ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

COMO usar a tecnologia para alcançar uma sociedade melhor? Como educar em função do seu aproveitamento? Como tornar os cidadãos no centro de uma sociedade digital?

Esta e outras questões serão discutidas no evento Cibersociedade 2017, da União dos Informáticos de Cuba (UIC), que acontecerá de 16 a 20 de outubro, no Hotel Meliá Marina, de Varadero.

A União dos Informáticos de Cuba nasceu há pouco mais de um ano para reunir os profissionais cubanos de Tecnologia da Informação e das Comunicações (TICs). Seus objetivos acadêmicos, científicos e culturais buscam promover sua participação ativa e eficaz no desenvolvimento do país.

Para saber mais sobre as intenções deste evento, o Granma Internacional falou com a doutora em Ciências Técnicas Ailyn Febles Estrada, presidenta da UIC.

Segundo ela conta, a ideia começou tendo como meta no horizonte o ano 2030 e se perguntando como poderia mudar a vida dos cubanos com a tecnologia. A partir dessa ambição propuseram-se criar um evento internacional próprio da União dos Informáticos.

«Foi organizado um sistema de trabalho. Decidimos criar eventos em todo o país, em cada dois anos, que contribuam com ideias e temas para este espaço internacional de socialização. E desta forma poder trazer a tecnologia às áreas de impacto e repercussão na sociedade», diz Febles.

A doutora em Ciências Técnicas Ailyn Febles Estrada, presidenta da União de Informáticos de Cuba (UIC). Photo: Ladyrene Pérez Pérez

Construir o conceito de Cibersociedade faz parte do projeto da UIC para ajudar o país tecnologicamente. Há duas intenções: contribuir para o cumprimento do Plano de Desenvolvimento Econômico para o ano 2030 e para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para esse ano.

TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS NO EVENTO

As áreas temáticas buscam vincular tendências tecnológicas aos eixos estratégicos para o desenvolvimento. Será possível discutir de computação em nuvem, big data, inteligência artificial, Internet das coisas, realidade aumentada e outros conceitos ligados a setores como governo, indústria, infraestrutura, desenvolvimento humano e outros.

Nesta matriz, que põe a conversar áreas de impacto e tecnologia serão desenvolvidas diferentes sessões científicas com apresentações nacionais e internacionais.

«Até agora, temos previstas três conferências nacionais. As tecnologias da informação e das comunicações na indústria, que nos vai atualizar sobre estas questões, e estará a cargo do Ministério das Indústrias».

«Uma palestra do ministro do Ensino Superior, José Ramón Saborido sobre o uso das tecnologias na educação; e outra do Ministério das Comunicações sobre a política de informatização e seu impacto sobre os Objetivos de Desenvolvimento até o ano 2030 e o Plano Econômico do país», diz Ailyn Febles.

O que vai acontecer no Cibersociedade?

«O evento terá, além das sessões científicas, uma feira de soluções, na qual será entregue o prêmio à Melhor Solução Inovadora. O projeto pode ser enviado diretamente à competição ou também pode ser escolhido entre os apresentados na feira».

«Vai ter sessões por dois dias e tem como fim apresentar propostas de aplicações concluídas que estão sendo utilizadas no país para a sua informatização», acrescenta Febles.

O desenvolvimento de aplicações informáticas para resolver diferentes problemas empresariais ou da sociedade é um dos objetivos do processo de informatização. Photo: Miguel Febles Hernández

Também foi convocado o primeiro Encontro de Associações Profissionais e da Informática. Vão participar deste espaço organizações cubanas como UIC, a Sociedade de Informática e Computação, a Sociedade da Informática para Medicina e outras.

«Também convocamos organizações similares da Ibero-américa. Já confirmou sua participação a Associação de Técnicos e Informáticos da Espanha a da Argentina, Uruguai e a do México», acrescentou a presidenta da UIC.

O primeiro fórum de tecnologias da sociedade civil será outra atividade. Nele serão abordados, a partir de painéis, mesas e outros espaços de debate, questões de interesse que envolvem todos os atores da sociedade.

«A academia, a indústria, o governo, os trabalhadores não estatais, todos serão convidados para resolver um problema, trocar ideias e buscar soluções», garante Ailyn.

Durante os dias do evento também haverá palestras, uma competição de programação, concursos e atividades de participação.

«Queremos que o lugar e a atmosfera do evento sejam parecidos com os participantes e os profissionais da indústria que estarão compartilhando com a gente esses dias», comenta Febles.

A CIBERSOCIEDADE

Ailyn Febles garante que as tecnologias são transversais e indispensáveis.

«Eles são as que garantem a velocidade das aplicações de todas as medidas que acabam de ser aprovadas no Plano de Desenvolvimento para o ano 2030 e que permitirão cumprir os objetivos do Plano de Desenvolvimento Sustentável. Elas irão fornecer a transparência no cumprimento das metas a serem alcançadas», acrescenta.

«Com a tecnologia, podemos ter um governo mais próximo das pessoas, mais transparente. Ter mais informações. O cidadão pode se tornar um ente ativo e transformador em sua comunidade, no seu espaço de trabalho. É muito importante, ainda, que todos aprendam a usar a tecnologia corretamente».

«A Cibersociedade quer transmitir que uma boa sociedade sabe como usar a tecnologia. Nela, o ser humano é o centro e deve se beneficiar de serviços, informação, conteúdo: tudo o que seja útil para se tornar um elemento econômico que, por sua vez, seja útil à sociedade», explica Ailyn Febles.

Desde a sua fundação, a União dos Informáticos de Cuba visitou lugares do país onde pode haver uma solução, quer seja de laboratório ou implementada em pequena escala. Não importa quem a tenha alcançado: um trabalhador não estatal, uma megaempresa de desenvolvimento de software ou qualquer outra que se dedique a produzir. Fez isso para poder documentar, expor e mostrar tudo aquilo que é feito no país associado com a informatização.

Portanto, transmitir a ideia de que as tecnologias não são nem boas nem más, mas elas existem e temos de ser capazes de usá-las bem, é um dos objetivos perseguidos neste, seu primeiro evento internacional.

VAMOS SONHAR E AGIR

Apostar e dar valor a tudo aquilo feito em Cuba relacionado à tecnologia e criar uma cultura sobre a sua utilização adequada, por e para os seres humanos, é essencial para alcançar um país próspero e sustentável.

O Cibersociedade 2017 está cheio de objetivos. «O primeiro é convocar dentro do país todo aquele que tiver uma solução implementada. O segundo é encontrar tudo aquilo que se esteja fazendo, no âmbito da ciência, o que está funcionando cientificamente, tudo aquilo que possa ter um resultado que enfatize nas questões da tecnologia.

«Procuramos gerar um intercâmbio entre especialistas estrangeiros e nacionais, e que seja alcançada uma aprendizagem coletiva. Por outro lado, queremos promover a missão proposta pela União de Informáticos de Cuba. Procuramos ser uma plataforma que consiga inserir em seus eventos, atividades e cenários o setor não estatal, a academia, a indústria e todos aqueles que desejam juntar-se para discutir questões que podem ser úteis para o desenvolvimento nacional», explica.

Sob o slogan ‘Vamos sonhar e agir’, a União dos Informáticos de Cuba realizou seu primeiro evento internacional. Conseguir uma ampla participação será uma conquista para esta jovem organização. No entanto, que seja um evento de sucesso só depende para os organizadores do fato de que todo aquele que participar tenha aprendido alguma coisa.