ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A jornada “Temos Memória. Solidariedade Contra o Bloqueio” começou com um ato para homenagear o jovem italiano Fabio Di Celmo, no 20º aniversário de seu assassinato no hotel Copacabana, vítima da explosão de uma bomba. Também foi lembrado o pai, Giustino, lutador incansável contra o terrorismo. Foto: Orlando Perera

PARA incrementar as ações sobre o governo dos Estados Unidos e o obrigue a pôr fim ao criminal bloqueio econômico, comercial e financeiro contra Cuba, pessoas de boa vontade e organizações de solidariedade farão a jornada “Temos Memória. Solidariedade Contra o Bloqueio”.

As atividades começaram com um ato, em 4 de setembro, no Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP), dedicadas a homenagear o jovem italiano Fabio Di Celmo, no 20º aniversário de seu assassinato, no hotel Copacabana, em Havana, vítima da explosão de uma bomba.

Também foi lembrado seu pai, Giustino, lutador incansável contra o terrorismo. A esse respeito o presidente do ICAP e Herói da República, Fernando González Llort, disse: «Temos a obrigação de lembrar ao governo norte-americano a dívida histórica que tem com o povo de Cuba».

No dia 9 de setembro, a campanha internacional promoverá uma carreira de maratona contra a medida unilateral coercitiva que Washington aplica à Ilha caribenha, evento que comemorará, também, o 57º aniversário da organização comunitária Comitês de Defesa da Revolução (CDRs). Por isso, a linha de saída estará colocada perto da varanda norte do Museu da Revolução, lugar onde o Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz fundou a maior organização de massas do país, em 28 de setembro de 1960. A linha de meta será na Tribuna Antiimperialista José Martí, avenida na beira-mar (Malecón havanês).

Nas restantes cidades cubanas os membros do CDRs, jovens, crianças, fãs do esporte e a população em geral correrão pelas avenidas, ruas e estradas dos povoados e vilas das montanhas, para desenvolver esta carreira-caminhada, e se espera uma grande presença de cubanos, desde o cabo San Antonio, no recanto mais ocidental, até o recanto mais oriental de Maisí, para apoiar a Revolução e expressar oposição ao imperialismo norte-americano.

Precisamente, em Washington, de 11 a 16 de setembro será efetuada a 3ª Jornada contra o Bloqueio, centrada em denunciar as afetações causadas por esse cruel cerco econômico ao setor da saúde na Ilha caribenha. E para isso serão convidados jovens graduados da Escola Latino-americana de Medicina (ELAM) de Havana e prestigiosos médicos cubanos.

O evento terá como sede várias universidades da capital estadunidense e de Maryland. Uma de suas atividades será a exibição do documentário acerca da ELAM “Atrévete a Soñar”, da cineasta Jennifer Wager. Ainda, serão enviadas 50 cartas a senadores e representantes para solicitar conversas e tratar com eles temas ligados ao bloqueio.

Igualmente, em dezenas de eventos comunitários nos EUA, os delegados assistentes recusarão o Memorando Presidencial de Segurança Nacional acerca do Fortalecimento da Política contra Cuba, assinado pelo presidente, Donald Trump, em Miami, Flórida, em 16 de junho, que faz recuar alguns avanços obtidos na aproximação entre ambos os países.

Também, apoiarão um projeto-de-lei apresentado ao Senado norte-americano pelo democrata Ron Wyden, com o co-patrocínio de vários membros do seu partido: Patrick Leahy, Dianne Feinstein, Richard Durbin, Tom Udall, Patty Murray e Jeff Merkley, cujo propósito é estabelecer relações comerciais normais com o país caribenho.

No âmbito atual, assume particular relevância o apoio global à luta contra o bloqueio econômico, porque em meados de novembro o governo cubano apresentará novamente, perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, seu projeto de resolução: “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”.

Em 2016, ao apresentar o dito documento, o chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla assinalou que o ex-presidente Barack Obama e outros altos funcionários desse governo qualificaram o bloqueio de obsoleto, inútil, para fazer avançar os interesses estadunidenses, falhado, sem sentido, inviável, de ser uma carga para os cidadãos, que afeta o povo cubano e provoca isolamento aos Estados Unidos.

Ao ser submetida à votação essa resolução cubana na ONU, em 2016, recebeu a recusa de 191 países, entretanto os Estados Unidos, que o impõem, e Israel, seu aliado tradicional, abstiveram-se pela primeira vez.

Apesar desta contundente recusa e do restabelecimento das relações diplomáticas bilaterais, em julho de 2015, o Departamento norte-americano do Tesouro, a partir dessa data e até a atualidade, impôs multas a 11 entidades, das quais sete são norte-americanas e quatro estrangeiras, por mais de US$ 2,8 bilhões.

Por exemplo, a companhia estadunidense de seguros American Internacional Group (AIG), levou uma multa, em junho último, de US$ 148.698, por se envolver em 29 aparentes violações do cerco anticubano, ao facilitar com seguros vários envios de mercadorias para ou desde Cuba.

O bloqueio, imposto a partir de fevereiro de 1962, causou perdas à economia cubana por mais de US$ 753,6 bilhões, levando em conta a depreciação do dólar respeito ao valor do ouro no mercado internacional. Aos preços normais, os prejuízos ao país equivalem a mais de US$ 125 bilhões. Entre abril de 2015 e março de 2016, as afetações económicas diretas provocadas a Cuba pelo bloqueio ascenderam a US$ 4,6 bilhões aos preços normais, calculados com todo o rigor e de maneira prudente e conservadora, segundo expôs Rodríguez Parrilla na ONU. E asseverou: «O bloqueio é a principal barreira para o desenvolvimento econômico e social de nosso povo».