ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Giustino Di Celmo, presta tributo ao filho, durante um dos aniversários do assassinato de Fabio. Foto: Yaimí Ravelo

O terrorismo não deixa de ser notícia. Não faltam manchetes anunciando atropelamentos em importantes cidades europeias, a morte ou o deslocamento de centenas de pessoas no Oriente Médio e na África, perante a instabilidade política ou a guerra.

Em Cuba, apesar dos milhares de quilômetros que nos separam dessas geografias, ou a distância no tempo com fatos deste tipo, não deixam passagem ao esquecimento: a Ilha maior das Antilhas também sofreu na própria carne os horrores do terror.

Sabotagens, sequestros, agressão armada, tentativas de assassinato de nossos principias líderes, foram realidades vividas em dados momentos da Revolução, e quase três mil cubanos mortos foi o saldo da hostilidade contra nosso país.  

Contudo, esses atos terroristas perpetrados contra a Ilha não somente faziam Cuba vestir de luto. Em 6 de outubro de 1976 explodia em pleno voo um avião da Cubana de Aviação em Barbados, crime organizado a partir da Venezuela por Orlando Bosch Ávila e Luis Clemente Faustino Posada Carriles, e no qual morreram, além de cubanos, guianenses e coreanos.

Também, em 4 de setembro de 1997, até a Itália chegaria a dor compartilhada, quando a tranquilidade da vida havanesa era interrompida por explosões em vários hotéis da capital. O saldo mais terrível: a morte de Fabio Di Celmo, aos seus poucos 32 anos de vida.

Imagens do hotel Copacabana depois do atentado terrorista. Foto: Archivo

No lobby-bar do hotel Copacabana, onde se alojava seu pai Giustino, o jovem italiano queria se reunir com uns amigos. Ao mesmo tempo, o mercenário de origem salvadorenha Ernesto Cruz León esperava em um banheiro da instalação turística para fazer explodir a potente bomba que tinha colocado em um dos cinzeiros do local.

Mais uma vez, por trás do horror, a mão de Posada Carriles, quem tinha contratado Cruz León, e tempo depois do crime, respondendo a pergunta de um jornalista acerca deste fato, admitiu que Fabio esteve no momento equivocado e no lugar equivocado.

Em seu quarto, Giustino escutou a explosão. Pensaria em seu filho que estava ali, que ele trouxe para que conhecesse Cuba e lhe ensinou a amá-la. Voaram os minutos. Chegou o anúncio de que Fabio estava gravemente ferido e foi transferido para um hospital. Depois, o impacto, o dilaceramento, a notícia: Fabio tinha morrido.

Os planos de espalhar o terror nas instalações turísticas cubanas, para continuar asfixiando a economia, desta vez através de mercenários centro-americanos, foram gerados pela Fundação Nacional Cubano-americana e acolhidos pela Agência Central de Inteligência e seus cúmplices na administração estadunidense de turno.

O italiano seria mais uma vítima, um dos tantos filhos tirado de forma absurda a seus pais pela intolerância, o ódio e a violência.

Em sua natal Gênova, a lápide de um túmulo sentencia para a memória: «Em 4 de setembro de 1997, uma bomba assassina de um mercenário salvadorenho apagou a vida do jovem Fabio Di Celmo».

No hotel Copacabana, uma placa perpetua a dor e a condenação e, ano após ano, familiares e vítimas do terrorismo prestam tributo ao jovem genovês.

Entretanto, Cuba viu chorar Giustino a perda de seu filho até sua morte, sem que tivesse o consolo da justiça. Todo um povo compartilha sua dor e sua causa, um povo todo que não esquece e que continuará denunciando o crime, embora não haja forma alguma de devolver a vida tirada, mesmo que não exista forma de apagar o horror.