ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Estudio Revolución

Discurso proferido pelo presidente da República Bolivariana da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, no ato de comemoração do 13º aniversário da fundação da ALBA, no Palácio das Convenções de Havana, em 14 de dezembro de 2017, «Ano 59º da Revolução»

(Tradução da versão estenográfica - Conselho de Estado)

 
Queridos companheiros;

 Queridas companheiras;

 Boa noite para todos e para todas;

 Estimado general-de-exército, presidente Raúl Castro Ruz;

 Companheiros dos catorze governos presentes no Conselho Político de Ministros da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA);

 Companheiras e companheiros presentes:

  Acabamos de chegar e pousamos, há apenas uma hora, vindos de Istambul, após mais de 16 horas de voo, então peço desculpas acaso mostrar qualquer perturbação mental (risos) por causa das horas de vôo e sem dormir.

 Nós estamos muito felizes em estar em Havana e, acima de tudo, de comemorar os 23 anos desse abraço, desse encontro entre dois gigantes da história: o Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz e o Comandante bolivariano Hugo Chávez Frías (Aplausos). Um deles, já tendo percorrido um longo trecho de uma intensa história de combate, de batalhas, como ele próprio as chamava, de batalhas de ideias, de valores, muito antes do ataque ao quartel Moncada, herói lendário da Serra Maestra e depois a face visível da dignidade da Nossa América ao longo do século XX, Fidel.

 O outro, um jovem revolucionário, bolivariano, que acabando de sair da prisão, após o levante, da insurreição antioligárquica, conta o Fundo Monetário Internacional, em 4 de fevereiro de 1992, depois de deixar a prisão da dignidade, como ele a chamou, na primeira oportunidade que ele teve, em 1994, veio aqui para se encontrar com Cuba, para conhecer Fidel.

 Hoje comemoramos 23 anos desse encontro. Muitos de vocês ainda não nasceram, outros estavam dando os primeiros passos na vida; mas aqueles de nós que ainda somos jovens e vivemos aquelas décadas dos anos 80 e 90, lembramos rudemente de que se tratava o tempo quando se conheceram e abraçaram e encontraram seus caminhos e suas vidas Fidel e Chávez. Mil e novecentos e noventa e quatro: estava em pleno desenvolvimento, como diz Walter Martínez, a década mais tarde conhecida como a década perdida, a década neoliberal; o Consenso de Washington estava se impondo com seu peso devastador.

 Anos antes, havia ocorrido uma catástrofe que apenas um profeta na Terra viu: a desintegração e o desaparecimento da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas e de todo o chamado bloco do socialismo real na Europa Oriental, impossível de imaginar ou de acreditar antes que isso viesse a acontecer. E Cuba resistiu a partir de suas próprias entranhas, de sua própria história, com um gigante à frente: Fidel. Foi o centro daquela década de ofensiva imperialista, do pensamento único do Consenso de Washington, que para a nossa América começou a ser chamada de Aliança para o Comércio das Américas, a ALCA; a Área de Comércio Livre, a ALCA, em 1994.

 A Venezuela vinha experimentando, quase no mesmo tempo histórico de desintegração, a queda, o desaparecimento da União Soviética, a Venezuela vinha experimentando um processo de despertar de uma longa letargia, de um longo processo de dominação democrático-burguesa, quando em 27 de fevereiro de 1989, o povo venezuelano quebrou as amarras e foi às ruas, no que foi conhecido como o Caracazo.

 E, com o passar dos anos, em 1992, em meio a uma tragédia social, econômica e política, produto do modelo de dominação imposto em nosso país, surgiu a brilhante geração bolivariana de soldados revolucionários, liderada por nosso Comandante Hugo Chávez.

 A Venezuela não teve tempo de ficar triste ou deprimida pela queda da União Soviética e pela confusão geral que começou a percorrer os campos da esquerda e o campo progressista e revolucionário do mundo. Duas revoltas: uma, em 27 de fevereiro de 1989, uma rebelião popular, a primeira rebelião contra o Fundo Monetário Internacional e seus pacotes econômicos, assim chamados; e outra segunda rebelião, uma revolta militar revolucionária, de caráter bolivariano, em 4 de fevereiro de 1992.

