ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O chicano Nadir Rubén Romo Quesada afirma que continuará participando da brigada, porque ela desafia as proibições do governo dos Estados Unidos de viajar a Cuba. Foto: Orlando Perera

A vontade de conhecer a construção do socialismo e de apoiar a Revolução motivou a visita dos membros da 48ª Brigada Venceremos, procedentes dos Estados Unidos, à Ilha maior das Antilhas, de 23 de julho a 4 de agosto.

Em conversação com o semanário Granma Internacional, no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella, localizado no município Caimito, Artemisa (lugar de hospedagem), os membros da brigada manifestaram que trocaram experiências com a população, familiarizaram-se com os projetos comunitários, percorreram lugares históricos e assistiram ao ato central pelo dia 26 de julho, na província de Pinar del Río.

Essa festividade é comemorada anualmente na Ilha caribenha, porque em 1953, Fidel Castro Ruz e outros revolucionários atacaram os quartéis Moncada, em Santiago de Cuba e Carlos Manuel de Céspedes, em Bayamo, para começar a luta armada contra a sangrenta tirania do general Fulgencio Batista. Esta data é comemorada como Dia da Rebeldia Nacional.

Os membros da brigada conheceram a verdadeira realidade de Cuba e a compararam com as falsas notícias espalhadas pela mídia de seu país.

Referiram-se à constante repressão da polícia dos Estados Unidos contra os afroamericanos, inclusive assassinatos dos membros dessa minoria étnica pela mão dos funcionários dessa entidade.

A jovem Frangy Pozo, estudante de Sociologia da Universidade da Pensilvânia e filha de dominicanos, narrou com lagrimas nos olhos: «Nós, os da pele negra nunca temos certeza de voltar para a casa. A polícia assassina os negros pela suposição de portar armas ou drogas e depois de fazer as investigações alegam ter cometido um erro. Não existe punição para os assassinos. Contra esses fatos expressamos nossa recusa popular. Nesses casos se emite uma desculpa pública, o funcionário recebe uma quantia, para se afastar vários dias do serviço ativo e, no menor dos casos, é demitido do trabalho».

Frangy Pozo, condenou os abusos policiais sofridos pela população negra nos Estados Unidos. Foto: Orlando Perera

Pozo mora em Nova Jersey, visita pela primeira vez a Ilha maior do Caribe, e pertence à organização Projeto Juvenil de Negros (Black Youth Project 100), que luta pelos direitos sociais dessas pessoas.

Alegou que os Estados Unidos distam de ser esse grande paraíso que muitos acham e o povo se mobiliza permanentemente para atingir conquistas que possam garantir um melhor país para as futuras gerações.

Com ela concorda Denisse Coto Reyes, assente no Bronx de Nova York e graduada da universidade privada Hobart William Smith College.

«Vivemos em uma nação de muita violência, que mantém o povo tremendo. As comunidades negras e latinas sentem um grande temor da polícia», asseverou a jovem de 24 anos, filha de porto-riquenhos.

Coto Reyes asseverou: «Percebo que em meu entorno o sistema político exclui a ampla maioria da população. Vim para aprender do socialismo cubano e ver como solucionam seus problemas sociais».

«Também dialoguei com jovens e troquei com eles acerca da construção de uma sociedade mais justa».

Semelhantes propósitos foram expressos por Héctor Rivera Toledo, trabalhador de um centro comunitário que ministra workshops de arte, no bairro do Bronx ,de Nova York. Ele teve conhecimento sobre a Brigada Venceremos através de amigos e companheiros de trabalho. Inscreveu-se, porque sempre desejou viajar a Cuba para participar de jornadas produtivas ou de atividades de troca.

«Li acerca da Revolução — destacou o jovem — particularmente de seus líderes: Fidel e Raúl Castro, Ernesto Guevara e outros. Eu vim aqui para aprender. Eu quero socializar-me com os cubanos e fazer amigos».

«Também quero conhecer a cultura, semelhante à de Porto Rico, de onde venho. Principalmente desejo dar meu esforço próprio em trabalhos produtivos».

Igualmente Nadir Rubén Romo Quesada, nascido em Los Angeles, Califórnia, e assente em Nova York, participa pela terceira vez da Brigada Venceremos, porque sempre encontra um aspecto atraente para voltar. «Venho a Cuba para expressar minha solidariedade. Acho que esse valor humano deve ser cultivado, principalmente entre as pessoas que falam espanhol. É muito necessário realizar essa ligação entre os povos, essa troca cultural», precisou Romo Quesada, trabalhador de uma escola pública.

Seu principal motivo radica em que os membros da brigada desafiam as leis do bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos, as quais proíbem que cidadãos desse país visitem Cuba. Para ele, o governo norte-americano viola o direito constitucional das pessoas de viajar a qualquer país que os aceite como visitantes.

Acrescentou: No dia em que voltemos aos Estados Unidos e nos exijam mostrar alguma licença ou permissão, vamos fazer ações de desobediência civil e vamos reclamar nossos direitos. Vamos divulgar o caso na mídia e fomentar um grande debate público de forma a explicar como querem destruir a Revolução e recolonizar a Ilha caribenha».

Os visitantes expressaram satisfação pela estada em Cuba e afirmam ter no plano celebrar o 50º aniversário do surgimento deste tipo de iniciativa, em 2019, com suas atividades, que inclua aqueles que fizeram parte, em 1969, do primeiro contingente e a muitos outros jovens incorporados posteriormente.