ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Inauguração da placa da 13ª Formatura pelo reitor da ELAM, doutor Antonio López Gutiérrez (à esquerda) e pelo vice-ministro da Saúde Pública de Cuba, doutor Alfredo González Lorenzo. Photo: Jose M. Correa

ILUMINAR o mundo com saúde, amor e esperança constitui uma das missões dos mais de 28.500 médicos de 103 países, formados na Escola Latino-Americana de Medicina (ELAM), que neste ano realizou sua 13ª formatura.

Este belo projeto de irmandade, solidariedade e justiça nasceu em 1998 por iniciativa do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz e segundo seus estudantes recém-formados, entrevistados pelo Granma Internacional, neles permanece incutida a coletividade, o humanismo e o rigor científico.

O peruano Narciso Paucca Cancho, residente em Ayacucho reconhece o esforço dos professores, os quais não poupam tempo para ajudar a seus alunos a vencer as matérias. «Nos momentos de plantão e consultas, eles nos ensinam a tirar fortalezas emocionais para oferecer alento ao doente e saber responder com esperanças àqueles que estão na fase terminal de vida».

Com ele concorda seu colega José Carlos Ottivo Pérez, procedente de Lima, Peru. «Aprendi muito mais que uma carreira universitária. Em meu país o médico está focado na competitividade do profissional e não ensina seus conhecimentos. Aqui os médicos professores expandem suas experiências, oferecem suas informações atualizadas e instruem como procurar mais». Os dois destacam a comunicação aberta entre aluno-professor e a confiança no estudante para perguntar as dúvidas surgidas no processo educativo. Ao alternar nos hospitais a partir do terceiro ano, incute-se como hábito o sentido da ética para dialogar com os pacientes e seus familiares, principalmente na entrevista inicial para conformar a ficha clínica.

Narciso deseja dedicar-se à cirurgia e José Carlos à medicina interna ou à pediatria, mas nos próximos dias retornam a seus países e estão impossibilitados de exercer o aprendido. Primeiramente devem estudar mais um ano alternando entre diferentes especialidades médicas, aprovar um rigoroso exame e depois revalidar o título.

Os peruanos Narciso Paucca Cancho (à direita) e José Carlos Ottivo Pérez, reconhecem o trabalho altruísta de seus professores. Photo: Jose M. Correa

Para José Carlos, seu grande receio está em enfrentar-se a um sistema médico de um país capitalista, no qual o doente é assistido como um cliente e os cidadãos dependem do dinheiro que possa investir em seus testes de diagnósticos e nos medicamentos.

Muitas vezes existem acordos prévios entre os médicos e as empresas farmacêuticas, que geram rendas financeiras mútuas em detrimento da saúde do paciente. «Aqui nos ensinaram consagração e dedicação total para solucionar problemas de outras pessoas, com uma seriedade e uma disciplina muito ferrenha pela profissão», assevera o jovem peruano.

Com ele concorda a guatemalteca Dalena Catabí Lozano. Ela também deve estudar mais outro ano de carreira após retornar a seu país, sem receber salário algum e realizando gastos pessoais na alimentação, transporte e alojamento, além de pagar a matricula inicial para essa carreira.

Procede da comunidade Los Pastores, pertencente ao Departamento de Sacatepeque, onde só há um hospital com escassez de médicos, localizado a vários quilômetros de seu lar. Aí está também um dos motivos pelos quais elegeu a profissão.

Assim exemplifica sua maior motivação para estudar na Ilha Maior das Antilhas: «Meu povo foi afetado por um furacão no fim da década de 1990 e deixou um grande desastre humano, por causa das enchentes e os deslizamentos de terra. Vimos chegar uma brigada de médicos cubanos. Esses profissionais ofereceram ajuda às vítimas enterradas na lama. Todos presenciamos sua atitude de desenterrar lares para resgatar pessoas com vida. Eles percorreram lugares distantes para pesquisar comunidades com uma mochila no ombro cheia de medicamentos».

