ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Ricardo López Hevia

A capital de Cuba voltou a ser, pela trigésima quinta ocasião, lugar de encontro para que empresários e homens de negócios de mais de 70 países, trocassem sobre comércio e investimentos.

«A Feira Internacional de Havana (FIHAV) continua se consolidando hoje como uma bolsa comercial de múltiplos setores, muito representativa na América Latina e o Caribe», afirmou o ministro do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca Diaz, ao inaugurar a Feira, em 30 de outubro passado.

Referido ao desenvolvimento de Cuba no setor dos investimentos, Malmierca assegurou que desde a passada edição de Fihav foi aprovado um considerável número de negócios com capital estrangeiro, em setores estratégicos da economia, como as energias renováveis, o turismo, a construção, a mineração, a prospecção petroleira, o setor bancário financeiro e as indústrias, principalmente a de base, a alimentar e a açucareira.

A abertura do estande da Rússia contou com a presença do ministro do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca. Photo: Ricardo López Hevia

«Em matéria de investimento estrangeiro mostram-se modestos avanços quanto à concretização de novos negócios, tanto dentro como fora da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel (ZEDM), bem como reinvestimentos em vários projetos existentes», indicou o ministro cubano.

Acrescentou que no decurso deste ano 2017 se consolidaram alguns negócios, para um montante total de capital comprometido superior aos dois bilhões de dólares. «A estes se somam», asseverou Malmierca, «vários projetos em fase avançada de negociação com possibilidades reais de se concretizarem antes que conclua o ano».

Na cerimônia de inauguração marcaram presença, ainda, o vice-presidente do Conselho de Ministros e ministro da Economia e Planejamento, Ricardo Cabrisas Ruiz; o membro do Bureau Político e secretário-geral da Central dos Trabalhadores de Cuba (CTC), Ulises Guilarte de Nacimiento, ministros de outros setores da economia e autoridades do governo.

REMONTAR OS NEGÓCIOS

Nesta 35ª edição participaram em torno de 3.400 expositores e contou com a presença dos principais parceiros comerciais do país; Venezuela, Rússia, China e a Espanha, esta última, ratificando-se como o de maior assistência. O encontro demonstrou a consolidação da Feira como um espaço para trocar conhecimentos, tendências, conhecer provedores, possíveis importadores e distribuidores.

Em diferentes pavilhões foi comemorado o dia nacional de cada país presente. Photo: Ricardo López Hevia

Durante estes dias produziram-se em torno de 250 encontros bilaterais entre empresários cubanos e de fora de mais de 30 países. Ademais, celebraram-se os dias nacionais nos diferentes pavilhões, desenvolveram-se lançamentos de produtos e serviços, ocorreram sessões de negócios, o lançamento do portal ProCuba e a apresentação do Diretório Comercial de Cuba 2017-2019.

A abertura do estande da Rússia contou com a presença do ministro do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca; Georgy Kalamanov, vice-ministro da Indústria e o Comércio da Rússia; e Mikhail Kamynin, embaixador da nação amiga na Ilha.

Kamynin destacou o apoio político por parte de ambos os países para a realização de projetos em setores como a energia, as telecomunicações, a saúde e o transporte, especialmente o ferroviário; e também para os que virão depois com o setor agrícola, o transporte marítimo e a aviação civil.

Pela parte cubana, o ministro do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro realçou que o país está certo de que no futuro se fortalecerão os vínculos entre as duas nações. Enfatizou que a Ilha enfrenta um momento difícil, devido ao recente açoite do furacão Irma, mas que recebeu apoio internacional, entre outros, do governo da Rússia. Também mencionou que os resultados da recente comissão intergovernamental foram satisfatórios e isso permitiu, paralelamente, continuar aprofundando os laços de amizade.

Sob o lema ‘CubaIndústria 2018 na rota do desenvolvimento industrial, sustentável e sustido’ foi apresentada a terceira edição da CubaIndústria 2018, a se desenvolver entre 18 e 22 de junho do próximo ano. O evento contou com a presença de José Gaspar Álvarez Sandoval, vice-ministro do ministério das Indústrias de Cuba, outros diretivos deste ministério e representações diplomáticas de países com interesses comerciais e de cooperação.