 Dessa forma nosso país se despediu dos anos 80 e assim recebeu a última década, a década dos anos 90, que marcou o final do século XX venezuelano.

 Então, no dia 14 de dezembro, um dia como hoje, uma noite como hoje, a esta mesma hora, quando esse avião aterrissava no aeroporto internacional José Martí, com aquele jovem comandante Hugo Chávez e ele desceu pela escada recebeu a surpresa de sua vida, pois ali estava, ao pé da escada, aquele gigante da história, Fidel Castro Ruz. Naquele momento da história juntaram-se dois caminhos: o caminho que vinha da resistência, da dignidade, da luta de Fidel e o caminho que começava da Revolução bolivariana que devia liderar nosso comandante Hugo Chávez Frías.

 Um dia de história, sem dúvida, naquela última década dos anos 90 e que permitiu o encontro de dois sonhadores; de dois homens que tiveram a qualidade de cultivar seus sonhos e buscar maneiras de tornar realidade seus sonhos, de romper barreiras, de romper paradigmas e criar novos caminhos, se fosse necessário, para realizar seus sonhos de libertação, de redenção social de nossos povos; dois homens caracterizados pelo profundo amor pelo ideal da Pátria, de uma grande pátria, tirados de Simón Bolívar, tirados de José Martí; dois homens caracterizados por seu espírito rebelde, corajosamente rebeldes, podemos dizer, muito corajosamente rebeldes, que os levou a proclamar um antiimperialismo aberto, pedagógico, motivador, que muitas consciências despertou e que a consciência antiimperialista de Fidel e Chávez ainda está vivente em nós, como dois antiimperialistas corajosos do século XX, que nos legaram o antiimperialismo do século XXI, que hoje é mais válido do que nunca contra os atentados, abusos e desmandos do governo dos Estados Unidos e do poder estadunidense.

 Vinte e três anos, apenas 23 anos depois do encontro destes dois gigantes. A vida lhe permitiu aos dois encontrar o tempo para abrir espaço a seus sonhos. Aqui, nesta sala, eu estava lembrando com Miguel; nesta mesma sala, observando os vídeos do início deste belo evento comemorativo do 13º aniversário da Aliança Bolivariana para os Povos da nossa América, neste mesmo espaço, há apenas 13 anos, foi assinado o acordo de fundação da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América, quando foram comemorados, em 2004, os primeiros dez anos do encontro entre esses dois gigantes, Fidel e Chávez; aqui mesmo, nesta sala. Treze anos se passaram e quantas estradas foram iniciadas, quanta repercussão na vida interna de nossos países, teve a criação do ALBA, teve a criação da ALBA; quanto impacto no quadro das relações em nossa região, no Caribe, na América Central, na América do Sul. A ALBA foi formada, desde seu passo inicial, como uma poderosa aliança moral, espiritual, política, social e econômica, em uma poderosa esperança tornada realidade e em uma bela esperança para ser realizada.

 Se nos puséssemos a avaliar, tal como fizemos há um ano, exatamente aqui; se avaliássemos a maneira como caminhamos até aqui, se interpretássemos com atenção as palavras dessa jovem estudante da Dominica, sua convicção, sua clareza e pudéssemos ver o caminho que andamos, certamente nos sentiríamos felizes, felizes e poderíamos dizer a Fidel e a Chávez: valeu a pena percorrer este caminho de rebelião, de construção de uma alternativa, de uma aliança, que na ideia de Bolívar junte o sonho, junte o amor, junte a esperança dos povos do Caribe, dos povos da América Central, dos povos da América do Sul (Aplausos prolongados). Claro, que valeu a pena que pela primeira vez fosse criada uma organização de integração, de cooperação, que tivesse que ver com os humildes e que tivesse como centro a felicidade social dos povos, a felicidade e a libertação, a redenção social da povos do continente.

 Aqui temos o rosto de nossos irmãos do Caribe, de São Vicente e as Granadinas, da Dominica, de Cuba, de Saint Kits; mas também está a América do Sul: Equador, Bolívia, nossos irmãos da Nicarágua, Granada, nosso secretário-geral, este indígena aymara, que fala quéchua, do Titicaca, nosso excelente companheiro, o secretário-geral, David Choquehuanca. Peço um aplauso para este companheiro, que assumiu o secretariado geral e levou a mensagem da ALBA e os sonhos de dois gênios (Aplausos).

