ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Em 19 de maio, o lutador independentista porto-riquenho obteve a liberdade. Photo: Reuters

OSCAR López Rivera novamente verá de perto o mar, como desejou há muitos anos. Poderá sentar-se na orla costeira, comer feijão-guandu e acariciar a terra de Porto Rico independente como ele sonha. E viajará a Havana, no próximo mês de novembro desde onde verá o mesmo mar caribenho, mas em uma dimensão mais livre.

Dessa forma fez o anuncio o Herói da República Fernando González, presidente do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) no terraço dessa instituição.  

Aproximadamente 200 pessoas reunidas foram testemunhas da ligação telefônica de Fernando ao lutador porto-riquenho.

Irmão, dizia repetidas vezes.

Embora a intermitência da comunicação impedisse escutar, por momentos, as palavras de Oscar do outro lado, o silêncio dominava o meio ao redor.

«Sempre pensava que um dia veríamos você entrar por esta porta... Hoje que estamos festejando sua verdadeira e definitiva liberdade, lembro de nossos anos juntos nos cárceres dos Estados Unidos. Foram os melhores, se é que se pode falar de melhores anos na prisão».

«Poderemos sentar-nos no Malecón (beira-mar) havanês e conversar. O esperamos como nosso irmão», expressou Fernando, uma vez que ratificou a continuidade da causa pela independência, pela qual Oscar se sacrifica».

O irmão, também, agradeceu a solidariedade de Cuba, sempre firme, ao ICAP e ao povo desta Ilha.

«Oscar hoje conseguiu sua liberdade e encontra um caos na colônia, já que pretendem privatizar o ensino superior», disse o representante da missão de Porto Rico em Cuba, Edwin González Vázquez.

«Porém, ele continuará lutando pela descolonização. Essa luta é o partido onde Oscar militará», asseverou.

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Nas imagens que acompanham o site, Oscar, o irmão, vestia de negro, com uma bandeira porto-riquenha na camisa. Sorria, enquanto cumprimentava seus seguidores, antes de subir a um jipe branco. Era escoltado pelo prefeito de San Juan, para um gabinete do governo, onde lhe devia colocar um bracelete eletrônico que vai monitorar seus movimentos.

Fernando González comunicou-se com Oscar López de Havana. Photo: Jorge Luis González

É esse o Oscar que chega a Porto Rico. Havia aproximadamente 50 pessoas nas ruas do bairro Santurce, de San Juan, por onde caminhava ele. Os ali reunidos levavam flores e bandeiras porto-riquenhas. Clamavam: Livre ao fim!

Outro coro, da Universidade de Porto Rico, entoou hinos ao redor do carro que o transportava.

Esse é o Porto Rico que recebe Oscar.

Com uma condenação de 55 anos de prisão, em 1981, disse, naquele momento, que os porto-riquenhos têm o direito de lutar pela independência da Ilha, seja pela forma que for necessária.

Várias agências de imprensa anunciaram que o irmão de Cuba visitará a cidade estadunidense de Chicago, onde morou desde os 15 anos até seu encarceramento.

Nesse lugar, a comunidade latina reco-nhecerá e nomeará com seu nome uma rua, na área de Humboldt Park.

As primeiras imagens que percorreram o mundo, durante estas horas, mostram-no especialmente perto do mar e seus seguidores. Uma foto com o residente da rua 13 serve como sustento, bem como para agradecer a solidariedade que deram à luta por sua liberdade. Isto, claro, só poderá fazê-lo após visitar a terra montanhosa de San Sebastián, onde nasceu e cresceu até sua adolescência.