ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

EMBORA alguns acreditem que o conceito de multidestino turístico não passa de ser uma utopia, para o Caribe é uma oportunidade potencial de desenvolvimento e, claro está, de integração.

Por um lado, os 24 destinos da região concorrem com os mesmos produtos e modalidades turísticas, baseados essencialmente no sol e a praia; as mesmas cadeias hoteleiras internacionais, os mesmos operadores turísticos, as mesmas linhas aéreas e as mesmas companhias de cruzeiros. Por outro, constituem espaços limitados por água, ou o que é a mesma coisa, para chegar a eles tem que contornar barreiras marítimas.

Daí nasce a condição insular, essa palavra que, levada à realidade da indústria turística permite esclarecer que a maior possibilidade de evolução para o Caribe está em apostar em sua cultura, sua história, sua idiossincrasia, como um todo. É a palavra que explica o pouco espaço territorial das ilhas caribenhas e que as obriga a incentivar o turismo e lhes torna difícil a diversificação econômica.

Nem menos, trata-se de atrair maior número de viajantes, a partir de um planejamento que contribua para conseguir um desenvolvimento caribenho sustentável e tentar que os interesses das multinacionais turísticas estrangeiras se adaptem à sustentabilidade da também chamada indústria do turismo.

Dados oficiais revelam que desde 1990 até 2016, em média, o aumento de chegada de turistas ao Caribe Insular foi de 4% anual. Esse número dista do que conseguem outras regiões do mundo e responde ao clima de paz, colaboração e segurança que existe na área.

De acordo com o doutor José Luis Perelló Cabrera, outrora pesquisador do Centro de Estudos sobre a Economia e professor da Universidade de Havana, um aspecto central dentro da construção do contexto caribenho no turismo é a reprodução de relações herdadas do Velho Continente.

Uma vez entendido que os turistas buscam a autenticidade e os processos de mercantilização das culturas, dá-se a reinvenção das tradições culturais, através de uma relação étnica. Ressalta o especialista que «essa autenticidade liga-se com o passado e as sociedades mais primitivas. Então, a indústria turística pode produzi-la ou rentabilizá-la».

Igualmente, destaca que os Estados Unidos são o principal emissor de turistas ao Caribe. Atualmente, 7,2 milhões de norte-americanos visitam a região.

No total, em 2016, 6.558.982 visitantes chegaram à República Dominicana, mais de 4.035.000 a Cuba; 2.231.776 a Porto Rico e 2.181.684 à Jamaica.

O PARADIGMA DO MULTIDESTINO

Nas palavras de Perelló, o turismo de cruzeiro, uma das modalidades turísticas mais estendidas em nível mundial representa uma opção viável para garantir um crescimento no fluxo de visitantes, perante uma oferta de serviços de alojamento que não garante a demanda de estada em alguns países. Falado de outra maneira, é a atividade que pode converter o Caribe em um multidestino.

Na temporada de cruzeiros 2015-2016, 26,8 milhões de passageiros chegaram a bordo de navios aos destinos caribenhos. Se a isso se somam as chegadas das tripulações, contam-se 38,2 milhões durante esse período.

O Caribe se converteu no destino de cruzeiros mais importante do mundo. Segundo dados de capacidade proporcionados pela Cruise Lines International, a indústria de cruzeiros tinha 60 milhões de passageiro-dias espalhados em toda a região em 2016, o que representa 40% da capacidade mundial da indústria.

Só o Caribe insular recebe mais de metade de todas as viagens de cruzeiros. A modalidade gerou uns US$2,2 bilhões em gastos diretos, 56 mil postos de trabalho e US$ 720 milhões de dólares em salários de empregados.

Para Perelló, existem duas grandes rotas multidestinos possíveis no Caribe. Uma inclui os principais destinos turísticos da zona (República Dominicana, Cuba, Bahamas) e outra que abrange o arco das Antilhas Menores.

Na opinião do especialista, «os cruzeiros não são exclusivos para férias de pessoas idosas, nem para as melhores classes econômicas, mas uma oferta de itinerários cada vez mais curtos, menos custosos e adaptados aos gostos e exigências de vários segmentos específicos do mercado».

Também, explica, os cruzeiros têm impactos econômicos positivos nos países onde operam, já que aceleram a construção de infraestruturas portuárias, o comércio, os serviços, etc.

Outras atrações do Caribe para a indústria de cruzeiros estão na pouca distância que há entre a maior parte de sua cadeia de ilhas e a variedade de sua flora e fauna terrestre e marinha, bem como sua proximidade da América do Norte e a parte da história do colonialismo europeu e os assentamentos mais antigos das Américas que guarda.

Os números da Florida Caribbean Cruise Association, citados por Perelló, mostram que 71% dos viajantes de cruzeiros provêm dos Estados Unidos, 12% do Canadá, 6% do Reino Unido e 5% da Alemanha.

Apesar de não ser uma alternativa fácil de implementar, o multidestino caribenho é realmente possível e a melhor oportunidade de realizá-lo assenta no turismo de cruzeiros e na elevada competitividade que isso exige à região.