 Eu tive a fortuna e, como crente, agradeço a Deus, quando vejo esses vídeos que documentam a passagem desses anos e vejo Fidel e vejo Chávez andando juntos, e os vejo juntos em Manágua, em Quito, na Bolívia, em todo o Caribe, agradeço a Deus por ter vivido e visto a passagem desses dois gigantes e seus sonhos. E talvez seja uma das coisas que seria mais importante poder reivindicar; reivindicar a força que um ser humano pode ter quando é capaz de manter uma ideia justa, quando ele é capaz de defender essa única ideia com sua própria vida, e quando ele é capaz de ser coerente entre pensamento, desejo, fala e ação; quando ele é capaz de ter uma ideia além de si mesmo, como um ser individual e de ter uma ideia da pátria, da sociedade; quando não está se afogando em suas próprias dificuldades, que todos temos problemas; mastigando suas próprias dificuldades e dores, mas que é capaz de ver mais além e ser um ser social, uma pátria. E, precisamente, os homens e as mulheres que em nossas terras transcenderam ao longo de tantos anos, ao longo destes séculos de luta, têm essa marca que nós reconhecemos em Fidel e em Chávez. Os dois se juntaram, assim que se conheceram mas, especialmente, desde há 13 anos, em que criaram a ALBA eles dois sozinhos, por que mais?, diria um amigo meu: estavam os dois juntos, para que mais? (Aplausos) E os dois poderiam reunir sua energia, sua capacidade de sonhar, mas, acima de tudo, irmãos e irmãs, sua capacidade de fazer, de fazer, além do discurso. Nós sempre nos autoexigimos dessa maneira, sempre nos autoexigimos no fazer, no alcançar e na coerência entre o que se pensa, o que é dito e o que podemos construir com nossas próprias mãos. Quantos caminhos eles começaram sozinhos?

 Quando a gente vê essa jovem mulher da Dominica, estudante da Escola Latino-americana de Medicina, percebe que é possível fazer muito com pouco e que é possível fazer grandes obras no humanismo fidelista, chavista, no humanismo cristão, em nosso humanismo latino-americanista, se nos propomos isso.

 A Missão Milagre, como chegou de forma benfeitora para bater na porta dos camponeses, dos moradores dos bairros. A Missão Sim, eu posso, ou como a chamamos nós, a Missão Robinson, como conseguiu trazer luz a exércitos inteiros de toda a América Latina, de analfabetos e declarar territórios livres de analfabetismo a repúblicas, como a República Bolivariana da Venezuela, a Bolívia, O Equador, a Nicarágua, o Caribe; ou levar o sistema de saúde primário, familiar e preventivo para que ele levasse seu conhecimento e seu amor a milhões de homens e mulheres, às vezes em silêncio, como disse José Martí: «em silêncio, teve que ser»; foi em silêncio, mas com muito amor ao longo dos campos; ou levar o esporte como o direito da vida física de nossos povos.

 É preciso ver como conseguimos crescer nas competições internacionais, na própria região, países que nunca aspiraram a obter uma medalha ou a realizações importantes por parte dos seus atletas; mas da mão dos professores de educação física de Cuba e da ALBA saíram verdadeiras estrelas dos bairros e dos campos dos países da ALBA e mais além da ALBA.

 A obra social, em primeiro lugar, da ALBA é impossível de atingir com a vista. A obra política dessa fundação de há 13 anos permitiu um processo de aceleração da dinâmica integradora e unificadora da América Latina e do Caribe. Sem a fundação da ALBA, sem a consolidação do ALBA, teria sido impossível a fundação da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe. A Fundação da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe, nos dias 2 e 3 de dezembro de 2011, é explicada pelas etapas de reuniões e a proximidade que foi alcançada após a fundação da ALBA, por parte de Fidel e do Comandante Hugo Chávez.

