ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Ato no Icap, como parte da jornada de homenagem pela descolonização de Porto Rico. Fala o presidente da instituição, Fernando González Llort. Photo: (cortesía ICAP), Karoly Emerson

AINDA nas difíceis condições deixadas pelo furacão María, em sua passagem por Porto Rico, Edwin González, representante da missão porto-riquenha em Havana, asseverou que a causa pela descolonização de seu país continua sendo a prioridade para todos aqueles com um agir consequente rumo à emancipação social.

Na jornada de lembrança do Grito de Lares (23 de setembro de 1868), que inspira as gerações atuais a manter suas bandeiras em alto pela soberania nacional, o militante porto-riquenho afirmou que prosseguirão as ações até alcançar a verdadeira soberania, porque ainda são governados pelos Estados Unidos, que exercem uma grande pressão para pagar uma dívida fiscal inventada pelas próprias companhias estadunidenses.

Referiu que hoje os porto-riquenhos sofrem uma conjuntura difícil, provocada pelo açoite de dois furacões, Irma e María, com um desastre ainda não quantificado totalmente, o qual agrava a complexa situação econômica com a impossibilidade de acessar a fundos financeiros para repor os danos ao povo, carente de recursos materiais.

Indicou que a Junta de Controle Fiscal, um grupo designado pelo governo da Casa Branca para impor medidas de austeridade e com maior poder nas autoridades locais, com grande cinismo autorizou a mobilizar US$2 bilhões, só em caso de emergência, e é conhecido que a Ilha caribenha está totalmente devastada.

Em relação a isso, assinalou: «O positivo do momento é ver nosso povo unido, prestando-se ajuda uns a outros para a auto-evacuação durante a passagem do furacão e agora limpam sua área e sua rua para tentar restabelecer a normalidade, no menor tempo possível. Esta atitude nos fortalece como nação e avançamos em nossa luta por alcançar a descolonização dos Estados Unidos».

Edwin González, representante da missão porto-riquenha em Havana, agradece o gesto solidário do governo cubano de oferecer ajuda às vítimas causadas pelo furacão María em sua passagem pela Ilha caribenha. Photo: (cortesía ICAP), Karoly Emerson

Agradeceu a Cuba pelo oferecimento de ajuda para socorrer as vítimas dos ciclones, que ainda não receberam resposta por parte dos EUA. Contudo: «a unidade dentro do próprio povo porto-riquenho e essa visão de país, afastado do território norte-americano nos ajudará a conquistar a vitória face ao colonialismo, além das decisões da Junta de Controle Fiscal, do governo anexionista e dos próprios entes econômicos enfrentados neste instante», sentenciou.

Desde 1975, cada ano na capital cubana se comemora uma jornada de apoio à descolonização de Porto Rico, coordenada pelo Instituto Cubano de Amizade com os Povos (Icap), na qual se rememora a Declaração de Independência pronunciada com o Grito de Lares e presta-se tributo ao pai fundador da pátria Ramón Emeterio Betances e ao patriota independentista Filiberto Ojeda, assassinado também em 23 de setembro pelos agentes da Agência Federal de Investigações dos Estados Unidos (FBI, sigla em inglês).

Acerca desta jornada, o presidente do Icap, Fernando González Llort, manifestou sua confiança em que um dia Porto Rico será livre e as atividades pelo ensejo da data serão desenvolvidas com novos propósitos: «Talvez naquela época, celebraremos a festa nacional, mas tenham presente o compromisso dos cubanos de manter-se ao lado do povo porto-riquenho por sempre».

Evocou ao Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, educador das novas gerações no tema da solidariedade com a Ilha irmã e afirmou que os cubanos de hoje têm a responsabilidade de apoiar as lutas independentistas dos povos do mundo, ainda colonizados.

O também Herói da República de Cuba, González Llort lembrou Filiberto Ojeda asseverando que «um dia haverá escolas e ruas com seu nome e o povo de Porto Rico terá ele em seu coração, como um dos lutadores intransigentes pela independência do país. Foi capaz, com mais de 70 anos, de deixar-nos um exemplo de resistência, de luta, de estar dispostos aos maiores sacrifícios pelo sonho de um Porto Rico livre e independente».

Esta jornada contou com a presença do trovador porto-riquenho, Roy Brown, que reafirmou o sentir de seu povo no refrão de uma canção de sua autoria: «Assim gritou ao vilão: eu seria porto-riquenho ainda que nascesse na Lua…»