ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

O neurocirurgião cubano Norbery Jorge Rodríguez de La Paz presta ajuda médica à população danificada do estado mexicano de Oaxaca, prejudicada pelo sismo ocorrido em 7 de setembro último, no istmo de Tehuantepec, com mais de 300 mortos.

O doutor cubano trabalha no hospital de campanha situado no poliesportivo Che-Nita e integra o Contingente Internacional de Médicos Especializados em Situações de Desastres e Graves Epidemias, Henry Reeve que já se desempenhou em quase vinte países.

A brigada é composta por 40 médicos, enfermeiras, técnicos e pessoal de serviço, inclusive cozinheiros e trabalhadores de manutenção para o gerador de eletricidade. Todos eles moram em barracos e trabalham nas consultas a partir das 8h00 da manhã até que não haja pacientes para ver no dia. Igualmente recebem casos de urgência as 24 horas.

Com antecedência, em maio de 2015, Rodríguez de La Paz foi socorrer as vítimas causadas por um terremoto em Nepal, durante três meses, um trabalho muito difícil por causa da barreira idiomática. «Ali operamos tanto feridos deixados pelo desastre como doenças não tratadas nesse país, por carecer de profissionais dedicados a esta especialidade. O doutor Orestes López e eu operamos mais de 30 pacientes com patologias espinhais e cranianas», afirmou em entrevista exclusiva ao Granma Internacional via e-mail.

Ele trabalha em Havana no Instituto de Neurologia e Neurocirurgia e assinalou: «No caso do México, já diagnosticamos cinco tumores de hipófise, lesões malignas na cabeça e outras traumáticas da coluna vertebral. Coordenamos com hospitais próximos para operar estes pacientes e solucionar seu padecimento».

Caracteriza as pessoas do lugar como humildes, pois carecem de meios de subsistência para sua sobrevivência; contudo, constantemente manifestam seu agradecimento perante a ajuda médica cubana.

Lembra a operação de um militar socorrista que chegou com fratura deprimida cranial. A presença da brigada médica evitou que o paciente fosse levado durante 13 horas à capital mexicana, com um alto perigo para sua vida, causada por uma infecção do sistema nervoso central. Esta cirurgia foi realizada com escassas ferramentas ao seu alcance e com limitados recursos técnicos.

Igualmente, operaram uma mulher com uma tumoração cística deformada. Os doutores supõem que por uns 30 anos esse câncer cresceu paulatinamente dentro da cabeça da paciente sem ter recebido acompanhamento especializado profissional. Neste momento, a doente se encontra muito bem e seus familiares expressam agradecimento por tal façanha.

Apesar de que ainda ocorrem réplicas do sismo, para este singelo médico o mais difícil nestas missões internacionalistas é a separação da família, principalmente de seus filhos Diego e David, o primeiro de 14 anos e o segundo de três.

Em visita a seu lar em Havana a esposa Diana Fernández Calderón nos explica que seu esposo tem uma profissão o bastante difícil, sai muito cedo da casa e retorna tarde na noite, ao tempo que Diana se desempenha como assistente de direção da companhia de dança Lizt Alfonso Dance-Cuba, com a qual deve assumir compromissos internacionais frequentemente. Portanto, os avós maternos se convertem nos pais substitutos: «Eu devo agradecer enormemente a meus pais que me ajudam em todo momento», afirmou.

«É muito difícil, — acrescentou — a saída de um membro da família porque aqueles que ficam em Cuba têm a preocupação pela pessoa ausente. Nós estamos acostumados à união familiar, os dois filhos provêm de diferentes mães, mas se amam com devoção. O mais novo adora brincar com seu irmão mais velho e sente muita saudade do pai. O bebê e o pai convertem as tarefas cotidianas como tomar banho, comer, dormir e passear em uma brincadeira».

Para Diana viver com um neurocirurgião é uma grande sacrifício mas, ao mesmo tempo, um orgulho porque cura doenças e salva vidas. «É muito reconfortante ver o carinho das pessoas a ele. Pacientes e familiares sempre estão prontos para cumprimentá-lo pelo Dia do Médico ou no Dia dos Pais. Ligam para ele e felicitam-no em datas importantes», assinalou.

Diego afirma que estudará Medicina e deseja converter-se em um neurocirurgião, sabe do rigor da carreira e propõe-se obter bons resultados acadêmicos para cumprir seu sonho. Acerca disso expressou: «Meu pai é meu ídolo e minha fonte de inspiração para estudar, quero imitá-lo em sua profissão. Vi que as pessoas lhe professam muito carinho pelo trabalho que realiza. Eu gostaria também de estar em um lugar onde pudesse ajudar os outros e sentir que faço um trabalho importante».

O jovem acrescentou: «A partida de meu pai para o México, — disse — ocorreu no fim de setembro, não deu tempo para uma despedida e apenas nos ligamos por telefone. Conta-me que sente uma grande tristeza por ver a devastação causada pelo terremoto e de saber o número de mortes ocorridas. Eles moram em barracos levantados no terreno de um centro esportivo e sentem tremer a terra pelas réplicas do terremoto. Sofreram também ventos fortes que quase destruíram os barracos. Já bem cedo na manhã têm pacientes para ser atendidos e teve que realizar várias cirurgias complexas, sem condições ótimas».

Estes testemunhos lembram as palavras do líder histórico da Revolução Fidel Castro ao ficar constituído o Contingente Henry Reeve, em 19 de setembro de 2005: «Nossos conceitos sobre a condição humana de outros povos e o dever da irmandade e a solidariedade jamais foram nem serão traídos. Milhares de médicos e profissionais da saúde cubanos espalhados pelo mundo são testemunho irrebatível do que eu afirmo. Para eles não existirão jamais barreiras idiomáticas, sacrifício, perigos ou obstáculos».