Ela contrasta esse trabalho altruísta com os médicos formados em seu país e assevera que as famílias veem a carreira de medicina como uma forma de prosperidade econômica. Inclusive, endividam-se com o banco para pagar esses estudos, porque ser médico significa pertencer a uma classe social com verdadeiro poder econômico. Nunca pensam na solução dos problemas de saúde da população.

À esquerda, Claudia A. Tavares Olivera de Cabo Verde, e Rasha Khalil, da Jordânia, formadas na Universidade das Ciências Médicas de Artemisa. As duas sentem uma grande paixão ao falar das famílias cubanas que conheceram. Photo: Jose M. Correa

«Ao chegar a Cuba — continua o relato — fui acolhida na ELAM, conheci pessoas muito carinhosas. Refiro-me às pessoas que trabalham na faxina, na cozinha ou no refeitório. Abraçaram-me sem saber quem era e de onde vinha. Ofereceram-me apoio psicológico e moral. Trataram-nos como seus filhos. Essa é uma experiência muito fraternal. Percebi que assim são geralmente os cubanos».

Semelhante critério é expresso por Claudia A. Tavares Olivera, de Cabo Verde, a qual lembra sua professora Arianna na aprendizagem do idioma espanhol no curso básico de pré-médico, antes de começar os estudos universitários. «Ela era muito colada a nós, conhecia nossas particularidades e sempre esteve disposta a solucionar qualquer dificuldade. Com ela aprendi muito mais que o espanhol. Fez com que nós compreendês-semos a cultura e a maneira como vivem os cubanos. Eu vi nela uma professora, uma mãe, uma amiga», assevera a jovem formada na faculdade das Ciências Médicas de Artemisa.

Ela soube a possibilidade de estudar em Cuba através de um tio que também se formou na ELAM e atualmente se desempenha como urologista, mas para acessar a bolsa de estudo foi selecionada entre um grande grupo com os melhores resultados acadêmicos do bacharelado.

Considera que a maior dificuldade esteve na morfofisiologia, matéria que combina conteúdos de anatomia, bioquímica, epidemiologia e outras.

Assinala que os exames acadêmicos para passar de um ano a outro são muito rigorosos com muita carga de conteúdo científico, para os quais devem se preparar com a leitura de vários livros em um curto período de tempo.

Igualmente sua colega de faculdade Rasha Khalil, da Jordânia, confirma tais afirmações já que teve grande dificuldade para aprovar a matéria no primeiro ano, devido também a suas limitações com o idioma.

«Ao chegar a Cuba não conhecia nenhuma palavra em espanhol» — comentou a jovem jordaniana. «Recebi um curso intensivo de espanhol por seis meses, os outros seis meses foram dedicados às matérias de pré-universitário que ajudam à compreensão dos estudos universitários. Meu idioma espa-nhol melhorou quando conclui os dois primeiros anos na ELAM e continuei a carreira nos hospitais cubanos atendendo à população».

Embora tenha tido dificuldade em adaptar-se ao regime alimentar e compreender a idiossincrasia dos cubanos, hoje manifesta saber dançar casino (dança popular) e contar com o apoio das famílias, muito apreciadas por ela. «Comove-me falar de Cuba. Cheguei com só 17 anos e morei quase oito anos. Minha personalidade se formou nesta Ilha. Aqui deixo muitas pessoas queridas, principalmente em Artemisa».

«Posso mencionar a família do fotógrafo Pedro Reyes, de Mercedes Chávez e a vovozinha Lazarita. Todos me ofereceram um grande apoio emocional e nas diferentes casas recebi muito carinho».

Todos estes estudantes agradecem a Cuba sua formação na vocação humanista, o compromisso e o espírito internacionalista, cientes de seu papel na sociedade e protagonistas do momento histórico. A partir deste momento devem constituir-se em agentes de mudanças, que tanto precisa a humanidade.