ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Painel desenvolvido no Instituto Nacional de Oncologia e Radiologia de Havana. Da esquerda para a direita a doutora Tania Crombet Ramos, o doutor Jesús de los Santos Renó, o doutor Lorenzo Anasagasti Ángulo e os deputados cubanos doutor Jorge González Pérez, doutor Jorge Luis Fernández Yero e a doutora María Caridad Rubio, secretária. Photo: Nuria Barbosa León

O setor da saúde pública em Cuba é um dos mais afetados com a criminal política de bloqueio econômico, comercial e financeiro, imposta pelo governo dos Estados Unidos desde 7 de fevereiro de 1962 à Ilha e atualmente endurecida pela administração do presidente Donald Trump, desde 16 de junho último.

A afetação monetária acumulada nesta área da sociedade, pela aplicação da unilateral política, ascende a US$ 2,7 bilhões 2.711.000.600) e se analisamos o período de 1º de abril de 2016 a 31 de março de 2017, a estimativa dos danos econômicos se quantificam em mais de 87 milhões de dólares.

Assim o expôs, em uma audiência pública, efetuada no Instituto Nacional de Oncologia e Radiologia (INOR) de Havana, o doutor Jorge González Pérez, deputado da Assembleia Nacional do Poder Popular e presidente da Comissão Parlamentar de Saúde e Esportes.

A avaria dos equipamentos médicos não se pode solucionar em breve tempo, porque o fabricante se vê impossibilitado de fornecer as peças e acessórios, devido às proibições das leis do bloqueio econômico contra Cuba. Photo: Yaimí Ravelo

Também, destacou que esses números não incluem o dano real à população cubana, principalmente em seu impacto psicológico.

«O mais importante é o dano moral, sentimental, na qualidade de vida das pessoas, aspecto que não pode ser contabilizado economicamente», afirmou González Pérez.

Ressaltou, também, que as principais afetações causadas pela aplicação da injusta política contra o povo cubano são dadas pelas dificuldades para adquirir nos mercados estadunidenses medicamentos, reagentes, peças de reposição para equipamentos de diagnóstico e tratamento, instrumentos médicos e outros insumos necessários, que permitem o melhor funcionamento do setor.

Os medicamentos para quimioterapia são muito custosos e devem ser comprados através de terceiros países, porque Cuba não pode comprar diretamente no mercado norte-americano. Photo: Yaimí Ravelo

«Devemos comprar produtos para esta esfera em mercados tão distantes como na China, o qual acarreta uma situação econômica difícil no embarque e no transporte e, por conseguinte, dificuldades com a presença no país desses medicamentos, que demoram em chegar ao Caribe. Isto nos obrigou a aumentar o número de armazéns para comprar mais do que se precisa e ter uma reserva para não carecer dos fármacos que necessitam nossos doentes. Muito diferente seria se pudéssemos comprá-los nos Estados Unidos».

Por tais razões elogiou o esforço dos médicos cubanos para encarar essas limitações e incrementar os anos de vida da população para mais 79 e com uma qualidade reconhecida em nível mundial, chave no sucesso do sistema de saúde cubano.

Com ele concordou a doutora Tania Crombet Ramos, diretora de Pesquisas Clínicas, do Centro de Imunologia Molecular (CIM), quem explicou que as afetações do bloqueio aos centros científicos se podem explicar na impossibilidade de registrar novos medicamentos cubanos nos Estados Unidos, e de que pacientes norte-americanos não possam ser tratados com esses fármacos produzidos em Cuba.

Mencionou a especialista que hoje se realizam testes clínicos em parceria, sob estritos regulamentos aprovados pelos departamentos do Estado e do Tesouro, dos Estados Unidos e com proibições para acessar a produtos diagnósticos e terapêuticos. Também, existem dificuldades para cobrar a remuneração financeira por conceito de publicações científicas, bem como na comercialização de produtos inovadores em ambos os sentidos.

«No ano 2014, o instituto estadunidense especializado em doenças oncológicas, nomeado Robert Park, em Nova York, reconheceu a validez da data científica gerada pelo CIM. Eles quiseram tomar os resultados das pesquisas para beneficiar um grupo de pacientes. Entraram em um processo muito chato e só se conseguiu uma licença para a pesquisa e não para a comercialização. Ou seja, só é possível a realização de um teste clínico em solo norte-americano», comentou.

Isso significa, segundo referiu a doutora em ciências, que o produto cubano se pode enviar aos EUA, mas eles não podem transferir nenhum equipamento ou tecnologia que facilite a realização conjunta de pesquisas científicas. Essa licença também não permite a troca da documentação técnica que se gere e os resultados devem ser discutidos sob supervisão de advogados estadunidenses. Igualmente, impede-se o pagamento da pesquisa e o CIM deve arcar com todas as despesas do teste clínico.