 Anteriormente o Caribe estava em seu próprio processo: a Caricom. Da América do Sul muitos percebiam o Caribe como algo estranho, distante, não nosso. Foi o ALBA que começou a compactar as regiões: a fachada sul-americana, a fachada centro-americana, a fachada do Caribe e, sem dúvida, o papel da liderança cubana e o papel de liderança do Comandante Hugo Chávez foram fundamentais para criar a confiança e a proximidade necessárias para a fundação da organização destinada a marcar a história futura do nosso continente, a Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe.

 Portanto, as tarefas, o trabalho realizado é realmente extraordinário se vemos o que foi o século XIX e o século XX na América Latina e no Caribe; se vemos como fomos submetidos a todas as formas de dominação: colonial, neocolonial; se vemos como estávamos separados, de costas voltadas, apesar de sermos irmãos — como diz a música — nós nos olhávamos com medo, com remorso, com desconfiança.

 As ideias de Bolívar, de San Martín, de José Gervasio Artigas, de Francisco Morazán no século XIX, de José Martí; as ideias de Sandino, de Emiliano Zapata, de Farabundo Martí; As ideias de Ernesto Che Guevara de um continente acordado, em pé e unido estavam muito longe de ser conquistadas no século 19, no século XX. E é com a fundação da ALBA que se aceleram os processos progressistas da América Latina, do Caribe, o surgimento, o fortalecimento e a vitória de novas lideranças no continente e se gera uma dinâmica definitiva, de modo que somos testemunhas desse novo tempo histórico com o qual começou o século XXI da América Latina e do Caribe.

 Mas se somos capazes de reconhecer isso e o papel desempenhado pelos processos políticos dos países presentes aqui, também devemos reconhecer que existe um mundo a ser feito. Sim, é verdade que há esperanças alcançadas, sonhos conquistados, mas devemos também ter em mente e muito claro que todo o caminho da libertação social, política, cultural, econômica, da união de nosso continente latino-americano e caribenho ainda está para ser feito, e os sonhos desses dois gigantes ainda estão para ser realizados com as lutas que agora temos que empreender e direcionar para nós mesmos.

 Nós somos os continuadores e devemos ser nós, mulheres e homens, os continuadores e construtores do mundo que foi fundado há 13 anos, para uma poderosa aliança de libertação, felicidade e de união da América Latina e do Caribe. Ainda falta o mundo por fazer. Treze anos passados, ainda falta muita consciência para consolidar os processos, e os processos não são lineares, como disse nosso amado embaixador, o camarada Alí ​​Rodríguez Araque, um dos fundadores da ALBA, há 13 anos, como ministro das Relações Exteriores do comandante Hugo Chávez, ele foi um dos signatários da Ata de Fundação da ALBA. Hoje eu o nomeei presidente honorário para a reestruturação e recuperação de nossa companhia de petróleo, PDVSA, querido irmão (Aplausos).

 Os processos nunca foram lineares, os processos merecem processos de libertação, merecem um grande esforço, uma grande dedicação, uma grande sabedoria em sua condução, uma grande tenacidade e uma grande perseverança na busca. Nada caiu do céu. Podemos tomar esta frase: as bênçãos vêm do céu. Amém. E nada vai cair do céu. Tudo o que aconteça na nossa América, a partir de agora, 2018, 2025, 2030 dependerá da capacidade de aqueles que têm responsabilidades de liderança em nossos países e nosso processo revolucionário, para manter nossa consciência viva, acordada e para levar adiante e continuar construindo uma identidade latino-americana e caribenha baseada em uma poderosa cultura comum, uma prática comum poderosa, um processo poderoso no qual devemos confiar.

 Eu digo, e eu repito permanentemente com as equipes de trabalho do governo bolivariano. E se não confiarmos em nós mesmos, e se não acreditarmos neste sonho, e se não pesquisarmos tenazmente, como fez Bolívar, como Martí fez isso, o que os levou ao martírio; como fez Che; e se não buscarmos de forma tenaz também, como Fidel e Chávez fizeram, esse próprio caminho, o nosso, quem o fará? Quem irá construir isso? Existe outro?

