ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Omar Felipe Mauri Sierra, vencedor do Prêmio Nacional de Literatura Infantil, em 1993, destaca que as histórias são um excelente modo de narrar acontecimentos relevantes do passado e favorecer o conhecimento das crianças acerca de fatos e pessoas transcendentais.

PARA o escritor Omar Felipe Mauri Sierra (Bejucal, Havana, 1959), quem é autor de uma extensa obra encaminhada às crianças e jovens, as histórias em quadrinhos ou a nona arte, como também são conhecidas, pode-se tornar hoje, em Cuba, uma forma eficaz para a promoção de nossos valores patrimoniais, históricos e culturais.

Segundo Mauri, unir, organizar e apoiar coletivos de criação desse gênero é uma necessidade real. «Ficou provado, diz, que as histórias, longe de afetar os hábitos de leitura nas primeiras idades, motivam as crianças e as encorajam a combinar em um mesmo exercício dois tipos de leituras diferentes: a gráfica e o sinal».

«Seu poder comunicativo, explica, remonta ao amanhecer dos tempos: pinturas rupestres, hieróglifos egípcios, lenços e tapetes antigos, a Coluna Trajana, códices mesoamericanos, pergaminhos medievais, etc. A Revolução Francesa utilizou a história em quadrinhos como ‘guilhotina’ humorística contra a podridão moral da aristocracia. O desenvolvimento da imprensa (especialmente, a rotativa) e os jornais no começo do século 20, contribuem para a universalização dela. Alega-se que Hitler proibiu os alemães a lerem. Durante a Guerra Fria os super-heróis do papel foram verdadeiros cavalos de Troia contra o socialismo, as lutas de libertação e os movimentos progressistas».

Ciente das capacidades comunicativas e formativas da história em quadrinhos, sua importância na cultura contemporânea e nas novas tecnologias (animações, TV, videogames, etc.), por tudo isso se vive uma idade de ouro em nível mundial. A partir de 2015 este criador se dedica a escrever roteiros para mais de uma história.

Neste trabalho achou o interesse de várias editoras cubanas e de vários grupos de jovens designers e pintores, aos que conseguiu unir em seu trabalho e que gosta de chamar grupo criativo. Eles são artistas das artes plásticas, graduados da Escola de Instrutores de Arte Eduardo García Delgado, de Havana; da Academia Eduardo Abela, da província de Artemisa; do Instituto Superior da Arte (ISA), licenciados também em comunicação ou audiovisuais, em municípios da província Mayabeque e de outras províncias.

Seus dois primeiros roteiros correspondem às histórias em quadrinhos Juan Delgado. Un relámpago a caballo, com ilustração de Wimar Verdecia Fuentes; e Las estrellas del general Quintín, com ilustração de Maykel Luis García Díaz, publicadas pelas editoras Pablo de la Torriente, da União de Jornalistas de Cuba (por sua sigla em espanhol UPEC) e Gente Nueva, respectivamente. Depois, criou Tiempos de cocuyos, com de-senhos de Wimar Verdecia Fuentes, María Ester Lemus Cordero e Irán Hernández Castillo, editada pela editora Pablo de la Torriente e El oro de Oyá, com desenhos de Wimar Verdecia Fuentes, pela editora Capitán San Luis.

«As histórias em quadrinhos, diz-nos Mauri, usadas como instrumento de reafirmação, libertação e justiça, são uma arma infalível. Hoje, que a desmemória e o esquecimento fazem parte do novo plano do imperialismo ianque, elas contribuem para reafirmar a história e os valores autênticos da nação, para chegar às novas gerações com prontidão, imaginação e novidade».

«Se uma imagem vale mais do que mil palavras; uma anedota influi mais do que mil imagens. Esse é nosso propósito», disse-nos finalmente este autor, que já está pensando em escrever novos roteiros.