Este será um palco propício para o intercâmbio científico, o fortalecimento de associações tecnológicas entre indústrias nacionais e estrangeiras, a produção de produtos de exportação e a consolidação de produções nacionais.

A CubaIndústria convocou os empresários e pesquisadores ligados ao setor industrial de Cuba e também de outros países a apresentar suas contribuições profissionais e amostras comerciais. Estes esforços contribuirão para uma maior integração e cooperação entre todos os atores da indústria.

Na Fihav também foram debatidas as projeções do desenvolvimento estratégico da indústria cubana, que permitirão consolidar a sua participação nos projetos estratégicos do país, de acordo ao plano desenhado até o ano 2030.

«Este é o evento especializado mais importante da indústria cubana que permite a troca sobre os projetos de modernização da mesma e contribui, sem dúvida, para consolidar as alianças tecnológicas e projeções de negócios com os quais se materializarão cadeias produtivas que permitirão oferecer produtos e serviços competitivos, os quais contribuirão para a substituição de importações e para gerar novas fontes exportáveis», assegurou Álvarez Sandoval.

É importante destacar que a Cubaindústria 2018, tal como em suas edições anteriores, abrangerá a continuidade dos eventos vinculados à política de reciclagem, vasilhame e embalagem e máquinas-ferramentas, bem como a gestão tecnológica e a inovação organizativa, a gestão da qualidade e a proteção ambiental, os congressos da indústria química, a eletrônica e a automática, a indústria da moda, os móveis, os ambientes e os estilos, entre outros.

Ao mesmo tempo, Yamilé Herrera Fuentes, especialista superior da Direção de Negócios do grupo da Eletrônica, explicou que sua empresa se inserirá dentro da Cubaindústria 2018, devido a que o evento lhe permitirá desenvolver e incorporar, na parte científica e expositiva, todos os avanços e inovações em função das oito linhas de desenvolvimento em que hoje trabalha o grupo.

«Vamos muito encaminhados à política que está trabalhando hoje o país, em sua estratégia de desenvolvimento. Incorporam-se conosco empresas estrangeiras que são aliados tecnológicos», acrescentou Herrera.

Dentre os principais mercados aos que o grupo da Eletrônica espera se associar se encontra o chinês, o russo e o europeu.

«De maneira geral nos encontramos na Fihav com o objetivo de melhorar os financiamentos externos, o investimento estrangeiro e de desenvolver todo nosso sistema industrial a partir de toda a força de trabalho que hoje temos aqui, que é muito valiosa e permite o desenvolvimento de nosso país».

CUBA E O MERCADO INTERNACIONAL

Cuba está enfrentando, atualmente, limitações financeiras conjunturais provocadas pela diminuição dos preços no mercado internacional de seus produtos de exportação, dificuldades apresentadas por alguns dos seus parceiros comerciais e o recrudescimento do bloqueio econômico comercial e financeiro, imposto pelo governo dos Estados Unidos da América.

A isto se adicionam afetações como a seca e, nos últimos meses, fenômenos climatológicos que impactaram o país, tudo o qual provocou perdas multimilionárias.

Neste contexto, o ministro do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca Diaz, assegurou em suas declarações que Cuba, apesar da situação, continuou cumprindo os compromissos adquiridos como resultado do processo de reorganização da dívida externa oficial com os principais credores e reitera a determinação do governo de continuar honrando estas obrigações.

Contudo, acrescentou que devido às restrições conjunturais de liquidez em divisas, os pagamentos correntes de empresas cubanas aos seus fornecedores não estão atualizados. No espaço da Fihav, Malmierca agradeceu aos presentes a confiança depositada no mercado cubano e ratificou a vontade de solucionar esta situação o mais brevemente possível, para o qual se continuam fazendo múltiplas gestões.

Acerca deste tema, referiu-se à atenção que o país dedicou, nos últimos anos, ao desenvolvimento de investimentos prioritários e quanto se trabalhou para atingir resultados superiores em setores prioritários e na infraestrutura, de forma a estimular o crescimento das exportações e dos serviços.

«Estes esforços se incrementam, para avançar rumo à atualização do modelo econômico, político e social, em correspondência com as Diretrizes da Política Econômica para o período 2016-2021, a Conceituação do modelo e das bases do Plano Econômico Social até 2030», reconheceu.

