ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Na sexta-feira, 25 de agosto, o povo cubano desfilou pela cêntrica rua G até o monumento ao Libertador Simón Bolívar para expressar o repúdio à ingerência norte-americana e de outros governos da América Latina e o Caribe nos assuntos internos da nação irmã. Foto: (cortesía ICAP), Karoly Emerson

AS ameaças e sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela pedem a ajuda internacional e Cuba referenda seu respaldo total à Revolução Bolivariana com variadas atividades auspiciadas pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap) e outras organizações políticas e sociais.

Na sexta-feira, 25 de agosto, havaneses, membros do corpo diplomático e estudantes venezuelanos radicados na Ilha, desfilaram pela cêntrica rua G até o monumento ao Libertador Simón Bolívar para expressar o repúdio à ingerência norte-americana e de outros governos da América Latina e o Caribe nos assuntos internos da nação irmã.

No ato, o Herói da República Fernando González Llort, ressaltou a posição do Estado cubano ao lado do governo bolivariano sob a direção do presidente Nicolás Maduro Moros, continuador da obra iniciada por Hugo Chávez Frías, Comandante eterno da Nossa América.

«O mundo sabe que a Venezuela não constitui uma ameaça militar para nenhum país», assegurou o também presidente do Icap e denunciou a recente decisão de suspender indefinidamente Caracas do Mercado Comum do Sul (Mercosul), fato que responde a uma política carente de sustentação jurídica.

Criticou, também, o recente percurso por vários países latino-americanos do vice-presidente estadunidense, Michael Pence, declarando abertamente seu propósito de isolar diplomática e economicamente a Venezuela.

González Llort, destacou como o país irmão estreitou fileiras para contribuir com a paz no continente. «O governo revolucionário venezuelano, desde seus inícios, trabalhou pela integração de nossa região, dignificando a identidade, cultura e valores de toda a diversidade de nossos povos» – disse em outra parte de sua intervenção. «Nossa identidade de pensamento nos leva a concluir que vão pelo caminho correto. Um povo que se respeite defende sua autodeterminação, independência e soberania. Isso é o que vocês estão fazendo».

Por seu lado, o embaixador da Venezuela em Cuba, Alí Rodríguez Araque, rechaçou os ataques e os planos perversos da Casa Branca. «Temos um rumbo traçado há muitos anos e não cederemos a nenhuma chantagem de Washington», assinalou.

«Enquanto os EUA gastem seu tempo monitorando a democracia em países distantes, em seu próprio território deixam de atender as necessidades das minorias. Em vez de utilizar o orçamento para solucionar os problemas chicanos, negros e dos sem teto, a administração de Donald Trump elabora planos bélicos e utiliza outros espaços geográficos como laboratórios para ensaiar com potentes bombas», acrescentou.

Dias antes, na sede do Icap, houve um painel de especialistas para divulgar as ações criminais da oposição direitista e a oligarquia venezuelana. Esses intelectuais se pronunciaram pela unificação de forças progressistas, para enfrentar a campanha das corporações midiáticas contra a soberania e o direito à autodeterminação da Pátria de Bolívar.

Ao intervir na atividade, o embaixador da Venezuela, em Cuba, Alí Rodríguez Araque afirmou que seu povo está preparado política e moralmente, mas também está estruturado em milícias, imbricadas no país todo. «Não lhes será fácil invadir a Venezuela, isso seria a guerra dos cem anos, como qualificou o líder cubano Fidel Castro em uma ocasião».

Depois de uma explicação teórica acerca das históricas lutas contra as ambições imperiais de apoderar-se das riquezas naturais venezuelanas, o diplomata continuou reafirmando o rechaço à guerra, mas caso ocorrer uma invasão militar, as forças armadas do país estão unidas para enfrentá-la e será tarefa difícil acabar com o governo bolivariano mediante a violência.

Indicou: «Nossos povos necessitam também uma mudança na visão política dos Estados Unidos, como Estado, algo sumamente difícil. Depende do próprio povo norte-americano, das circunstâncias internas e das contradições antagônicas que gera o imperialismo norte-americano».

Rodríguez Araque apontou que os adversários pensaram em acelerar a morte de Hugo Chávez para criar um vazio no poder político, que não pudesse sustentar nenhum outro governo similar. Isso foi acompanhado de agressões armadas e midiáticas para derrocar o presidente constitucional Nicolás Maduro.

Terminou sua intervenção enfatizando a certeza de que a Revolução Bolivariana avança e enviando uma clara mensagem de resistência a qualquer tipo de invasão contra a Venezuela porque contará com a mobilização dos povos do mundo.

A presidenta do Comitê Internacional Paz, Justiça e Dignidade dos Povos, Graciela Ramírez, condenou o que chamou de operação internacional midiática contra a Venezuela, manipulações que substituem a verdade por mentiras repetidas no mundo todo.

«O que acontece hoje na Venezuela», indicou a ativista política, «é uma batalha sem precedentes, com elementos novos que merece uma análise profunda porque se move em uma narrativa e em um relato, no qual se sequestra a palavra povo e se desrespeita o presidente».

«A mídia oligárquica substitui o termo governo por regime, substitui o nome Nicolás Maduro por ditador e quer vender ao mundo, através de uma operação midiática, mentiras da realidade venezuelana».

Exortou a utilizar as redes sociais na Internet como Facebook, Twitter e outras para combater a guerra midiática. Também instou a desacreditar as mentiras emanadas da mídia tradicional porque neste assunto está em jogo a vida de nossos povos, da Revolução cubana e da América Latina. «A suplantação da mentira replicada em todo o mundo confunde, inclusive até as pessoas que advogam pela esquerda. Portanto, devemos alertar, explicar e demonstrar. Tem que gerar pronunciamentos e pedir solidariedade, justamente para evitar todos esses jogos que o imperialismo quer impor», apontou Graciela Ramírez.

Advertiu, também, acerca do perigo iminente de uma invasão imperialista e explicou que não aconteceu até agora porque se conhece a disposição de mais de 400 mil efetivos do exército bolivariano, dispostos a defender sua pátria e de um levante dos povos do mundo contra tais ações imperialistas.

Com ela coincidiu o presidente do Movimento Cubano pela Paz e a Soberania dos Povos, Silvio Platero, que alegou que a situação na Venezuela foi analisada reiteradamente em vários eventos e foros da organização dentro e fora de Cuba, porque as mentiras da mídia trouxeram confusões em muitas pessoas.

Alertou do posicionamento das bases militares estadunidenses no mundo, que hoje chegam a 860 em 144 países. Elas foram instaladas sob o pretexto de combater o narcotráfico e o tráfico de pessoas.

Precisamente na Colômbia se incrementaram a partir do governo de Hugo Chávez situadas nas zonas fronteiriças dos estados de Apure e Táchira.

«Ao chegar Barack Obama à presidência existiam 558 bases militares e no fim somavam mais de 800», algo que contradiz a eleição deste presidente como Prêmio Nobel da Paz. Mencionou, também, a presença de ogivas nucleares em nove países que totalizam mais de 16.550, delas 3.200 prontas para serem lançadas.

Sobre isso, a diretora em funções da Direção da América Latina e o Caribe do Icap, Liliam Zamora, destacou que a Venezuela contribuiu com a paz na criação de organizações como a Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), a União Sul-americana (Unasul), a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA) e Petrocaribe, as quais fomentam a integração regional.

A funcionária concluiu: «os países imperialistas não acreditam que existem homens com princípios e lealdade a seu povo, que lutamos por sonhos impossíveis e não cedemos até atingi-los, lembrando o legado de Chávez e Fidel, nossos Comandantes eternos».