ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

CAMAGUEY.— Na extensa geografia desta província cubana, sobretudo no setor agropecuário, fortalece-se no decurso dos dias um conceito categórico e de muita lição: mais do que falar do furacão Irma, seus destroços e inúmeras perdas, só se pode falar de outro furacão: o trabalho.

«Esta é a filosofia que prevalece nestas planícies para erradicar, de vez, as lamúrias, o pessimismo e a inatividade, às vezes tão daninhos ou mais do que as mortíferas rajadas do ciclone tropical, em sua destrutiva passagem de outono por toda a costa norte de Cuba».

Assim falou Jorge Luis Tapia Fonseca, em sua condição de presidente do Conselho de Defesa Provincial, preocupado pelas inúmeras afetações no setor agropecuário, mas com certeza em sua capacidade de resposta. Tapia esclarece que nenhum dos compromissos produtivos mudará.    

E é que a estratégia fica bem definida: depois dos estragos de Irma que fez recuar meses de dedicação na criação de novas plantações de tubérculos, todos os recursos humanos e materiais são destinados à recuperação e à aplicação de um programa imediato de produção alimentar.

PLANTAR, REABILITAR E TRABALHAR

Cada uma das bases produtivas de Camaguey tem consciência do indispensável que resulta acelerar (não perder tempo em assuntos secundários), a coleta do maior número de tubérculos ou frutas úteis ainda nos campos, depois de classificadas, bem seja para o consumo humano ou animal.

«Isto é preciso realizá-lo, sobretudo, na banana, com muita agilidade, pois cada segundo demorado nos trabalhos de reabilitação pode resultar nefasto para a plantação», assinala, com o facão na mão, Odelio Rojas Gómez, trabalhador do polo produtivo Las Flores, em Nuevitas.

Com o experiente plantador de banana concorda o presidente da cooperativa Niceto Pérez, em Nuevitas, Carlos Hidalgo Rodríguez, quem apela aos associados devido à necessidade de enfrentar a etapa de recuperação, aproveitando a umidade do solo para preparar a terra e começar as atividades de plantio.

«Essa deve ser, hoje, a forma de agir em cada camponês, comenta, também de como utilizar otimamente os recursos, esmerar-se por realizar bem as atividades, sem bagunça e contribuir em todo o que puder para minimizar, no possível, a carência que deve predominar em alguns tipos de tubérculos».              

O diretor da Empresa Agropecuária de Nuevitas, Hernando Gutiérrez Rodríguez, explicou que com esse objetivo reajusta-se o plano da temporada invernal, não para fazer menos, mas sim para crescer em hectares e em variedades, escalonar o plantio e aplicar alternativas que possibilitem obter mais alimentos para o povo.

ISTO SE CONSEGUE ENTRE NÓS

Cientes que o milagre só se dará com o fruto dos seus próprios esforços, os pecuaristas de Camaguey aproveitam o benefício da água e a melhoria nas pastagens para fechar os últimos quatro meses de 2017 com bons resultados na produção de leite, que deve atingir os 88 milhões de litros vendidos à indústria.

Sem deixar atrás os trabalhos de recuperação, os suinicultores se empenham em pôr fim, no mais breve possível, às afetações causadas nas unidades especializadas, nas instalações de produtores individuais e na usina de rações, para começar o fornecimento de carne suína e não dificultar o crescimento planejado na entrega de carne.

Muito menos renunciarão os trabalhadores da Unidade Apícola de Camaguey às 700 toneladas comprometidas de mel de abelha, levando em conta a decisão de assumir, no centro e sul da província, o que se deixe de produzir nos quatro municípios do norte, devido à perda praticamente de toda a floração costeira.

«Isto se consegue entre nós», assevera o diretor da Empresa Avícola, Yoandri Abad Escobar, referindo-se aos trabalhos executados com o apoio de duas brigadas de telhadores de Santiago de Cuba e de Guantánamo, para proteger as aves e incrementar pouco a pouco a produção de ovos.

«Aqui não foi perdido um minuto: ao passo que se recuperava a telha caída e era endireitada para sua reutilização, as mulheres foram responsáveis por garantir a comida e a água para as galinhas», acrescenta o administrador da chácara Antonio Suárez, do município de Minas, Santiago Sierra Pupo.

CUBITA NÃO PERDERÁ SEU SIMBOLO

Acordar no dia seguinte, depois do furacão e ver coberto o solo de toranjas e laranjas que com tanta dedicação atenderam no começo da nova colheita, ainda impacta e impressiona os trabalhadores da Empresa Agropecuária e Citrícola Sola, em Serra de Cubitas.  

«Esse é o símbolo deste município e por isso temos que esforçar-nos para minimizar as perdas», assevera o diretor da entidade Raúl Bárcenas González, entretanto controla os trabalhos de cata de toranja na unidade básica de produção cooperativa Amizade Cuba-Argentina.

«Uma parte pode ser salva e já se envia às usinas processadoras ou a outros destinos para sua comercialização, mas um volume importante é impossível recuperar, pois os frutos ficaram muito afetados ou caíram antes do tempo previsto», diz o chefe da chácara integral Antonio Maceo, José Antonio Ibáñez Soria.

Acostumados a enfrentar as adversidades, o citricultores se empenham também na limpeza da grama com facão, a fertilização e a poda de saneamento, para reabilitar as velhas plantações e proteger os 260 hectares de produção que garantirão a permanência do cítrico nas terras roxas de Cubitas.

«Temos muito trabalho por fazer, mas o importante é não deixar-se traumatizar e mostrar o desejo de vitória», expressou Bárcenas González, determinado em manter invariável, com firmeza, o programa de desenvolvimento da entidade em função dos interesses supremos do país.