ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

MAIS de 200 membros de 21 países, incorporados à 2ª edição da brigada internacional solidária “Pelos caminhos de Che Guevara”, visitam Cuba divulgando as causas que os motivam a lutar e atrair mais pessoas à batalha por mudar o mundo.

Visitar os lugares ligados ao Guerrilheiro Heroico, na Ilha maior do Caribe, resulta o principal motivo para lhe prestar tributo, no 50ª aniversário de seu assassinato na Bolívia. Daí sua participação no ato central previsto no dia 8 de outubro, na cidade de Santa Clara, onde está o memorial que honra o lendário comandante.

Eles percorreram a caverna Los Portales, em Pinar del Río; o complexo Morro-Cabaña, em Havana; o Memorial e Mausoléu do Front Norte de Las Villas, o museu da Ação do Trem Blindado; o monumento aos mártires de Sancti Spíritus; o Complexo Monumentário Camilo Cienfuegos; El Pedrero, no município Fomento e o cemitério dos mártires da Coluna no 8.

Com lágrimas nos olhos, as argentinas Claudia Menéndez, Loli Bracamontes e Ana Tenaglia, expressaram ao semanário Granma Internacional que Che Guevara ajuda hoje à reivindicação do sentido da luta e fortalecimento dos povos que enfrentam os embates do capitalismo neoliberal. Elas trazem uma mensagem solidária para que seja devolvido com vida o jovem Santiago Maldonado e pela liberdade da líder social Milagro Sala.

Elas alegam estar ligadas ao Movimento Argentino de Solidariedade com Cuba (MAS-Cuba) na cidade de Córdoba, que durante 2017 e 2018 fará várias atividades para lembrar efemérides importantes: o 90ª aniversário do natalício de Ernesto (Che) Guevara, em 14 de junho; e os 100 anos das reformas universitárias implementadas, em 1918, em sua cidade, sendo espalhadas pelo mundo, incluindo Cuba, através do líder estudantil Julio Antonio Mella. Preveem realizar muitos eventos que finalizarão com a comemoração do 60ª aniversário da Revolução cubana, em 1º de janeiro de 2019.

Claudia Menéndez quis denunciar os sofrimentos de seu povo, refletidos na venda do patrimônio nacional aos monopólios, a redução de emprego e o aumento do desemprego, bem como a criminalização dos protestos para esmagar o ativismo político e a perseguição dos líderes sindicais e de movimentos sociais. «Denunciamos, também, a guerra da mídia que nos impõem por várias formas: falsidade e tergiversação das notícias em prol de desideologizar a população e torná-la passiva com medidas neoliberais», assinalou.

Entretanto, Ana Tenaglia comentou as grandes mobilizações feitas, nos últimos meses, em várias cidades argentinas, exigindo reformas no ramo educacional, contra o desemprego e o subida dos preços nos principais produtos da cesta básica.

Acrescentou: «Nessas circunstâncias Che vive, indicando-nos o caminho para continuar nossas lutas. Ajuda-nos a respirar todos os dias, para não esmorecer, seguindo seus conceitos, sua valentia e seu internacionalismo». Sua colega Loli Bracamontes concorda com o critério, definindo-o como a esperança de um futuro melhor que motiva a pensar que um outro mundo é possível.

O grego Bagueli Gonatas alegou que as medidas de austeridade adotadas em seu país geraram um descontentamento generalizado, por causa da subida da carestia da vida, os impostos e o desemprego. «Queremos que as pessoas compreendam que lutamos contra um inimigo comum, que é o imperialismo em todas suas manifestações e, principalmente, o dos Estados Unidos».

Por tais razões se integrou à Associação Heleno-cubana de Solidariedade com Cuba e à Sociedade Cultural José Martí. «Meu trabalho é traduzir do espanhol para o grego diversos artigos acerca da Revolução, para publicá-los em blogues e sites alternativos», assinalou. E comentou que junto a outros colegas coordena grupos que desejam visitar Cuba ou integrar as brigadas internacionais. Agora, contam com uma rede nacional para integrar pessoas e criar consciência acerca do benéfico desta iniciativa para uma aprendizagem política.

«Nossa organização — assinalou — tem o propósito de denunciar qualquer política do governo grego que não respeite a soberania de Cuba, desafiamos o bloqueio cada ano e as proibições de viagens, expressando que nenhum presidente, lei ou política pode impedir as relações com este corajoso povo».

