia, em coordenação com o Centro Ibero-latino-americano para os Idosos (Cited) e se estabelecem parcerias, também, com outros centros como, por exemplo, a Universidade Tecnológica de Havana, José Antonio Echeverría, conhecida como a Cujae.

O diretor de Desenvolvimento, Boris León explica que «desta vez, a função do Gabinete é traçar estratégias e poder dizer a terceiros onde estarão as necessidades futuras, nesse caso referindo-nos ao tema do envelhecimento da população. Poder falar de mobília, do tipo de imagens, de mensagens, não só para os idosos, mas também para as pessoas que tomam conta deles».

Com seis designers, dois arquitetos e um trabalho no qual participam, também, estudantes do Instituto Superior de Design (ISDI), a Direção de Desenvolvimento procura assessorar as entidades e guiá-las no que respeita a tudo o que é possível fazer, caso incluirmos o design.

«A intenção é que as pessoas vejam o lado estratégico e que as entidades possam gerir o design com a Universidade e com grupos de profissionais deste setor. Queremos criar um esquema de trabalho que contribua estrategicamente para os ambientes, as repartições, os produtos... que esteja presente diariamente», acrescenta Boris León.

DIREÇÃO DE REGISTRO E DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL

A Direção de Registro e Desenvolvimento Profissional surgiu em 2013. É a mais recente das direções e seu objetivo é propiciar que as pessoas que tenham a possibilidade de desenvolver a atividade de design o façam no país, sem nenhum obstáculo.

Neste sentido procura também potencializar o capital profissional que possui atualmente o Registro, bem sejam graduados do ISDI ou não.

A diretora deste ramo, Carmen Gómez Ponce, comenta que atualmente são mais de 2.300 as pessoas registradas. Delas, aproximadamente 50% não são graduados do ISDI, e se demonstra a intenção da Direção de reconhecer, também, o trabalho de todas as pessoas que exercem a profissão.

«Isto se faz através de uma Comissão de Avaliação que examina o dossiê e o currículo do interessado. A partir daí, têm a possibilidade de obter uma certificação que os acredita como pessoas com todas as capacidades e habilidades para desenvolver o design», acrescenta a diretora.

«Outro dos propósitos é potenciar estes profissionais no setor industrial e produtivo do país, esteja onde estiver o design. Trata-se de criar um esquema para o desenvolvimento profissional dessas pessoas, tanto na administração pública, quanto nas empresas, o setor não estatal e outros», alega Gómez Ponce.

A Direção de Registro e Desenvolvimento Profissional tem interesse de conseguir um crescimento na formação e as capacidades dos interessados no design. A ideia procura envolver as pessoas em projetos no quais haja uma troca de conhecimentos e participem aqueles que estejam na indústria, mas que trabalham como tecnólogos, especialistas ou são empí-ricos.

«Gerar informação e ser o ponto de referência para orientar é outro dos objetivos. Falamos de empresários que queiram contratar designers e não saibam como fazê-lo. Nós queremos oferecer-lhes informação e dar-lhes toda a informação de como fazer um contrato de design».

A estrutura da Direção é ainda pequena e começa a encaminhar-se, por isso durante a conversa com sua diretora Carmen Gómez, referiu-se a tudo aquilo que fazem, como se fossem desafios e objetivos por cumprir.

«Hoje, as instituições, sejam estatais ou não, estão destinando orçamentos para desenvolver a atividade do design e neste sentido, estamos trabalhando para que os profissionais que se desenvolvem neste setor tenham um intermediário que os avalie e que, ao mesmo tempo, tenham certeza e satisfação com o serviço que contratam», explica.

DIREÇÃO DE AVALIAÇÃO

A Direção de Avaliação foi uma das primeiras repartições criadas com o surgimento do ONDI. Sua função é avaliar a situação do design em Cuba e orientar o Gabinete e outras organizações acerca do tema.

O trabalho se realiza por solicitações que chegam ou convocatórias que faz o próprio ONDI aos ministérios. Em alguns casos, também são convocados pela Controladoria Geral da República para detectar deficiências em determinada área, respeito ao design de comunicação visual e o design industrial.

«As últimas ações foram no setor não estatal e se avaliaram alguns restaurantes da cidade de Havana. Examinou-se o serviço e também a imagem e o design de comunicação visual destes espaços», arguiu a diretora de Avaliação. Yamilet Pino.

Baseada na 227ª Diretriz da Política Econômica e Social do país que fala acerca da necessidade de contribuir para o desenvolvimento do design no setor empresarial, a Direção de Avaliação trabalha no sentido de mostrar a importância que tem o design a partir do mesmo começo de um projeto.

«A cultura do design no setor empresarial deve ser potencializada ainda mais. Ainda há que visualizar e compreender a necessidade de tudo o que pode beneficiar o design às instituições. O trabalho que faz o ONDI é em função de ver todas as bondades que o design pode trazer para o desenvolvimento econômico, para dar maior valor aos produtos e que estes sejam mais competitivos», assevera Yamilet Pino.

Se bem acrescenta, que há instituições no país como, por exemplo, Brascuba, o Gabinete do Historiador da Cidade e, inclusive, negócios no setor não estatal que utilizam o design, nem todos fazem.

«O design tem que ser funcional e concordar com o contexto para que cumpra seu papel. Um bom design pode dar uma boa imagem, mas também é preciso geri-lo e mantê-lo», acrescenta Yamilet Pino.

Quase na antessala da Bienal de Design de Havana 2019, o Gabinete Nacional de Desenho continua trabalhando para tornar esta especialidade uma ferramenta imprescindível no dia a dia dos cubanos. Desenhar além da forma, é o slogan da próxima edição e o desejo daqueles que sabem que um país mais desenvolvido deve ser, também, um país mais atraente e eficiente.