ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Cuba conta com o Programa de Atendimento Materno–Infantil e dedica vultosos recursos à proteção e segurança da mãe e da criança. Foto: Yudy Castro

SUAS amigas já estudavam no segundo ano do bacharelado quando a voltaram a ver. «Ainda bem que você retornou!» Essas foram as palavras da única delas que se aproximou para dar-lhe as boas-vindas em nome de todas, e depois do sorriso e sem reclamar nada retornou para onde estavam as outras colegas da turma.

A recém-chegada perdeu dois anos de seus estudos por causa de uma gravidez que a surpreendeu com apenas 14 anos. Depois das mudanças registradas em sua vida, resolveu terminar o ensino secundário. Hoje é uma mulher de 39 anos e o mais velho dos filhos tem 25.

«É teu irmão? Não, é meu filho». Dessa forma, concluiu o diálogo. Minutos depois a jovem mamãe subiu ao ônibus que esperava e aqueles que assistiram ao diálogo não puderam conter-se e externaram comentários de espanto pela curta idade da mãe.

Distantes em tempo e espaço, estas anedotas são apenas uma mostra das histórias de mães adolescentes, um fenômeno que — segundo as estatísticas— se recusa a desaparecer.

A idade em que as mulheres têm seus filhos não se mede pelas vivências pessoais nem pela leitura fora de contexto dos dados de população. A análise é mais complexa.

«A fecundidade cubana é e sempre foi precoce — afirma a doutora Grisell Rodríguez, do Centro de Estudos Demográficos —. A maioria dos nascimentos registra-se entre os 20 e os 24 anos e uma porcentagem elevada (quase 68%) ocorre entre os 20 e os 29.

«Onde está o problema? Na participação das adolescentes. Se bem não é a taxa de fecundidade neste grupo etário mais alto da América Latina, apresenta níveis que não se correspondem com todas as ações que no âmbito da saúde se fazem em Cuba».

NEM TÃO ALTA NEM BAIXA

Há mais de uma década, a fecundidade em adolescentes tem um peso dentro da fecundidade total. As estatísticas demográficas revelam que 15 em cada 100 nascimentos são de mães de menos de 20 anos e isso se manteve estável nos últimos anos.

«A nossa não é a da América Latina, onde têm três vezes esse número. Temos a mortalidade infantil das mais baixas do mundo, mas deveríamos ter, também, uma das taxas de fecundidade em adolescentes mais baixas, porque os países que registram nossos níveis têm um peso de fecundidade nas adolescentes de 8 ou de 6%.

As estatísticas revelam que, em geral, as mulheres têm o primeiro filho, porém, às vezes, não chega o segundo. Photo: Yander Zamora

«Essa taxa quando se calcula é muito baixa. Porém, estamos falando da Cuba do ano 2017, com todas as conquistas sociais e a vontade política de fazer e de ter feito muitas coisas e seguem se convertendo em mães como tendência mais ou menos por volta de 400 ou 420 meninas, em média, ao ano», reconhece a especialista.

NO OUTRO LADO DO ESPELHO

Tudo vai caminhando favoravelmente: ainda não completou 35 anos e já começou o doutoramento. Seu talento para as pesquisas ficou mais do que demonstrado com os parabéns e as qualificações brilhantes ao terminar a licenciatura e o mestrado. É somente questão de esperar dois anos para se converter em doutora em Ciências. O dilema é que já está com vontade de ser mãe.

Poderia pensar-se que em Cuba as mulheres adiam a maternidade e não repetem a experiência. Porém, nisso há matizes.

«O que fica demonstrado é que elas têm o primeiro filho. Depois, o que se dilata no tempo e, às vezes, não chega, é o segundo filho», garante a doutora Grisell Rodríguez.

Entre aquelas que têm seus bebês durante a adolescência e as que por decisão própria esperam até terem mais de 30 anos, está como pano de fundo uma redução no total de filhos por mulher no fim do ciclo reprodutivo: de quatro nos fins da década de 60 até cair na atualidade para 1,72 filho, ou dito mais claramente, 17 filhos em cada 10 mulheres.

É possível modificar estes indicadores?

«Neste ano — sublinha a especialista do Centro de Estudos Demográficos — vamos completar 40 anos com a fecundidade abaixo do nível de substituição, processo como tendência irreversível no mundo. Não há país que, de maneira constante, depois que cai a fecundidade consiga elevá-la novamente. Os comportamentos demográficos tendem a ser estáveis no tempo e a se converterem em tendência. Estamos falando de comportamento da população».

ENCONTRAR O PONTO MÉDIO

O panorama demográfico que enfrenta hoje o país está longe de ser simples e homogêneo. Em nível macrossocial o mais evidente é o aumento crescente dos idosos e a isso o governo vem prestando atenção, o que se expressa nas Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e a Revolução.

Seja qual fosse o momento em que chega a maternidade, na Ilha maior das Antilhas funciona o Programa de Atendimento Materno–Infantil e se dedicam vultosos recursos à proteção e segurança da mãe e do filho.

Neste contexto, a baixa fecundidade e seus matizes é o resultado das políticas que dão às mulheres e homens oportunidades, direitos e garantias, porém, ao mesmo tempo, é uma das causas das mudanças na dinâmica demográfica de uma ilha de pouco mais de 11 milhões de habitantes.