Por tal motivo, disse, ainda, estar muito satisfeito com a participação da América Latina e o Caribe nesta feira, assunto que está em correspondência com a ideia de incrementar os vínculos com países da área no plano econômico e fortalecer a integração regional.

SEGUNDO FORO DE INVESTIMENTO E PASTA DE OPORTUNIDADES

O investimento estrangeiro é uma fonte de desenvolvimento econômico e base essencial da estratégia que implementa o país. Hoje, respeito a anos anteriores, deixa de ser um complemento e se torna diretriz essencial da economia cubana.

A Pasta de Oportunidades para o investimento estrangeiro 2017-2018 foi apresentada, no segundo dia da Fihav, pelo ministro do Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca Díaz, quem explicou aos participantes as vantagens de investir em um país como Cuba.

Assinalou a importância de contar com uma política geral e setorial bem definida, além de um âmbito legal seguro e transparente que propicia um clima estável para o pessoal estrangeiro. Igualmente, acrescentou a relevância da posição estratégica de Cuba, em termos de investimentos, que conta com uma política governamental que prioriza a inovação, as pesquisas e a manutenção de uma infraestrutura básica, permitindo aos investidores ter um desenvolvimento no mercado cubano.

Esta edição da Pasta de Oportunidades que, alegou o ministro, é mais integral do que as anteriores, permitirá incrementar a diversidade do mercado em correspondência com as políticas gerais e setoriais, criar oportunidades que gerem continuidade produtiva e consigam maior conhecimento acerca dos negócios que se pretendem atrair.

Para isso, incorporam-se 156 projetos com uma quantia de investimento de US$ três bilhões, 29 deles na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel. Adequam-se as quantias de investimento a 22 projetos, entretanto outras deixam de ser aplicadas, nas que já estão concretizadas ou naquelas em fase avançada de negociação. Segundo os estudos de possibilidades reais incorporam-se ao setor bancário financeiro projetos no ramo dos seguros, atualiza-se a política setorial e é ampliada a política para o setor hidráulico, segundo a situação de seca no país.

«No total, esta pasta conta com 456 projetos, por uma quantia ascendente aos US$10,7 bilhões (10.700.000.000). Os projetos estão distribuídos em todo o país e correspondem com as bases do Plano Nacional de Desenvolvimento até 2030», asseverou Malmierca Díaz.

O ministro acrescentou que embora tenham limitações que incidem negativamente nos propósitos, como são o bloqueio, a dualidade monetária e as restrições de liquidez, continuam existindo outras que dependem, também, de Cuba e que impedem avançar eficientemente neste objetivo. Entre as mais visíveis mencionou os atrasos na elaboração dos estudos, as demoras no cumprimento dos trâmites e a falta de preparação das entidades cubanas.

Igualmente, disse que apesar das dificuldades conseguiram avançar. A partir da emissão da Lei do Investimento Estrangeiro, em 2014, atualmente já são 22 os reinvestimentos aprovados, 25 novos negócios na Zona Especial de Desenvolvimento Mariel e 85 em outros lugares, realizados em parceria com companhias de mais de 20 países.

«Neste momento, encontram-se em fase de negociação 80 projetos, com possibilidades reais de concretização, 15 deles estão em um fase muito avançada de negociação e poderão ser aprovados antes de findar o ano, com uma quantia de investimento que ultrapassa o US$1 bilhão (1000.000.000)», arguiu Malmierca.

O Segundo Foro de Investimentos foi inaugurado também na jornada, com a presença de mais de 180 participantes de 33 países. O encontro contribuiu para aproximar os investidores estrangeiros e a parte cubana, com o objetivo de facilitar e viabilizar os processos de negociação. Durante estes dias foram coordenados 250 diálogos com empresas cubanas.

CUBA E A ZONA ESPECIAL DE DESENVOLVIMENTO MARIEL

O lançamento da Pasta de Negócios da Zona Especial de Desenvolvimento de Mariel coincidiu com a comemoração do 4º aniversário da constituição da zona.

O evento contou com a presença de uma representação de usuários aprovados até agora e dos que se apresentaram no âmbito do mesmo.

A diretora-geral do Gabinete da Zona Especial de Desenvolvimento Mariel, Ana Teresa Igarza Martínez, explicou que o presente ano se afiançou com novos resultados, apesar dos prejuízos que sofreu o país e que continua sendo a praça mais atraente para estabelecer-se com investimentos no Caribe.

