ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Recebendo a Medalha da Amizade das mãos de Antonio Guerrero, um dos Cinco Heróis. Fotos: Cortesia do entrevistado

VINNIE MOLINA mantém una ativa solidariedade com a Revolução Cubana há anos, agora a intensifica por sua condição de presidente da Sociedade Australiana de Amizade com Cuba (Austrália-Cuba Friendship Society, ACFS WA Branch).

Nasceu na Guatemala, teve que refugiar-se vários anos no México, por seu incessante ativismo político, na década dos 80 e os 90 do passado século, contra a guerra suja patrocinada pelos Estados Unidos nessa nação da América Central, que provocou milhares de assassinatos e desaparecidos. Hoje, mora na Austrália e se desempenha como líder do Sindicato da Construção nesse país.

Entrevistado pelo semanário Granma Internacional, através do e-mail, assinalou que a Sociedade Australiana de Amizade com Cuba «foi criada na cidade de Perth, capital do estado da Austrália Ocidental, em abril de 1994».

«Um grupo de amigos de diferentes origens reuniu-se preocupado pelos efeitos daninhos do criminal bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra a população e as crianças, particularmente da Ilha maior das Antilhas». Lembra que naqueles anos «havia na Ilha uma forte crise econômica, provocada pela queda do bloco socialista do leste europeu e a extinta União Soviética e o acirramento do cerco unilateral anticubano de Washington, que ainda procura vencer a Revolução. Conhecemos que esse momento crucial de paz foi chamado Período Especial, porque o país teve que solucionar graves problemas sem se declarar propriamente em estado de guerra».

O grupo fundador era integrado pelos falecidos Vic Williams e sua esposa Joan Williams, os dois militantes do Partido Comunista da Austrália; Dorothy Parker, do Partido Trabalhista; Diana McTiernan, do Partido dos Verdes; Joana Zaliki e uma centena de pessoas sem filiação política, mas solidários com o povo cubano.

«Devo mencionar a doutora Katherine Edyvane, uma grande amiga da Pátria de José Martí, que realizou mutirões na Ilha, na década dos 90, e fez parte das missões médicas cubanas em Timor-Leste e Paquistão. Visitou Cuba em maio de 2015 e, infelizmente, faleceu vítima de câncer, em dezembro desse ano. Suas cinzas descansam no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella, do município Caimito, na província cubana de Artemisa».

«Nosso trabalho tem como centro a promoção da amizade entre ambos os povos e exigir dos Estados Unidos a devolução do território ocupado ilegalmente pela Base Naval de Guantánamo».

Assinalou que em anos anteriores desempenharam um importante trabalho na campanha internacional pela liberdade dos Cinco Heróis cubanos, injustamente presos nos EUA e na conformação da brigada de trabalho voluntário Cruz do Sul, que no mês dezembro viajou a Cuba para oferecer sua contribuição na agricultura e outras tarefas de interesse social, dialogar com o povo e conhecer a história e a realidade desse país. Manifestou que planejam organizar a brigada número 35ª, que neste ano visitará o Comando de La Plata na Serra Maestra.

Vinnie (à esquerda, com a bandeira) participando do protesto realizado contra o bloqueio a Cuba, em 18 de setembro passado, na frente do consulado dos EUA. Fotos: Cortesia do entrevistado

«Aliás, nos dias 17 do mês convocamos uma mobilização perante o consulado dos Estados Unidos, na cidade australiana de Perth, para exigir o fim do criminal bloqueio econômico. Na própria Perth distribuímos material bibliográfico aos pedestres para que conheçam que apesar do restabelecimento das relações diplomáticas entre ambos os países, a Casa Branca mantém intata as políticas de ingerência contra o povo cubano», alegou.

Por que o senhor aderiu ao grupo?

«Encorajou-me conhecer o trabalho solidário que fazem as brigadas médicas cubanas em comunidades de difícil acesso na Guatemala, primeiramente como una emergência sanitária e depois como parte do Programa Integral de Saúde, que foi desenvolvido em vários países da América Central afetados pelo furacão Micht. Lembro que nesse ano (1998) surgiu a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM), que gratuitamente outorgou bolsas de estudos para milhares de jovens do continente. Hoje, o número de graduados ultrapassa os 28.500 médicos de 103 nações, incluídos 170 dos Estados Unidos».

«Após chegar à Austrália Ocidental, em 1996, sendo membro do Partido Comunista conheci acerca da sociedade de amizade com Cuba e imediatamente a integrei».

«Nunca fico totalmente satisfeito com o trabalho conseguido, mas sinto orgulho do trabalho coletivo realizado dia a dia».

«Este inclui várias reuniões no mês para aprender mais acerca do socialismo cubano e planejar ações de solidariedade. Mantemos muito boas relações de trabalho com o Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) de Havana, e apoiamos projetos que necessitam recursos econômicos e financeiros na educação e saúde».

«Atualmente, contribuímos com um programa de pesquisa científica na cidade de Bayamo, no oriente cubano».

«Cuba representa para os latino-americanos e para muitas pessoas no mundo tudo aquilo que pode conseguir um país subdesenvolvido e carente de recursos naturais que dá justiça social e equidade a seu povo. Isso é o resultado de construir uma sociedade socialista, além das leis do mercado».

«Digo mais, Cuba é para os latino-americanos exemplo de independência, dignidade e autodeterminação».

Quantas visitas o senhor realizou a Cuba?

«Tive a oportunidade de viajar oito vezes. Primeiro como delegado do Festival Mundial da Juventude e os Estudantes, realizado em Havana, em 1997. Depois, como integrante e coordenador da brigada Cruz do Sul, em dezembro de 1999, 2002, 2005, 2009, 2013, 2015 e 2016».

«Lembro, especialmente, a visita de maio de 2015, porque o ICAP me concedeu a Medalha da Amizade, condecoração conferida pelo Conselho de Estado da República de Cuba. Recebi essa medalha das mãos do herói Antonio Guerrero, um dos Cinco. Esse reconhecimento me orgulha muito, renova meu compromisso e amor por esta Ilha do Caribe».

O que sente por Cuba?

«Por Cuba e os cubanos sinto um grande respeito e admiração. Nunca esquecerei o exemplo do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz e da liderança revolucionária que soube conduzir a Revolução em momentos complicados e hoje se mantém forte, apesar da complexidade do mundo em que vivemos.