ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Yuri Dos Santos, 27 anos, formou-se em Arquitetura na Universidade de Camagüey. Foto: Darcy Borrero Batista

«TUDO foi como um relâmpago. Foi um choque para mim vir aqui. No começo, eu não queria. Meu pai, como ex-soldado revolucionário que adora a história de Cuba, queria que eu estudasse aqui. Meus irmãos já tinham feito isso. Então eu tentei também, mesmo que nos primeiros dias não queria comer e estive um pouco deprimida».

«Então, comecei a interagir com as pessoas e, no final, eu adorei. Eu me apaixonei pela província de Holguín, onde conheci professores maravilhosos, pai, mãe, amigos, que me deram uma experiência de vida porque compartilhamos tudo. Aprendi o conceito de companheirismo e me inspirou a fazer minha tese acerca do desenvolvimento local», conta Augusta Lopes Miranda, agora formada em Economia na Universidade de Holguín.

Nascida no centro de Luanda, a capital de Angola, Lopes interessa-se, principalmente, pela política. Não é a única com essa aspiração dentre os milhares de estrangeiros que se formaram, neste ano, de diferentes especialidades em Cuba. Muitos deles partem aqui com vontade de transformar o mundo.

Neste ano, o número de diplomados angolanos foi de 256, incluindo psicólogos, biólogos, economistas, arquitetos, matemáticos, físicos, médicos, químicos e engenheiros.

O jornal Granma falou com alguns e quase todos definem o estágio de estudos em Cuba como uma das melhores experiências de suas vidas.

«Eu vim com 20 anos e aqui me tornei uma mulher, uma profissional e estou pronta para contribuir para o desenvolvimento do meu belo país. Gostaria de me tornar a primeira presidente do meu país», diz esta mulher angolana, disposta a expandir a participação social das mulheres.

Esmeralda de Fátima Damião é outra formada angolana. Na Universidade de Sancti Spíritus estudou a especialidade de Psicologia e teve uma média escolar de impacto: 5,03 pontos. Foto: Darcy Borrero Batista

Esmeralda de Fátima Damião é outra formada angolana. Na Universidade de Sancti Spíritus estudou a especialidade de Psicologia e teve uma média escolar de impacto: 5,03 pontos.

«A partir do momento em que cheguei, sempre tive muito claro o objetivo que me trouxe aqui. Fiz meu diploma em quatro anos, apesar de que eram cinco anos. Tive a oportunidade de fazer o quarto e o quinto em um único curso, devido ao meu compromisso e dedicação», revela.

Os estudantes estrangeiros na Ilha podem acessar por uma série de carreiras no sistema universitário em todo o país.

No caso de Angola, «existe um programa nacional de treinamento de especialistas e um instituto de gestão de bolsas no exterior. Através desta entidade as bolsas de estudo são concedidas aos alunos que atendem aos requisitos: ser saudável, não exceder os 25 anos e ter boa média acadêmica», diz o atual médico Mauro Molose.

Aos 30 anos, ele é o sétimo dos oito filhos de uma família do sul em Angola.

«Sempre fui muito dedicado aos meus estudos e, graças a isso, posso me considerar um médico hoje».

«Nosso sistema educacional é muito diferente do de Cuba. Na verdade, muitos de nós tivemos certas dificuldades para entrar nas universidades aqui, devido ao sistema de mudanças de avaliação. No entanto, o ser humano tem capacidade de adaptação e conseguimos sair como profissionais», valoriza.

Em seu país, ele estudava Ciências Agrárias, mas «sem abrir mão do sonho de ser médico algum dia». Eu sabia que Cuba é uma potência mundial e quando foi anunciado no meu país que eles concederiam bolsas de estudo a angolanos, naquele mesmo momento, sem olhar para trás, suspendi meus estudos agrícolas e vim».