Ao mesmo tempo, explicou que a Pasta de Oportunidades cresceu até 50 negócios e que até agora a Zona Especial de Desenvolvimento Mariel se ampliou em oito ramos da economia cubana: a Indústria, a Biotecnologia, a Logística, a Indústria Alimentar, a Construção, Farmacêutica, os Transportes e a Mobília.

A Biotecnologia se apresentou com sete negócios, igual que a Indústria Farmacêutica, entre os que destacam a produção de vacinas contra o câncer. Na área logística se planeja a construção e operação de instalações e serviços logísticos integrais.

Os transportes levaram três projetos especialmente dentro da Zona Especial para a remodelação, locadora de carros para os usuários e o transporte de trabalhadores; o setor mobiliário com um negócio para a construção e gestão de novos padrões.

Igarza assegurou que atualmente há 31 negócios aprovados, dos quais cinco pertencem a empresas cubanas, 16 empresas estrangeiras, oito empresas mistas e duas associações econômicas internacionais.

Dentro das empresas cubanas podemos mencionar Cimex Mariel, cujo objetivo principal é a elaboração e comercialização do café Cubita. As empresas estrangeiras como Fidas, Brasil; Enginov, Portugal, que pretende a criação de um complexo empresarial da construção; e Autocentro Zed, Rússia, que esperam poder criar um centro de caminhões Kamaz no país.

Dentro das empresas mistas podemos mencionar a Logística Hoteleira do Caribe, da Espanha e Cuba, que importarão e distribuirão alimentos e insumos hoteleiros. Cupet e Sherrit se afiançam como uma associação econômica internacional.

A Zona Especial de Mariel depois de quatro anos de criada consegue um avanço discreto, mas constante no Caribe, com a intenção de se converter em uma porta aberta ao mundo.

Esta 35ª edição da Feira Internacional de Havana coincidiu com a votação, na Organização das Nações Unidas, da Resolução que apresenta Cuba acerca da Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro. Como cada ano, o relatório foi apoiado pela maioria dos países na sede das Nações Unidas.

Acerca dos anúncios feitos pelo presidente dos Estados Unidos, em 16 de junho, o ministro de Comércio Exterior e o Investimento Estrangeiro, Rodrigo Malmierca Díaz, expressou no âmbito da Feira que «as decisões do presidente dos Estados Unidos da América desconhecem os interesses de amplos setores dessa nação, especialmente do empresariado estadunidense, que apesar das barreiras impostas por seu governo, continua interessado em desenvolver negócios em Cuba».

Igualmente insistiu que a Feira Internacional de Havana é uma mostra de que, apesar dos esforços do governo norte-americano para reforçar o bloqueio e pretender isolar Cuba, o país continua incrementando o interesse para o investimento estrangeiro.

Atualmente, Cuba pretende atrair fluxos de investimento, e embora seja conhecido que é um processo paulatino, fica claro que existem modestos e evidentes avanços neste sentido. O governo continua trabalhando no cumprimento da política de investimento estrangeiro, incluindo medidas que facilitarão o desenvolvimento dos negócios assentes no país, mantendo-se a preparação dos trabalhadores do setor empresarial e dos negócios.

«Cuba continuará insistindo na importância de incrementar a presteza e atividade das empresas cubanas, para conseguir a concretização das negociações. Hoje, continuam sendo estudadas novas oportunidades de negócios, segundo as prioridades do país.

«A intenção é diversificar os vínculos com potenciais parceiros estrangeiros e não depender de um só mercado. Ficamos disponíveis para os investidores e companhias com interesses de ser apoiados durante sua gestão», manifestou Malmierca.

Há mais de três décadas, a Feira Internacional de Havana conseguiu sua consolidação como espaço fértil para a troca, as oportunidades de negócios, os vínculos comerciais e o estudo de novos mercados. Esta edição não foi a exceção e confirmou, também, o desenvolvimento e valor que para a economia cubana tem um evento de tamanha magnitude, sobretudo, em face das mudanças que se realizam no país.

O cenário contribuiu para dar impulso aos objetivos traçados em termos de política econômica externa, diversificar os vínculos no estrangeiro e ampliar a projeção de Cuba para os negócios.