ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
O argentino Máximo Schnebely procede da cidade argentina de San Carlos de Bariloche e assevera que Cuba é um exemplo para o mundo.

«O trabalho político de um militante comunista dentro de um sistema capitalista e neoliberal constitui um sacrifício», segundo expressou o argentino Máximo Schnebely ao semanário Granma Internacional, durante uma entrevista no Acampamento Internacional Julio Antonio Mella, no município de Caimito, província de Artemisa.

Nascido de pais suíços, ele procede da cidade de San Carlos de Bariloche, província argentina de Río Negro. Viajou a Cuba junto à brigada Pelos Caminhos de Che, que prestou tributo ao mítico guerrilheiro argentino-cubano no 50ª aniversário da sua morte em combate na Bolívia.

«Hoje nós, como comunistas argentinos trabalhamos pela unidade do setor popular e progressista, que podem construir um movimento alternativo para lutar contra os governos representativos da direita neoliberal». Nesse aspecto apoiam a candidatura da ex-presidenta Cristina Fernández de Kirchner para retomar o governo na nação latino-americana.

Quais são as principais lutas neste momento?

«A luta que nos identifica e nos junta é a reclamação pelo assassinato do jovem Santiago Maldonado, um companheiro desaparecido após o protesto realizado a favor dos direitos dos povos originários mapuches na região sul, na Patagônia».

«Nosso povo sente muita dor respeito à situação dos desaparecidos. Lembremos que sofremos o sequestro, tortura e desaparecimento de mais de 30 mil pessoas entre os anos 70 e 80.

«Outra luta que nos envolve é a reclamação pela liberdade da líder social Milagro Sala. Essa compa-nheira foi presa injustamente por denúncias inventadas e sem fundamento algum, sendo finalmente foi punida com três anos em prisão e há uns meses cumpre prisão domiciliar. Contudo, revocaram-lhe a medida e novamente foi levada para o cárcere».

«Estes são exemplos que demonstram como tentam criminalizar o protesto social, através do amedrontamento das forças populares. Tenta-se parar a essência de nossas lutas».

«Não obstante, os dois casos fortalecem nossos movimentos sociais e aprendemos a organizar-nos. Hoje, a organização social Tupac Amaru tem maior conhecimento, dirigida por Milagro Sala, e reconhecida pelos avanços conseguidos na província de Jujuy para favorecer dentro de suas comunidades os setores despossuídos e assegurar-lhes um lar digno, emprego e saúde gratuita.

Qual é a tarefa principal do Partido Comunista da Argentina?

«Enfatizar nas bases ideológicas de nossa militância, sem provocar divisões, para transmitir à sociedade a necessidade da mudança social. Nosso maior empenho é conseguir a unidade dentro dos movimentos sociais e unir as massas para efetuar a transformação ideológica que nos encaminhe à emancipação social.

«Para isso nos baseamos em um exemplo muito perto: A Revolução Cubana. Consideramo-la nosso farol para obter as energias necessárias e não cansar-nos de lutar».

Como impulsionam a solidariedade com Cuba?

«Na cidade de Bariloche existe o grupo MAIS Cuba, integrante do Movimento Argentino de Solidariedade com a Ilha, que tem um funcionamento orgânico há mais de 25 anos. Nosso principal objetivo é a divulgação da realidade cubana, através de vídeos debates, programas de rádio, eventos culturais ou outras formas de educação ideológica com as massas.

«Convidamos as pessoas que desejam visitar Cuba e integrar as brigadas de solidariedade e concentrar seus esforços em tarefas produtivas na nação antilhana».

«Hoje, somos um grupo regional de solidariedade, porque interagimos com as comunidades próximas da cidade de Bariloche e incentivamos o interesse pela Revolução Cubana. O grupo adotou o nome de Camilo Cienfuegos e o conformam povoadores de toda a zona sul do país». «Também trabalhamos na promoção do turismo para Cuba, com o objetivo que os argentinos conheçam o processo social desenvolvido na Ilha caribenha».

O que significa Che Guevara para os argentinos?

«Uma fonte de inspiração eterna. Afortunadamente continua sendo o ideal que precisa ser atingido pelos povos do Sul. Alegra-nos que seja querido pelas pessoas e seja considerado um prócer necessário, no marco de nossas lutas. Hoje, percebemos como é evocado pelos jovens, que o estudam e tentam seguir seus passos».

«Che nos ensina todos os dias através de seu espírito solidário e internacionalista. Sendo argentino, primeiramente se considerou revolucionário e latino-americano. Esse sentimento nos inspira a fazê-lo parte de nossa realidade. Pátria é Humanidade, ensinou-nos José Martí e é muito reconfortante sentir-nos irmãos de todos».

O que representa ser hoje um comunista na Argentina e na América Latina?

«O comunismo é uma proposta pura e clara para uma mudança de sociedade, desenhada no século 19 pelos alemães Karl Marx e Friedrich Engels e continuado pelo russo Lênin (Vladimir Ilitch Ulianov). Eles criaram uma corrente filosófica com grandes contribuições à humanidade ainda vigentes».

«Depois outros pensadores contribuíram para essa teoria como o peruano José Carlos Mariátegui, o italiano Antonio Gramsci, e inclusive Ernesto (Che) Guevara e Fidel Castro Ruz».

«O Partido Comunista hoje une as pessoas com uma ideologia de mudança cimentada sobre as bases do marxismo. O mundo precisa dessa organização vanguarda para poder encaminhar às massas a sua verdadeira emancipação social, isso pode ser realizado por um partido comunista que abraça as ideias de uma corrente filosófica oposta totalmente ao capitalismo predador em sua fase superior e última, que é o imperialismo».

«Nosso principal objetivo é hoje integrar-nos adequadamente aos movimentos sociais que se lançam à luta contra o capital de diversas maneiras, que propõe um empoderamento do Estado com a tomada do poder político. Acho que procuram os mesmos objetivos que o Partido Comunista e será preciso nossa integração de alguma forma para vencer o capitalismo. Cuba é um exemplo nesse sentido.

«Cuba mantém sua luta por um mundo possível e muito necessário hoje, para que sobreviva nossa espécie humana. A mudança climática nos açoita de maneira tal que fazemos parte em um processo de extinção. Fidel Castro Ruz advertiu em 1992, no Rio de Janeiro, Brasil, que a principal causa dessas alterações naturais são produzidas pelo consumismo desmedido, desenvolvido pelo sistema capitalista»