ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O presidente do ICAP, Fernando González Llort reconheceu o legado solidário da organização IFCO-Pastores pela Paz fundada por Lucios Walker. Photo: Ismael Batista

O compromisso solidário por mais de 50 anos da Fundação Interreligiosa para a Organização Comunitária (IFCO)-Pastores pela Paz foi destacado em um ato de comemoração no Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) em Havana.

Igualmente, foi reconhecido o legado do seu fundador, o reverendo estadunidense Lucius Walker, sete anos depois do seu desaparecimento físico, por seu compromisso político e sua tomada de consciência em perpetuar uma mudança nas relações sociais do mundo, contestando o poder hegemônico dos Estados Unidos.

Na atividade, Gail Walker, filha de Lucius, e diretora executiva dos Pastores pela Paz, lembrou o ímpeto do seu pai para atrair a atenção pública para sua luta contra as injustiças e por acompanhar os processos revolucionários ocorridos na Nicarágua e Cuba.

Nomeou Lucius como mestre, pastor, organizador comunitário e significou: «Foi um filho amado de Fidel Castro, ele teve a ideia de acolher os jovens que não tinham recursos para estudar medicina nas universidades dos Estados Unidos e trazê-los aqui para formá-los como médicos, com o único compromisso de retornar após se formarem e prestarem serviços nas comunidades mais necessitadas». A ativista disse que se sentia orgulhosa ao ver como tantas pessoas honram seu pai em diversas partes do mundo.

O reverendo Walker nasceu em 3 de agosto de 1930, em Nova Jersey. Em maio de 1964 patrocinou a Comissão Nacional para Abolir a Casa de Atividades Antiamericanas e em 1967 criou a IFCO. Ocupou o cargo de secretário-geral adjunto do Conselho Nacional das Igrejas desde 1973 até 1978 e em 1984 se converteu em pastor da Igreja Batista da Salvação.

Em sua estada na Nicarágua Sandinista concebeu o projeto Pastores pela Paz quando foi ferido em um ataque da contrarrevolução nesse país centro-americano. Com essa plataforma, a partir de 1992, impulsionou 21 Caravanas da Amizade (hoje chegam a 28), que proporcionou doações ao povo cubano, como forma de driblar o genocida bloqueio econômico, comercial e financeiro dos EUA a Cuba. Morreu em 7 de setembro de 2010.

O Herói da República de Cuba, Fernando González Llort, presidente do ICAP, referiu-se aos esforços de Lucius para conseguir maior apoio das igrejas às organizações progressistas e à luta pela justiça social, principalmente nas comunidades mais desfavorecidas, como as afro-americanas e as latinas.

O funcionário cubano reafirmou: «Sua liderança ajudou a encorajar iniciativas com caráter internacional como o apoio aos refugiados provenientes do Haiti ou as delegações e caravanas enviadas à América Central. O envio de doações a Cuba serviu para divulgar a realidade cubana no povo estadunidense e organizar um movimento que advoga pela eliminação das políticas hostis da Casa Branca para a Ilha caribenha», explicou González Llort.

Lembrou o significado da segunda caravana a Cuba, a qual desafiou as autoridades norte-americanas ao cruzar a fronteira por Laredo, Texas, após percorrer 90 cidades do país, recolhendo 12,5 toneladas de remédios, leite em pó, bicicletas, materiais escolares e bíblias.

Ali, um ônibus foi retido, com o propósito de obstaculizar a passagem dos membros da caravana, o que gerou uma greve de fome, até se conseguir a passagem da carga. «Não imaginavam que esse veículo viria converter-se em um ícone da luta contra o bloqueio e em uma genuína expressão da amizade entre nossos povos», afirmou o dirigente cubano.

Comentou, ainda, que a IFCO participou ativamente da luta pelo retorno do menino Elián González e aderiu à campanha mundial pela libertação dos Cinco. Concluiu suas palavras agradecendo à organização e convocando-a a somar mais integrantes nas próximas caravanas. E advertiu: «Cuba necessita de mãos solidárias que se levantem unidas em apoio à sua soberania».