ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O time UH++ — integrado por Eloy Pérez Torres, Marcelo Fornet Fornés e Ariel Cruz Cruz (de esquerda para direita) e campeão da região do Caribe e da América Latina — representou a Cuba na final mundial do Concurso Universitário de Programação Competitiva da ACM. Photo: Cubadebate

EM 15 de maio passado, os Estados Unidos negaram o visto ao time sUrPRise, da Universidade de Pinar de Río, que devia ter participado da final mundial do Concurso Universitário de Programação Competitiva, da Association for Computing Machinery (ACM), (ACM ICPC, por sua sigla em inglês), realizado no estado norte-americano de Dakota do Sul, desde 20 até 25 deste mês.

O time ausente à 41ª edição do certame era formado por Elio Alejandro Aguilar, Manuel Alejandro Díaz Pérez, José Guerra Carmenate e o engenheiro Luis Manuel Díaz (treinador).

Os estudantes da Universidade de Pinar del Río ficaram privados de demonstrar seu talento no mais alto nível, apesar de ganhar o direito de assistir à competição após conseguir a segunda colocação no concurso regional.

Levando em conta que na história destes eventos nunca se negou a participação em uma final de um time, a direção-geral do ACM ICPC, em nível mundial, esta valorizando a possibilidade de classificar de forma direta o time sUrPRise, ao evento de 2018, que terá sua sede em Pequim, China. Caso obter a licença seria a primeira vez que coisa semelhante acontecer.

CUBA NA PROGRAMAÇÃO COMPETITIVA

O certame internacional universitário de programação competitiva da ACM é o mais prestigiado e antigo de seu tipo, na qual participam jovens do mundo todo.

O certame reúne os maiores talentos deste ramo. Neste ano, Dakota do Sul teve a representação de 44 países de todos os continentes, para pôr em prática seus conhecimentos e inteligência.

Neste evento anual participam milhares de times de universidades, integrados cada um por um treinador e três estudantes de pré-grau, os quais em um tempo de quatro horas devem resolver problemas matemáticos de alta complexidade.

A participação de Cuba nestes certames começou em 2009, então — segundo informou a Universidade de Havana, após conhecer que negaram o visto aos estudantes de Pinar del Río — uma equipe da Ilha esteve, pela primeira vez, na final regional e classificou para o certame mundial, realizado em 2010.

Nos anos posteriores, a Ilha maior das Antilhas se tornou líder na região do Caribe, conseguindo seis meda-lhas de ouro, sete de prata e igual número de bronze nas finais regionais, além de excelentes resultados nos acampamentos caribenhos de treino relacionados com a programação competitiva.  

Esta atuação prestigia o nível acadêmico das universidades cubanas e o potencial dos cientistas jovens que estudam em suas salas de aula. Para a final deste ano Cuba classificou duas equipes: a sUrPRise, da Universidade de Pinar del Río; e a UH++, da Universidade de Havana. Ambos os times conseguiram se classificar em nível provincial, nacional e regional.

MAIS E MAIS UNIVERSIDADE DE HAVANA

Neste ano, pela primeira vez na história da final regional, uma equipe do Caribe teve atuação perfeita, já que resolveu completamente o conjunto de exercícios, para se tornar campeões da região do Caribe e da América La-tina.

Tal mérito é dos membros da equipe UH++, da Universidade de Havana, formado por Marcelo Fornet Fornés, Ariel Cruz Cruz, Eloy Pérez Torres, e o mestre em Ciências Alfredo Somoza Moreno (treinador).

O time UH++ no concurso regional de novembro passado conseguiu a primeira colocação da América Latina e o Caribe, sendo o único em resolver os dez problemas selecionados pelo júri. Este destacado resultado colocou Cuba em primeiro nível em programação competitiva na região.

Marcelo Fornet Fornés, competidor cubano com melhores resultados nas finais caribenhas e estudante de quarto ano de Matemáticas na Universidade de Havana, antes de viajar para os Estados Unidos comentou sobre a decisão da qual foram vítimas os jovens do time sUrPRice.

«Nunca nós esperamos que algo como isso tenha acontecido. Surpreendeu-nos. Penso que chegar até esse nível é um mérito muito grande que conseguiram não só eles, mas também os times de todos os países do mundo e penso que é ruim a medida contra eles, mas fico alegre ao escutar que é possível que sejam recompensados como merecem em 2018».

Por seu lado o professor de Matemática Discreta da UH e treinador do UH++, mestre em Ciências, Alfredo Somoza Moreno, declarou ao semanário Granma Internacional: «É uma pena enorme. É muito triste. Usualmente o movimento ACM ICPC tem relações muito fortes. Eu esperava que funcionasse nesta ocasião, como fez em outros momentos, mas parece que desta vez não pôde ser. Realmente, para mim, resulta estarrecedora a negação do visto ao time todo. Eu acho que esta é a primeira vez».