ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

NOS primeiros dias do mês de outubro, na comunidade de Ixtepec, estado mexicano de Oaxaca, chove intensamente, mas isso não é um empecilho

para que idosos, adultos, crianças e grávidas, protegidos com guarda-chuvas, capas e casacos impermeáveis, esperem muito antes das seis da manhã para se consultarem com os médicos cubanos.

Em um hospital de campanha, no centro poliesportivo Che-Nita, trabalha uma brigada do contingente internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias Henry Reeve, que tem experiência em 19 países. Este contingente surgiu por iniciativa do Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz, em 19 de setembro de 2005, para socorrer as vítimas do furacão Katrina, que assolou a cidade de Nova Orleans, nos Estados Unidos.

Naquela ocasião, o então presidente norte-americano George W. Bush rechaçou o oferecimento consistente no envio de 1.586 médicos, 36 toneladas de medicamentos e meios elementares de diagnósticos.

Agora, os 40 integrantes da brigada assistencial cubana chegaram ao México, levando dez toneladas de equipamentos, materiais médicos e insumos e oferecem serviços as 24 horas do dia em medicina interna, pediatria, ginecologia, obstetrícia, ortopedia e traumatologia, cirurgia e neurocirurgia, auxiliados de imagens, psicologia, psiquiatria, reabilitação física e laboratório clínico.

O Granma Internacional contatou através do e-mail com o doutor Rolando Piloto Tomé, chefe da brigada e especialista em medicina geral integral (MGI), com um mestrado em epidemiologia, quem explicou que se encontram a cinco horas da capital do estado de Oaxaca, um dos mais pobres do México. Qualificou de muito difícil a situação com que se depararam.

«Muitas casas, mercados, instituições e até o próprio Hospital de Juchitan ficaram colapsados e neste momento são demolidos».

«Nós substituímos o atendimento médico que oferecia uma instituição de 30 leitos, da cidade de Ixtepec, a qual ficou parcialmente danada e está fora de serviço».

Sob quais condições prestam serviços?

«Armamos duas barracas grandes. Em uma delas oferecemos as atividades de consultas médicas, laboratório clínico e ultrassom, enquanto a outra é dedicada aos internamentos dos pacientes, que requeiram de ingresso para controlar e tratar da sua patologia. Também temos instalado barracas para o descanso de nossos colaboradores, para o armazém da farmácia e para a colocação da cozinha, onde elaboramos os alimentos.

«Oferecemos atendimentos de urgência e realizamos consultas desde as oito horas da manhã até por volta das 16 horas. Já temos atendido 3.163 pacientes em uma semana. Quando é identificado algum caso que requeira de tratamento cirúrgico, os especialistas cubanos se transferem de conjunto com o doente, em uma ambulância até o Hospital Militar e fazem a cirurgia».

«No domingo 8 de outubro, os cirurgiões neurológicos operaram uma fratura de crânio com afundamento e afetação da dura-máter, a mesma veio ser a primeira operação neurológica no istmo de Tehuantepec. Ainda, os ginecologistas e obstetras já praticaram oito cesarianas de urgência e três partos complicados. Além do mais, temos visitado os albergues, onde se encontram os danificados, que perderam suas moradias. Eles foram valorizados por uma equipe de especialistas em medicina geral integral, psiquiatria, psicologia e pediatria».

Doenças atendidas?

«Nos primeiros dias operamos três casos com múltiplos traumas; depois, atendemos pacientes com doenças crônicas descontroladas (diabetes, hipertensão, dores articulares, ósseas, etc). Chegam aqui muitas pessoas com estresse pós-traumático, tanto adultos quanto crianças, porque depois do terremoto do dia 7 de setembro, de 8.2 graus na escala Richter, continuaram as réplicas que já são mais de 7.000».

Opiniões da população sobre o atendimento médico recebido.

«A aceitação por parte da população de nosso trabalho foi excepcionalmente boa e cada vez que são atendidos agradecem ao nosso país pela ajuda que estamos oferecendo, de maneira gratuita. Manifestações de ‘Viva Cuba’, ‘Obrigados por ter vindo a ajudar-nos’, ‘Que Deus os bendiga’ e muitas outras as recebem os profissionais cubanos.

«Também nos visitaram autoridades governamentais e da secretaria de Saúde do governo federal e do estado de Oaxaca. Recentemente, José Narro, secretário da Saúde do México visitou o acampamento dos médicos cubanos. Fomos muito bem tratados.

«Os meios de comunicação tanto escrito, radiofônicos e da televisão transmitiram ao vivo e deste hospital entrevistas aos nossos profissionais e aos pacientes que vêm se consultar.

«Um exemplo que podemos mencionar é que a partir das seis horas da manhã já se encontra um grande número de pessoas esperando para consultar os médicos cubanos. Por exemplo, em 10 de outubro, foram atendidos 407 pacientes, apesar de que esteve chovendo a manhã toda. Eles ficaram sob a chuva, à espera de serem atendidos».

Estado de ânimo dos cubanos?

«A brigada encontra-se com um espírito muito alto e com uma atitude muito positiva perante o trabalho. Sentimos réplicas diariamente, várias com categoria de mais de cinco graus e embora isso gere temor, ficamos nos postos de trabalho dando o melhor de nós. Pomos bem alto a palavra Revolução»