ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Neste lugar estavam o restaurante Caney e Vila Bertha nos anos 1986 e 1987, prejudicando a duna; o trabalho realizado permitiu recuperar a praia. Foto: Cortesía do doutor José Luis Juanes

JUNTO com os manguezais, matagais de pântanos e cristas de recifes de coral, as praias arenosas constituem elementos naturais da proteção costeira ao amortiguar o impacto das ondas provocado pelos furacões e outros eventos meteorológicos extremos.

O anterior fundamenta que, mais além de estar dentro das opções recreativas preferidas por boa parte da população cubana, em especial durante a etapa de verão, a salvaguarda de tão valioso ecossistema seja um assunto de máxima prioridade para o país.

A isso se somam, também, os riscos derivados do aumento progressivo do nível médio do mar, cuja ascensão em nosso entorno esteve na ordem dos 6,77 centímetros desde 1966 até agora, enquanto as projeções indiquem que poderia atingir até 27 centímetros em 2050 e 85 em 2100.

Não surpreende então que a Tarefa 1 e mais especificamente a Tarefa 3 contidas no Plano de Estado para o Enfrentamento à Mudança Climática, aprovado pelo Conselho de Ministros em abril passado, busquem acometer ações e projetos encaminhados a conservar, manter e recuperar as praias arenosas do arquipélago cubano, priorizando as urbanizadas de uso turístico e reduzindo as vulnerabilidades existentes no patrimônio construído.

EROSÃO À ESPREITA

Mais além de representar um sério perigo para os pequenos Estados insulares, o aumento do nível médio do mar é uma das principais causas da erosão presente em muitas zonas costeiras do planeta.

Tal processo prejudicou a qualidade ambiental de diversas praias da costa oeste e sul dos Estados Unidos, Jamaica, México, República Dominicana, Espanha, América do Sul e a zona do mar Negro, por citar alguns exemplos, lugares onde a deterioração das condições naturais foi favorecida pelas ações inadequadas do homem.

Como indica ao Granma Internacional o doutor em Ciências José Luis Juanes, pesquisador titular do Instituto de Ciências do Mar, estudos desenvolvidos dentro do Macroprojeto sobre Perigos e Vulnerabilidade Costeira para os anos 2050 e 2100, permitiram ratificar que a erosão nas praias cubanas tem um caráter generalizado, com um ritmo médio estimado de retrocesso da linha de costa de 1,2 metros por ano, que pode ser superior em alguns pontos e setores, número similar ao registrado para a região do Caribe.

As causas, explicou, obedecem em grande medida ao já mencionado incremento do nível médio do mar, combinado com a ocorrência de fortes marejadas associadas à passagem de fenômenos meteorológicos de notável intensidade e o déficit nas contribuições de fontes produtoras de areia.

Outro fator primordial está constituído pela execução em períodos históricos anteriores de práticas nocivas à estabilidade física das praias, fundamentalmente as construções nas dunas naturais, a extração de areia com fins construtivos e o incorreto design e localização de espigões de entrada de canais e docas, ressaltou o doutor Juanes.

Segundo os resultados da mais recente atualização feita pelos cientistas cubanos, no fechamento de 2016, o número total de praias incluídas no registro nacional desse ecossistema subiu a 499 (em 2015 eram 454); entretanto, das 257 avaliadas tecnicamente, 85% mostra indícios de erosão.

Igualmente, pôde ratificar-se o desaparecimento de dez praias arenosas, como são, por exemplo, os casos de Majana, Guanímar, Cajío, Mayabeque, Rosario e La Pepilla, situadas ao sul das províncias de Artemisa e Mayabeque, as quais além de sofrer ao longo de muito tempo uma severa atividade antrópica, foram muito punidas com as ondas severas geradas pelos furacões Gustav e Ike em 2008, ficando desprovidas praticamente de areia e transformadas em seu perfil.

Entre as evidências mais notórias do acontecido pode citar-se a existência de inúmeras árvores caídas e danadas dentro do mar.

Constatou-se igualmente que, na passagem de furacões intensos, as enchentes costeiras começam a ultrapassar as dunas em diferentes lugares do país. Tal tendência origina o transpasse de areia às lagoas interiores, provocando transformações apreciáveis na linha da costa.

Os monitoramentos realizados entre outubro de 2015 e igual mês de 2016, mostraram que em todas as praias visitadas se conserva a estrutura morfológica das dunas, notando-se a extensão e aumento da folhagem da vegetação, o qual asseverou o doutor José Luis Juanes, responde à continuidade de vários anos consecutivos sem a ocorrência de eventos erosivos extremos nos setores estudados.

Mas a caracterização sedimentológica da areia das praias avaliadas durante as expedições feitas ao longo desses doze meses evidencia o predomínio da areia média e a composição biogênica com um alto grau de maturidade sedimentar dos grãos, algo que poderia ser interpretado como um sinal de déficit natural nas entradas de novo material às praias, comentou.

Todos os conhecimentos acumulado sobre o tema e, de maneira especial, a experiência dos trabalhos destinados à recuperação dos trechos de Varadero prejudicados pela erosão, iniciados em 1987 e que permitiram, entre outros impactos favoráveis, ampliar e manter os indicadores de qualidades requeridos na faixa de areia onde se assentam os banhistas, demonstra que a nação tem capacidade para assumir o desafio de implementar as ações que levem ao resgate integral e conservação de suas praias arenosas.

A relação das que serão submetidas a este tipo de trabalho em curto prazo contempla, entre outras, as de Majana, Guanímar, Cajío, Mayabeque, Caimito, Tasajera, Guanabo, Veneciana, Salinas, Caracol na Ilhota Las Brujas e Praia Larga da Ilhota Coco.