ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

HAVANA Velha, contrariamente a muitos locais históricos da América Latina, não é apenas uma atração turística. Neste espaço da cidade convivem junto a essa história, obras sociais, centros médicos, escolas e espaços culturais. Conseguir essa convergência e preservar um lugar histórico que ao mesmo tempo é habitável e que tem uma vida cultural ativa, foi graças ao empenho de muitas instituições e de uma população que se envolve o tempo todo, com a intenção de preservar sua história.

Neste caminho percorrido, o Gabinete do Historiador da Cidade, esteve presente desde 1938, primeiramente liderado pelo historiador Emilio Roig de Leuchsenring e mais tarde, pelo doutor Eusebio Leal Spengler.

Desde então, Havana Velha passou por momentos de restauração, para preservar esses valores que a converteram, também, em monumento nacional e patrimônio mundial.

No ano 1993, mediante o decreto-lei 143, enfatizou-se na recuperação do Centro Histórico como uma das ações fundamentais do Gabinete do Historiador. Como parte dessa declaração foi criado o Plano Mestre, uma ferramenta que guia, há mais de 24 anos, o processo de desenvolvimento integral nesta zona da cidade.

O Plano Mestre se redigiu e em 1998 que se publicou como Plano de Desenvolvimento Integral. Há já mais de duas décadas, o Gabinete do Historiador é responsável por restaurar e preservar esta parte da cidade. Um projeto que, desde então, defende a ideia de ter a população como principal protagonista e beneficiária. O conceito de cidadania integral foi completamente vanguardista na época e é, ate hoje, uma intenção que conseguiu manter-se sob esses princípios.

«Naquela época, foi projetada uma estrutura que incluía o Gabinete, os de arqueologia e arquitetura, além dos museus, mas com o tempo tudo foi crescendo. Foi criado um sistema empresarial que aproveitou o turismo no território e de onde começaram a vir os recursos econômicos».

«Não só víamos o projeto encaminhado à restauração de um prédio, um vitral ou uma praça. Queríamos que também incluísse o resgate de espaços culturais, moradias, escolas, centros de saúde, de lazer e de recreação. Buscamos que se multiplicasse e que ao mesmo tempo, atendesse aspectos relacionados com o meio ambiente e os grupos vulneráveis da zona, dentro dos que se encontram os idosos», assegura a doutora Patricia Rodríguez Alomá, diretora do Plano Mestre do Gabinete do Historiador da Cidade de Havana (GHCH).

Para fazer tudo isso, foi criado, desde o começo, uma equipe de trabalho multidisciplinar. A primeira intenção era redigir um documento que fosse o guia para planejar esse de-senvolvimento integral. Com o tempo, a necessidade fez com que tomasse conta de sua implementação, monitoramento e atualização.

«Primeiro foi a aprendizagem e a construção desse projeto, algo que fomos, aos poucos, aprendendo e convertendo em Plano de Desenvolvimento Integral. Tivemos que estudar e aprender muito, fizemos reuniões, participamos de congressos e a partir daí começamos a criar tudo.

«Fizemos isso no cotidiano. Foi uma participação constante que ia à par de um processo de empreendimentos. Fomos alimentando-nos do processo de aprendizagem e da praxe cotidiana. Foi uma época de testes e erros, acertamos em muitas coisas, mas em outras não e dessa forma aprendemos a organizar o trabalho», explica Rodríguez Alomá.

PLANO ESPECIAL DE DESENVOLVIMENTO INTEGRAL PARA 2030

Este Plano Mestre, que começou a ser implementado em 1998, chega hoje com novas maneiras. Hoje, o Gabinete do Historiador da Cidade se une também ao Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social até 2030 e assume em seu projeto variações a partir do contexto.

«A cultura continua sendo o eixo vertebral deste projeto. Tem que proteger a moradia como interesse social e Havana Velha tem que continuar sendo um lugar habitado», explica a diretora do Plano Mestre do GHCH.

«Do ponto de vista econômico e social, este tem que ser um projeto sustentável, com um instrumento participativo que tenha caráter de Lei e que encaminhe este processo. Também, tem entre seus objetivos, dotar o território de uma infraestrutura contemporânea, que permita uma vida moderna», assegura.

«O que mudou, acrescenta Rodríguez Alomá, é a maneira em que se propuseram alguns objetivos e o estabelecimento de determinados indicadores para poder mediar o que se está fazendo e quanto se está avançando».

Neste sentido, novos atores se somam a esta dinâmica da contemporaneidade. Os pequenos negócios chegam como um aliado, depois de 20 anos de um trabalho restaurador para dar outro sentido ao trabalho do Gabinete. A eles se unem, também, as grandes empresas hoteleiras, uma união que, assegura a diretiva, permitiu vincular a restauração ao desenvolvimento humano, elevar a qualidade de vida dos moradores e, ao mesmo tempo, foi uma fonte geradora de empregos.

«Trabalhar com bens de tão grandes valores culturais requer de uma especialização muito elevada e de envolver todos os que sejam capazes de contribuir com essa recuperação. Por isso, a interdisciplinariedade foi tão positiva, porque conseguimos envolver atores de pequena escala, como podem ser os trabalhadores independentes, até o governo municipal, o provincial e, inclusive, o governo do país», comenta a diretora do Plano Mestre do GHCH.

O sucesso da Gabinete do Historiador da Cidade e seu Plano Mestre está no trabalho integral que durante anos desenvolveram com todos os setores. Um avanço sumamente complexo que, também, tem cada dia o desafio de manter o centro histórico da capital cubana, como um território culturalmente vivo, habitado e onde essa mistura de passado e presente continue salvaguardando 498 anos de história.