ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Gisela Herrero García, chefa do Gabinete Nacional de Design (ONDI).

DIZEM que todos os dias interagimos com mais de 2 mil objetos. O número poderia ser, inclusive, maior, mas olhe ao seu redor. O design está em toda parte. Dá valor aos produtos, identidade e busca tornar a vida mais fácil.

«Não tem maneira de desenvolver um país se não se leva em conta o design», assegura a chefa do Gabinete Nacional de Design (ONDI, sigla em espanhol), Gisela Herrero García. Segundo explica, esta atividade sempre esteve presente no país. Contudo, como todo processo, o design em Cuba teve seus bons e maus momentos.

No século 20, por exemplo, a arte gráfica destacou dentro do panorama criativo. O pôster cubano atingiu sua época dourada e um reconhecimento tanto dentro como fora do país. Na década de 1980, impulsionou-se uma política pública do design, coerente com as necessidades de prosperidade e sustentabilidade em Cuba. Criou-se o ONDI e, mais tarde, o Instituto Superior de Design (ISDI) instituição responsável pela formação de profissionais deste perfil.

Se bem a crise econômica da década de 1990 parou tudo o que até aquele momento tinha sido consolidado, o design conseguiu ver-se como uma ferramenta para aliviar a situação e tornar Cuba um país capaz de se valer de suas produções.

Assim, setores como o farmacêutico e o turístico começaram a utilizar o design e a recuperar uma atividade profissional com uma importante responsabilidade no desenvolvimento.

«Os centros mais importantes do polo científico se tornaram ponteiros nas demandas do design gráfico. O uso dos espaços, o vestuário do pessoal de trabalho, a embalagem dos produtos e a visualidade para sua venda fizeram com que o design fosse uma ferramenta fundamental para estas e outras indústrias».

«No país se começou a falar de identidade corporativa. O turismo, como locomotiva da economia, precisou da identificação dos novos hotéis, a diferenciação das cadeias. E pensar coerentemente, desde os espaços até a indumentária e o vestuário daqueles que trabalhavam nestes lugares”, explica Gisela Herrero.

ZONAS DE ABORDAGEM

Unido ao cotidiano e com a passagem do tempo, o design encontrou um novo espaço no setor não estatal, zonas de atuação que vão desde o design gráfico e até o industrial.

«Qualquer um que abriu um restaurante ou resolveu empreender um negocio está buscando diferenciar-se. Seja desde a visualidade, o nome, um símbolo, a mobília as ofertas, ou todos estes elementos juntos. Está conseguindo-se um ambiente fértil que permitiu aos designers abrir-se caminho», assegura Herrero García.

A indústria foi recuperando-se e um espaço que destaca são as confecções têxteis. A especialista assegura que há muitos designers de vestuário pensando a roupa e a indumentária do homem e da mulher, da criança e dos idosos, como valor de identidade.

«Cada vez há mais pessoas preparadas e ocupadas por ter o nacional no vestuário do cubano. Tem que vestir mais parecido às nossas cores, ao contexto onde fazemos a vida todos os dias e que não haja diferenças», acrescenta a chefe da ONDI.

O design, como valor agregado, dignifica o mundo dos objetos e visual. Por isso, estimular uma criação envolve responsabilidade. Gisela, como receptora de imagem, se preocupa muito pelo fato de como nos estamos vendo de dentro.

«Em um ambiente midiático e de comunicação como o atual, tem que oferecer conteúdos com melhores visualidades, com a visão destes tempos, com discursos e códigos contemporâneos. Temos que construir uma imagem sólida e que se pareça mais conosco como nação. É necessário ser mais proativos. O design tem esse valor e tem que comunicá-lo, a partir de uma xícara de café, uma cadeira, um vestuário. Tudo porta ideologia».

OLHARES E DESAFIOS

«O design tem que estar inserido, cada vez mais, nos diferentes setores da economia, na indústria, na cultura, na política. Às vezes, tenho a impressão de que não acontece com a rapidez de que se precisa, mas penso que é um sinal positivo que os designers marquem presença nas equipes desenvolvedoras», assegura Herrero.

Cada dia são mais os jovens que se formam na academia. No fechamento de maio, o Gabinete contava com mais de 2.400 designers no Registro Nacional, um número que coloca o país em condições de usar esses profissionais da melhor maneira.

Mas conseguir resultados de qualidade envolve, também, trabalhar em equipe e envolver-se com outros conhecimentos. Matérias como a economia são fundamentais para entender a responsabilidade que tem um designer na consolidação de um projeto.

«Não há maneira de desenhar sem a economia. O design agrega valor a produtos e serviços e isto é algo que ainda muitas pessoas não entendem. É um investimento não um custo. Fala-se de gastar em design quando deveríamos investir em design. Esse giro, entendê-lo de outros 180 graus seria muito importante para impulsionar o desenvolvimento.

«A partir da atividade tem que provocar as melhoras para o país. Falta empurrá-lo desde a indústria, desde a cultura, desde todos os lugares onde tem que abrir-se espaço. O design tem que ser responsável com o meio ambiente, com a cultura que defende e tem que identificar o valor do projeto cubano», explica Herrero García.

O design em Cuba advoga por encontrar cada dia mais espaços de consolidação. Conseguir sua aplicação em níveis industriais em massa é a única forma em que poderá ser decisivo para o desenvolvimento do país.