ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Os doutores Maura Tomasén León e Jorge Tamayo Collado explicam as prioridades da Educação de Jovens e Adultos no ano letivo próximo. Foto: Yuliet Gutiérrez Delgado

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) em Cuba é hoje por hoje uma das que abrange mais tarefas de impacto social. O processo de aperfeiçoamento nas faculdades operário-camponesas, a preparação dos estudantes para os testes vestibulares para o ensino superior, as escolas de idioma, o trabalho nos centros e estabelecimentos penitenciários e o componente investigativo permitem reafirmar quão amplo é o leque deste subsistema de ensino.

Se se fala de cooperação internacional, a EJA transita pela alfabetização, a educação básica, o bacharelado, a capacitação, a superação profissional e a formação acadêmica.

Na opinião do doutor Jorge Tamayo Collado, pesquisador do Centro Pedagógico Latino-americano e Caribenho (Ceplac), estamos vendo uma EJA no século XXI que não é parecida com a do século XX.

«A escola cubana da EJA está passando a ser um paradigma e exemplo para a América Latina e o Caribe —afirma— por isso estamos potenciando-a para fortalecer a colaboração internacional e tudo aquilo relacionado com a cooperação rumo a metas educativas em 2030».

Certamente, pode falar-se de uma nova Educação de Jovens e Adultos, pois a ideia que nasceu em 1962, pouco depois da Campanha de Alfabetização hoje conta com um claustro que fala do seu nível científico: 30 doutores e mais de 3 mil professores que defenderam o mestrado em Ciências da Educação, pessoal altamente qualificado que responde às necessidades, condições, características e objetivos prioritários deste ensino.

Atualmente, esta modalidade tem uma matrícula de 97.784 estudantes e 409 centros ao longo do país, incluídas 82 escolas de idioma.

NOVOS PROGRAMAS DE ESTUDO

Em uma entrevista coletiva oferecida pela Direção Nacional de Educação de Jovens e Adultos, do Ministério da Educação, deu-se a conhecer que no mês de julho próximo deve concluir a elaboração dos programas, planos de estudo, orientações metodológicas e livros de texto de primeiro e segundo semestre para as faculdades operário-camponesas. Setembro será o mês de revisão destes materiais.

«Em outubro de 2017 o plano de estudos da faculdade operário-camponesa de primeiro e segundo semestre será entregado à editora Pueblo y Educación, será revisto pelas subcomissões do Instituto Central das Ciências Pedagógicas e começará a sua reprodução», comenta o doutor Tamayo Collado.

«O estudante receberá o que precisar, aquilo que lhe seja útil para o modelo que se está fazendo no país, a partir da formação de jovens e adultos, sustentada nas Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e na projeção que se tem nos princípios da pedagogia da educação destes grupos etários».

OS IDIOMAS ÀS COMUNIDADES

Há quatro anos, a Educação de Jovens e Adultos ministra nas faculdades operário–camponesas e nas escolas de idiomas cursos de verão para crianças, adolescentes e jovens. Acerca das novidades desta proposta estival, esclarece ao Granma Internacional a doutora Maura Tomasén León, diretora nacional de Educação de Jovens e Adultos:

O país já dispõe de laboratórios em escolas de idiomas, em oito das 15 províncias e se estão fazendo projeções para instalar facilidades desse tipo em mais seis territórios da Ilha, aspecto muito positivo, tanto para os alunos como para os professores. Foto: Alberto Borrego

«Para este ano projetamos abrir os cursos de verão nos três idiomas fundamentais: inglês, francês e português. O novo é que a comunidade pediu que não só seja para crianças, adolescentes e jovens. Está sendo encaminhada uma gestão, por parte dos presidentes dos conselhos populares, para levar estas propostas à comunidade.

«O impacto foi muito positivo. Ainda, estamos expandindo o projeto, para que os cursos de capacitação aos docentes também se mantenham durante o verão. Todos os professores que queiram aprender inglês, francês e português no nível básico podem fazê-lo e de maneira gratuita como parte de sua superação».

Geralmente, os colaboradores que vão cumprir alguma missão ao estrangeiro (médicos, sobretudo) matriculam nas escolas de idioma que a EJA tem em todos os municípios do país, como mostra do vínculo com profissionais de outros setores.

Desde o ano 2015 até à data, o total de escolas deste tipo aumentou de 43 para 82, além das salas de aulas anexas às faculdades operário-camponesas.

«De una escola de idiomas que tínhamos nas províncias no município mais importante, hoje em cada território há de três a cinco tendo em conta, também, as aulas anexas», garante a doutora Tomasén León.

«A partir do ano letivo 2015-2016 surgiu a possibilidade de instalar laboratórios nas escolas de idioma. Hoje, temos oito províncias com laboratórios e já se está fazendo a projeção para instalar em mais seis, aspecto que foi muito positivo, tanto para os alunos como para os professores.

«Pomos ênfase nos cursos de capacitação e na preparação das crianças, adolescentes e jovens nos cursos comunitários para desenvolver habilidades em francês, inglês e português».

O QUE NÃO PODE FALTAR

Como todos os níveis de ensino do país, a Educação de Jovens e Adultos também definiu suas prioridades para o ano letivo vin-douro.

O trabalho político-ideológico para o fortalecimento da consciência revolucionária, particularmente no pensamento e a obra de José Martí e Fidel Castro Ruz assumem importância capital no vindouro período letivo.

Outra prioridade é a preparação metodológica para elevar a qualidade das aulas, bem como o trabalho com pessoas iletradas e subescolarizadas. Da mesma forma, constituem eixos temáticos continuar o cronograma do aperfeiçoamento do sistema nacional de ensino e aprofundar no design dos programas das disciplinas, das orientações metodológicas e do livro de texto.