ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

DEPOIS da passagem do potente furacão Irma, cujos ventos convertidos em tempestade tropical afetaram a totalidade do arquipélago cubano, as autoridades e a população em geral estão concentradas nos trabalhos de recuperação, para reativar os serviços básicos e recuperar as quantiosas afetações materiais provocadas por esse fenômeno natural.

Neste sentido, o Conselho de Defesa Nacional para a Redução de Desastres prioriza a reabilitação do serviço de luz elétrica, o restabelecimento do abastecimento regular de água à população e o recomeço do ano letivo. As autoridades cubanas reafirmaram que ninguém ficará desamparado.

Uma nota informativa do Estado-Maior Nacional da Defesa Civil informou que por causa da passagem do perigoso fenômeno atmosférico pelo território nacional registrou-se — até o momento — a perda de dez vidas humanas, nos territórios de Havana, Matanzas, Camaguey e Ciego de Ávila.

TRABALHADORES DA UNIÃO ELÉTRICA ESFORÇAM-SE INCANSAVELMENTE

A União Elétrica trabalha intensamente na restauração do sistema elétrico nacional, que impactado pelo vento do furacão Irmã durante mais de 72 horas, teve avarias quantiosas.

O diretor técnico dessa entidade, Lázaro Guerra, expressou que por esse motivo as afetações predominam no país todo.

Acrescentou que já foi restabelecido o serviço nas províncias de Santiago de Cuba, Guantánamo, Granma, Holguín, Las Tunas e Camaguey pela contribuição das usinas termoelétricas (CTE) Renté, uma unidade geradora em Nuevitas e outra em Felton.

«Essa, explicou o engenheiro, é uma zona ou uma ‘ilha’, como se diz em termos elétricos, bem fortalecida pela geração dessas usinas». Porém, esclareceu que não significa que o serviço seja estável, requer para isso de um trabalho muito detalhado, de análise e constante avaliação para garantir a estabilidade e não recuar, pois um engano pode representar 36 horas de demora no trabalho.

Guerra disse que a zona ocidental está mais enfraquecida, pois a geração se dá de forma parcial. Nessa zona só entrega eletricidade uma unidade do leste de Havana, também funciona Energás, em Jaruco, bem como a geração distribuída da capital. Entretanto, na região central esperam pela incorporação da unidade geradora Carlos Manuel de Céspedes, de Cienfuegos.

Precisou Guerra que as afetações não são de caráter tecnológico, mas têm a ver com a integridade do sistema elétrico nacional.

«O não funcionamento de algumas dessas usinas, ligadas à rede nacional, responsáveis por 74% da demanda do país, impede dar o serviço totalmente». E explicou que delas, exceto a Rente, em Santiago de Cuba, e a de Cienfuegos, o resto fica na costa norte, a mesma que foi açoitada com violência pelo furacão. «Sem a interligação das usinas ao sistema não se consegue estabilidade no serviço e não se pode operar. Por isso, foram criadas as chamadas ‘ilhas’», arguiu, para depois uni-las ao sistema nacional e dar sustentabilidade ao serviço.

Por tal motivo, embora já existam circuitos reparados, não é possível fornecer eletricidade devido ao déficit de geração.

Segundo o diretor-geral da Empresa Elétrica de Havana, Jesús Samón, entrevistado pelo Noticiário Nacional de Televisão, na capital, incluída a enfraquecida ‘ilha’ ocidental, a só 24 horas da passagem do furacão Irmã, conseguiu-se restabelecer parcialmente o serviço elétrico. Em zonas como a subestação de San Agustín, La Lisa, foi restabelecido o serviço na madrugada, também algumas áreas da Havana Velha, avenida del Puerto, uma fatia de Boyeros e em Plaza.

FAZER FUNCIONAR DE NOVO A REDE DE AQUEDUTOS

«O abastecimento de água é outro dos serviços que sofreu afetações na passagem de Irma, mas já se trabalha em sua normalização», asseverou a presidenta do Instituto Nacional dos Recursos Hidráulicos, Inés María Chapman.