Ele agora se considera mais um cubano, especificamente de Santiago de Cuba e expressa com satisfação que a experiência em Cuba foi magnífica. «Vivemos longe da família, mas nos deparamos em Santiago de Cuba com uma cidade muito acolhedora, muito semelhante da nossa. Em termos de atividade sísmica, Angola é um país bastante tranquilo. No entanto, em Santiago sempre tivemos que lidar com tremores. Aquele que mais nos marcou foi o de 17 de janeiro de 2017, ficamos muito assustados».

«Tivemos que viver momentos muito importantes na história deste país: a chegada dos Cinco Heróis, a morte do nosso Comandante...».

«Coube-nos viver muitos outros eventos que marcaram nossas vidas significativamente e eu vou como médico, mas também como uma pessoa mais humana».

Yuri Dos Santos, 27 anos, formou-se em arquitetura na Universidade de Camaguey. Já estava estudando o terceiro ano de arquitetura em Angola.

«Mas deixei tudo e comecei novamente aqui em Cuba. Antes de chegar a Cuba eu tinha uma inconformidade que não conseguia explicar. Então, vir aqui e estar exposto a um ambiente diferente me fez crescer. Cuba foi exatamente isso, uma escola no desenvolvimento do pensamento».

«Estudar aqui tem sido um privilégio porque ser formado por uma universidade cubana é sinônimo de orgulho e respeito para os angolanos».

O mais importante para este jovem, de tudo o que aprendeu aqui, é a filosofia com que as carreiras são ensinadas ou, pelo menos, a sua.

«Nós aprendemos não só a filosofia técnica, mas a social. A arquitetura que aprendi é o resultado de um regime socialista, e isso é tangível ao desenhar. Não consigo criar uma torre de 41 andares; eu tenho que pensar em instalações para os pobres e os ricos».

O QUE ESPERA AOS GRADUADOS ESTRANGEIROS DE VOLTA AO SEU PAÍS?

«No caso de Angola, devemos entrar no mercado de trabalho e apresentar nossos currículos às empresas», diz Yuri, que compartilhou com estudantes da China, Djibouti e vários países latino-americanos.

«O espanhol foi a língua comum para todos nós, embora a linguagem fosse uma barreira no início. Eu não vou mentir. Não foi fácil nos primeiros anos, especialmente porque adoeci, mas a ajuda de médicos e professores me fez sobreviver. Não só do ponto de vista da saúde; também como ser humano», diz este jovem nascido em Luanda.

José Antonio Ferreira, o estudante estrangeiro em Cuba mais integral em sua formatura, é de uma família provincial em Kwanza Sul, Angola.

«O que me motivou a entrar em princípio foram os resultados da educação cubana. Meu irmão veio antes de mim e isso também serviu como minha inspiração. Agora que me formei como engenheiro mecânico, não me arrependo de ter-me formado aqui. Lá eu fiz o ensino politécnico, que equivaleria a uma formação vocacional e me senti com uma base sólida para estudar na Ilha».

COMO LEVAR À PRÁTICA O QUE APRENDERAM EM CUBA?

«Angola vem de uma guerra civil e temos apenas alguns anos de paz, pelo que nosso sistema educacional não pode ser excelente. É por isso que estamos indo para países irmãos para treinar os intelectuais e cientistas que construíram o país. Vamos envolvê-los no desenvolvimento social do país», disse José Antonio, que preside a Mesa da Assembleia de Estudantes Angolanos em Cuba.

«Aqui passei mais de metade da minha vida juvenil e, ao longo da história, a Ilha deu seu contributo para o meu país; e hoje Angola é o que é, graças à fraternidade da nação caribenha», diz José Antonio.

«Cuba não só forma homens de ciência, mas também de consciência», diz ele.

«Na minha cidade, acreditamos que aquele que não agradece é um feiticeiro», por sua vez, considera o médico Mauro, formado com 4.92. «É por isso que agradeço a Cuba. Porque se sou agora o que sou, é graças a Cuba».