ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Os países do Caribe são especialmente vulneráveis aos efeitos das mudanças climáticas devido à sua situação geográfica e climática. Na foto a ilha de Sint Maarten após a passagem do furacão Irma. Photo: Reuters

FIDEL Castro, nosso líder histórico, disse no Rio de Janeiro, em 1992: «Uma espécie biológica importante está em risco de desaparecer, devido à liquidação rápida e progressiva de suas condições de vida naturais: o homem».

Essas palavras de Fidel, proferidas no discurso durante a conferência da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento foram previsoras. Sua mensagem é agora mais válida do que nunca e os países insulares são os mais ameaçados de desaparecer em parcial ou completamente devido aos efeitos produzidos, cada vez mais, pelas mudanças climáticas.

CARIBE VS. MUDANÇA CLIMÁTICA

Na próxima Cúpula Caricom-Cuba, que será realizada em Antígua e Barbuda, em 8 de dezembro, um dos temas centrais será a maneira pela qual as nações desta região enfrentam as mudanças climáticas, pois nos últimos meses muitas nações do Caribe foram afetados por fenômenos climáticos e algumas de suas economias foram devastadas quase que completamente.

Existe, ao mesmo tempo, uma contradição muito forte da qual falam pouco os países desenvolvidos, porque não são afetados na mesma intensidade do que os países insulares por catástrofes naturais e, portanto, não realizam ações suficientes e rápidas para mitigar as mudanças climáticas.

Nosso líder histórico, Fidel Castro Ruz, também expressou no Rio de Janeiro: «É necessário ressaltar que as sociedades de consumo são os principais responsáveis ​​pela destruição atroz do meio ambiente. Nasceram das antigas metrópoles coloniais e de políticas imperiais que, por sua vez, geraram o atraso e a pobreza que afligem hoje a imensa maioria da humanidade. Com apenas 20% da população mundial, elas consomem dois terços dos metais e três quartos da energia produzida no mundo. Elas envenenaram os mares e os rios, poluíram o ar, enfraqueceram e perfuraram a camada de ozônio, saturaram a atmosfera de gases que alteram as condições climáticas com efeitos catastróficos que já estamos começando a sofrer».

Os habitantes das nações insulares do Caribe são muito vulneráveis ​​aos impactos das mudanças climáticas, como o aumento da temperatura e do nível do mar e furacões de maior intensidade.

Ilhas menores de menor elevação podem desaparecer. Essas consequências devastadoras ocorreriam apesar do fato de que as nações do Caribe contribuíram para reduzir a emissão de gases de efeito estufa que causam mudanças climáticas, de acordo com informações expressas no relatório O Caribe e as mudanças climáticas. Os custos da inação.

OS CUSTOS DE NÃO AGIR

Após a passagem do furacão Irma pela nação de Antígua e Barbuda, mais de 90% dos edifícios e estradas da ilha de Barbuda foram destruídos. Além disso, pelo menos 60% da população perdeu as casas.

Somente em Barbuda, Irma causou uma perda de 76% no setor de turismo, a principal fonte de renda para a ilha, e as necessidades de recursos para recuperação totalizam 220 milhões de dólares.

A Dominica viu desaparecer as conquistas de várias décadas de seu desenvolvimento, com danos equivalentes a mais de 200% do Produto Interno Bruto, especialmente em lares e infraestrutura destruídos pelo furacão Maria, e precisa de um apoio de US$ 1,3 bilhão, de acordo com agência Prensa Latina Após a passagem deste furacão, oito em cada dez pessoas perderam suas casas nessa nação, incluindo mais de 20 mil crianças, de acordo com estatísticas da Unicef.

A solidariedade cubana veio a essas nações. Por exemplo, a Antígua e Barbuda nosso país enviou técnicos para ajudar na restauração do serviço elétrico, completamente devastado em Barbuda, uma ilha que foi devastada após a passagem do furacão Irma e seus ventos de perto de 300 quilômetros por hora. À Dominica, após a passagem do poderoso furacão Maria, também chegou de Cuba um navio com 300 toneladas de ajuda humanitária, duas brigadas de eletricitários, trabalhadores florestais e foi reforçada a brigada médica que já trabalhou naquela geografia.