As províncias orientais reataram o abastecimento de água na medida em que o sistema elétrico nacional foi se recuperando nesses territórios.

No caso de Santiago de Cuba, Guantánamo e Granma, nesses lugares as canalizações não tiveram afetações.

Nas províncias onde persistem as afetações energéticas, trabalha-se para satisfazer as necessidades da população através de geradores auxiliares de emergência e entrega de água em carros-pipas.

Já começou o deslocamento de recursos para a região do país, severamente afetada pelo furacão Irmã. Neste momento, sete carros-pipas e várias brigadas de trabalho viajam a esses lugares para começar a recuperação e garantir o abastecimento», asseverou Chapman.      

«Em Havana existem outras complicações», alegou. Os sistemas são maiores, pelo que se precisa de mais operários nas reparações e maior movimento no abastecimento de água».

Contudo, para a presidenta do Instituto Nacional dos Recursos Hidráulicos em menos de 72 horas poderá ser resolvida a maioria das problemáticas de abastecimento na capital.

Uma notícia alentadora chega de Sancti Spíritus e é que a barragem Zaza recebeu do furacão grandes benefícios e às 18 horas do dia 11 de setembro acumulava 813 milhões de metros cúbicos de água — 80% de sua capacidade total — nada a ver com o estado deprimente de mostrou durante quase todo o ano e, inclusive, o que mostrava há pouco mais de 72 horas, quando só acumulava 17% da capacidade.

IMPORTANTES AFETAÇÕES EM INSTALAÇÕES DO SISTEMA DE ENSINO

«O setor educativo também caminha rumo à sua recuperação», comentou à imprensa a ministra da Educação, Ena Elsa Velázquez.

Até o momento, existem mais de 1.400 instalações educativas afetadas, umas 500 delas na capital. Não obstante, já começamos em todas as escolas do país o processo de limpeza para criar as condições necessárias para recomeçar o ano letivo o mais brevemente possível», acrescentou.

«Ainda o Ministério não marcou uma data para recomeçar as aulas, levando em conta que nem todas as províncias sofreram iguais afetações. Não obstante, estima-se que as salas de aulas do país todo abram as portas durante esta semana», esclareceu a ministra.

INDÚSTRIA TURÍSTICA CUBANA ESTARÁ PRATICAMENTE PRONTA PARA A TEMPORADA ALTA

«A partir da disponibilidade de 4.600 apartamentos, as quais representam a maioria das que possui o polo turístico da província de Holguín, esse território está em condições de receber visitantes de qualquer recanto do mundo que desejem desfrutar das belezas naturais desta zona do país», segundo informaram o representante do Ministério do Turismo na província, Eddy Santos González e a delegada territorial do grupo Gaviota em Oriente, Zarais Yunesca Ochoa Santana.

O ministro do Turismo, Manuel Marrero, asseverou que a reabertura das operações dos hotéis de Holguín com Inglaterra e Canadá é devido à confiança das agências de viagens na capacidade de Cuba e dos trabalhadores do ramo para enfrentar situações como a vivida recentemente.

«Valorizam muito alto essa experiência de enfrentar o furacão com o grande número de clientes que se acolhia aqui e que estes cumprissem todas as indicações dadas pela direção dos hotéis para preservar suas vidas».

Algo muito importante, insistiu, é que as instalações tiveram uma boa preparação para enfrentar o fenômeno natural e que os diretivos não ficaram nos escritórios, mas sim junto aos turistas, partilhando esses minutos difíceis.

Afirmou que os polos de Cayo Coco e Cayo Santamaría (ilhotas), embora tenham sofrido afetações, ficarão prontos para a temporada alta, daí que no decurso deste processo de recuperação, devem ser bem aproveitadas as possibilidades que oferece o polo de Holguín, caracterizado pela qualidade dos serviços.

O furacão Irmã pôs à prova a vontade dos cubanos que trabalham na recuperação das infraestruturas afetadas em povos e cidades, na coleta de escombros, em tarefas de limpeza, no restabelecimento das comunicações e nas tarefas urgentes da agricultura, que sofreu importantes afetações (Redação Nacional do Granma Internacional)