A colombiana Viviana Mejías Castrillón asseverou que o Movimento de Solidariedade com Cuba, em Bogotá, acompanha a Revolução cubana em todos os fronts da batalha em nível internacional, primeiro pelo fim do criminoso bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto há mais de 50 anos pelos Estados Unidos; pela devolução do território ocupado em Guantánamo, onde fica a ilegal base militar, e contra as políticas ingerencistas adotadas pelo governo da Casa Branca, especificamente com as transmissões radiofônicas e de televisão.

Manifestou: «Neste momento, organizamos em Bogotá a cátedra de pensamento Fidel Castro, em parceria com a organização Alba-movimento, integrada por diferentes agrupações sociais. Juntamos-nos para estudar as contribuições do Comandante-em-chefe e para continuar o legado dele. Em novembro, vamos organizar o encontro nacional dos grupos de solidariedade com Cuba, na cidade de Barranquilla, convidaremos vários intelectuais cubanos para que nos atualizem acerca da história e a realidade. Hoje, estamos arrecadando donativos que entregaremos às vítimas do furacão Irma».

Seu parceiro Ramón Jaramillo Correa informou que na cidade de Medellín desenvolvem-se diferentes atividades em escolas, locais de trabalho e praças da cidade, para dar a conhecer as políticas ingerencistas e hostis contra Cuba, impostas pelo governo norte-americano. Tencionam fazer variadas atividades para relembrar, em 14 de junho, o 90ª aniversário de Che Guevara e depois preparar uma jornada que comemore o 60ª aniversário da Revolução, em 1º de janeiro de 2019, continuando posteriormente até homenagear Camilo Cienfuegos, pelos 60 anos do seu desaparecimento físico, em 28 de outubro de 1959.

Com veemência asseverou: «Prestaremos tributo ao povo cubano por ter-nos ajudado a concretizar um acordo de paz em nosso país. Igualmente, Cuba nos continua acompanhando para aplicar o pactuado e construir a paz verdadeira. Queremos agradecer a este povo irmão por outorgar mais de mil bolsas de estudo gratuitas para jovens colombianos afetados pelos conflitos bélicos. Destes jovens,198 deles começaram seus estudos, provenientes de diferentes províncias e que pertencem às classes sociais de maior carência material e a diferentes etnias. Falo dos indígenas, negros, descendentes de africanos e camponeses, impossibilitados de estudar medicina nas universidades colombianas, por seu alto custo».

Acrescentou que estão muito preocupados pelas políticas que fazem recuar as relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba. Não os surpreendem as medidas do presidente Donald Trump porque nenhum governo da Casa Branca é benévolo com a Revolução cubana. «Chama-nos a atenção esse suposto ‘ataque acústico’ aos seus diplomatas em Havana, algo difícil de achar e de verificar. Em primeiro lugar porque eles tomam muitas medidas de segurança em todos os países, pelo temor de serem agredidos e serem os principais agressores dos povos do mundo. E, de passagem, demonstram desconhecer a realidade de Cuba, um país totalmente tranquilo para seus povoadores e os visitantes».

Jaramillo Correa falou contra esta nova calúnia do governo dos Estados Unidos e apelou a respeitar os acordos assinados durante a administração de Barack Obama, para permitir o progresso das relações bilaterais.

Por sua parte, o sindicalista estadunidense Rafael Justo Luna, assente no bairro do Bronx, na cidade de Nova York, significou as centenas de assassinatos efetuados nas ruas de seu país pelas mãos dos policiais.  

«Resolvemos organizar-nos e formar o grupo A vida negra vale. Cada segunda-feira, às 19h00, visitamos bares, restaurantes, pontos de comércio e outros lugares para divulgar que às pessoas assassinadas lhe dispararam porque são pobres, negros ou latinos», asseverou.

«Achamos que estamos perante um genocídio total», e assinalou que a imprensa justifica os assassinatos inventando histórias e defendendo a violência policial. «Nós demonstramos ao povo dos Estados Unidos que se assassina por pertencer à classe dos oprimidos, sejam imigrantes, homossexuais, mulheres ou religiosos. Disfarça-se uma falsidade mediante qualquer pretexto, como não pagar o bilhete de um meio de transporte público, venda varejista de cigarros na rua e fora de um ponto de comércio ou porque alguém supôs que levava uma arma», arguiu.

Acrescentou que partilhará estas histórias com seus companheiros da brigada para que seja conhecido o sofrimento no território dos Estados Unidos. Concluiu dizendo: «Cuba significa para nós o governo da maioria sobre a minoria. Admiramos a coragem dos cubanos de levantar-se com as armas e mudar os destinos do país para o melhoramento humano. Sinto dor quando vejo a injustiça e Che Guevara significa o símbolo para levantar-nos todos os dias e não sentir cansaço nessa luta».