Em Porto Rico, irmã da ilha do Caribe, território associado aos Estados Unidos, os danos causados ​​pelos eventos climáticos, nos últimos meses, totalizaram US$ 90 bilhões.

De acordo com os dados fornecidos em um relatório de 2009 da Caricom, sobre mudanças climáticas, uma análise econômica dos custos climáticos nas categorias de danos causados ​​por furacões, perdas da receita turística e danos à infraestrutura totalizará US$10,7 bilhões por ano até 2025, US$ 22 bilhões até 2050 e US $ 46 bilhões até 2100.

Os esforços para enfrentar a mudança climática devem ser imediatos e é preciso o compromisso de todas as nações da região e do mundo de enfrentar isso.

O governo dos Estados Unidos, um dos países que emitem mais poluição para a atmosfera, afirmou que se retiraria do Acordo de Paris, uma decisão que entrará em vigor em 4 de novembro de 2019, mas já afeta as expectativas de outras nações, como as da Caribe que sofrem tantos desastres naturais e podem desaparecer se algumas ações não forem tomadas a tempo.

Alguns dos efeitos da retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris seriam o descumprimento dos compromissos desta nação para limitar o volume de gases que provocam o efeito estufa; rever, a cada cinco anos, que seja cumprida a contribuição de cada país para reduzir as emissões de carbono, bem como o compromisso dos países ricos de ajudar as nações mais pobres a se adaptar às mudanças climáticas e mudar para as energias renováveis.

AÇÕES DO MUNDO

O pedido do Caribe foi ouvido na Assembleia Geral das Nações Unidas, reunida de 19 a 25 de setembro. Dadas as novas circunstâncias, o presidente da Comunidade do Caribe (Caricom), Keith Mitchell, exortou todos os países membros e a comunidade internacional a unir forças para ajudar a população afetada.

Mais recentemente, no dia 21 de novembro, na sede da ONU em Nova York, de acordo com o site oficial desta organização, foi realizada uma conferência de alto nível para apoiar a reconstrução dos países do Caribe afetados pelos furacões Irma e Maria.

O secretário-geral Antônio Guterres disse que nunca testemunhou um nível de destruição tal como o que viu em suas recentes visitas a Antígua e Barbuda e Dominica.

Outros países do Caribe afetados por vários furacões foram São Martin, Haiti, República Dominicana e Porto Rico, Anguila, Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Turcas e Caicos, Bahamas, São Cristóvão e Nevis e Cuba.

Guterres destacou a intensidade da temporada de furacões deste ano e enfatizou a necessidade de ação climática global. «Os países caribenhos agora precisam de apoio para reconstruir-se e tomar medidas efetivas contra as mudanças climáticas».

AÇÕES REGIONAIS

De acordo com a Declaração da Caricom sobre Mudanças Climáticas, em 2009, as ameaças que este fenômeno climático representa para os 15 Estados membros da Comunidade do Caribe (Caricom) são graves. Confrontar um clima regional mais hostil e o aumento do nível do oceano exigirá uma série complementar de políticas e ações apoiadas por um grande e sustentado investimento de recursos. Para enfrentar o desafio, os países da Caricom colaboraram para formular um Plano de Implementação (IP), visando alcançar os objetivos estratégicos e os elementos de um quadro regional desenvolvido pelo compromisso político urgente de gerenciar os efeitos das mudanças climáticas no país em matéria de desenvolvimento.

As nações caribenhas então debaterão em Antígua e Barbuda, uma das nações mais afetadas pelos recentes eventos climáticos desde 8 de dezembro, entre outras questões, como salvaguardar a vida de seus cidadãos que enfrentam mudanças climáticas, mas é dever de todas as nações desenvolvidas do mundo realizar ações para enfrentar esse fenômeno antes que seja tarde demais.

«Cessar o egoísmo, cessar a hegemonia, cessar a insensibilidade, a irresponsabilidade e a decepção", disse Fidel naquele discurso famoso no Rio de Janeiro, uma mensagem clara aos governantes das nações industrializadas que expressa a necessidade de agir contra as mudanças climáticas e aos países subdesenvolvidos de se juntarem cada vez mais nesta luta.