A doutora Crombet Ramos listou mais de 30 artigos científicos aceitos em publicações importantes do mundo que não puderam ser pagos aos autores cubanos. Os bancos, dentro e fora do território dos Estados Unidos, se negam a realizar esse tipo de transferência, porque são perseguidos e multados. «Posso mencionar nomes de bancos da Suíça, Egito, Índia e outros que não aceitam uma transferência bancária a Cuba. Eles têm medo das sanções do governo norte-americano», afirmou a cientista cubana.

Similar critério foi dado pelo vice-diretor de pesquisas do INOR, Lorenzo Anasagasti Ángulo, asseverando que o objetivo do bloqueio é prejudicar Cuba, mas as afetações mais sensíveis acontecem em pacientes oncológicos. Assinalou que as doenças cancerígenas levam um manejo complexo e demandam grande quantidade de recursos, portanto, aqueles que se dedicam a este ramo da medicina precisam de uma permanente atualização dos conhecimentos no avanço científico para ser mais efetivos e eficientes no trabalho.

«Para fins de outubro queremos realizar em Cuba, o 1º Encontro Cuba-Estados Unidos de radioterapia, organizado pelas sociedades científicas correspondentes de ambas as nações. De 42 norte-americanos que tinham confirmado sua assistência, 37 deles já avisaram o cancelamento. Todos manifestaram que o Departamento do Estado notificou a cada local de trabalho dessas pessoas para desistirem da viagem por ser um lugar inseguro, no qual é impossível garantir a proteção dos estadunidenses. Algo totalmente falso. Washington se escuda em supostos ataques sônicos sofridos por diplomatas estadunidenses em Havana, que ainda não puderam ser demonstrados».

Também manifestou que no ano passado, optou por assistir a um evento patrocinado pelo Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos, para conhecer experiências sobre a prevenção da doença, utilizando métodos modernos de biologia molecular e genômica, o qual leva a uma melhor pesquisa e diagnóstico dos pacientes oncológicos. Apesar de ser aceita seu pedido foi proibida de participar e os organizadores do evento lhe comunicaram que os cubanos radicados na Ilha são proibidos de participar desses encontros científicos.

O doutor Jesús de los Santos Renó, vice-diretor docente do INOR e especialista em Pediatria Oncológica, referiu-se à impossibilidade de realizar a braquiterapia ocular no tratamento de crianças com retinoblastomas, porque é proibido vender a Cuba reagentes especiais. «Hoje esta doença é tratada com radioterapia externa e as consequências em longo prazo é que neste grupo de crianças sobreviventes é onde o câncer se regenera com mais frequência.

«Também aparecem deformações faciais, porque o tecido no rosto se atrofia e não reproduz novas células, pelo que as pessoas sofrem de danos psicológicos graves.

«O bloqueio é uma história que nos afeta e devemos denunciá-la em todos os cenários possíveis».

Mayelín Jiménez disse que seu filho de sete anos precisa de medicamentos muito específicos, que não existem na Ilha maior das Antilhas. Contudo, o Estado cubano se esforça para garanti-los e oferecê-los gratuitamente ao seu menino e a todo aquele que o requerer. «Dou fé da atenção esmerada do pessoal do INOR às crianças, seus acompanhantes e familiares. A alimentação balanceada é assegurada, além dos suprimentos e incomoda-me que exista uma política de bloqueio para prejudicar nosso povo e principalmente os doentes», advertiu.

Entretanto, Ariadna Palmero, aluna de segundo ano da carreira de Medicina, na faculdade Comandante Manuel Fajardo, em Havana, comentou de seus desejos de dialogar com os estudantes de outras universidades do mundo, especialmente com os de Estados Unidos.

«O bloqueio nos afeta essa possibilidade, apesar de toda a bibliografia ao nosso alcance, de poder acessar a livros novos e atuais. A maioria está em idioma inglês e não os possuímos porque a conectividade para acessar à Internet é baixa e impede descarregar textos pesados. Igualmente, existem páginas bloqueadas para os internautas cubanos».

A doutora em Ciências da Comunicação, Isabel Moya, diretora da Editora da Mulher, confessou padecer de câncer de mama e condenou energicamente a existência do criminal bloqueio econômico, comercial e financeiro dos Estados Unidos contra Cuba, porque ela teve a experiência de necessitar de um teste molecular muito específico, que recebeu graças a amigos solidários do mundo, aos quais não pode nomear, pois poderiam receber sanções.

«Graças ao talento e à criatividade de meus médicos, ainda estou viva e com desejos de dar mais à sociedade», acrescentou.