 Certamente há outros mundos que estão emergindo, com os quais nos encontramos. Há um mundo excelente na Ásia, liderado pela China, e que está emergindo, e para ali será preciso encaminhar os olhos, as mãos, o corpo e a alma. Há outro mundo que está emergindo e ressurgindo, a grande Rússia e o grande papel que vem cumprindo na configuração de um mundo multipolar e multicêntrico, de equilíbrio entre os poderes imperiais. Mas do que se trata, de nosso mundo, depende apenas de nós e de ninguém mais; depende do esforço unitário, dedicado, amoroso e apaixonado, como somos nós os latino-americanos, para consolidar espaços como a ALBA e abrir caminhos aos sonhos que nos deixaram como legado nossos Comandantes fundadores. Eu acho que é um dos elementos mais importantes que devemos sempre ter em mente.

 Sobretudo, isso se torna muito claro com a volta tomada pelo poder político a 90 milhas daqui, é ainda mais claro se alguém vê o que está acontecendo, as agressões contra a Venezuela, o bloqueio, a perseguição obsessiva e doentia, é uma perseguição doentia contra nós, os bolivarianos. Conhece-se muito pouco, diariamente, do que fazem todos os dias para tentar sufocar-nos econômica e financeiramente. Mas eu lhes digo com absoluta fé e confiança: o imperialismo não foi capaz de sufocar-nos nem não poderá com a Revolução Bolivariana em nenhum dos campos que nos procurar (Aplausos).

 O recrudescimento do que é chamado de bloqueio, eu sempre prefiro usar a palavra perseguição, porque não é um bloqueio, um bloqueio é que eu me pare aqui e não deixe passar vocês; não se trata de um bloqueio, onde eu fico parado e não permito que ninguém passe, é uma perseguição ativa ao comércio, às contas bancárias, aos movimentos financeiros.

 Nós estamos vivendo cruamente; Cuba viveu isso durante 55 anos contínuos. Cuba conseguiu um consenso mundial em espaços como a Assembleia Geral das Nações Unidas, mas a arrogância, a arrogância, o desprezo e a prepotência não permite compreender aos círculos de poder imperial dos Estados Unidos que o mundo inteiro diga, como já disse em uma única voz, na Assembleia Geral das Nações Unidas: Não ao bloqueio contra Cuba! Não à perseguição econômica, comercial e financeira contra Cuba!

 O ressurgimento das ações dos extremistas da direita bem no continente: ali vemos em Honduras, uma aliança centro-democrática, nem podemos dizer que é de centro-esquerda, embora existam líderes de coragem gigantesca, que conhecemos muito bem, como o ex-presidente ‘Mel’ Zelaya, a quem eu aproveito, da ALBA, para lhe enviar um abraço de compromisso e de fraternidade, querido presidente ‘Mel’ Zelaya e sua esposa Xiomara e sua família, a todos os companheiros da resistência hondurenha que também conhecemos (Aplausos).

 Isso é o que está acontecendo em Honduras, se vocês me permitem, em uma mensagem clara: aqueles que deram o golpe em Honduras, naquele dia 28 de junho de 2009, estão dizendo: não vamos permitir isso. Apesar de que todos os relatórios de vários organismos, mesmo daqueles em que não acreditamos ou não desejamos muito, como a inegável OEA do ‘lixo’ Almagro — com o perdão do lixo (Risos) — o «cavalheiro inútil» Almagro e a direita, inclusive a direita de Miami, saem para dizer o que está acontecendo em Honduras, uma fraude que nunca antes foi vista.

 Ou o que está acontecendo no Brasil, a perseguição contra Lula, que lidera todas as pesquisas. Se hoje fossem as eleições no Brasil, Lula da Silva seria, sem dúvida, eleito o novo presidente do Brasil, aquele grande líder da América do Sul, esse grande irmão mais velho, esse grande companheiro (Aplausos).

 Ou o que acontece na Argentina, a perseguição contra uma mulher sincera, sem dúvida, muito corajosa, muito determinada, muito lutadora, a presidente Cristina Fernandez de Kirchner e todo o peronismo kirchnerista, aperseguição judicial, política, para tentar acabar com as alternativas ao neoliberalismo, que já demonstraram sua capacidade de sucesso nos 12 anos que foram governantes da Argentina.

 Ou o que aconteceu com o camarada Dilma, golpe de Estado diante dos olhos de todos nós. Isso significa que há um recrudescimento dos métodos da extrema direita, que hoje ganhou um fôlego muito especial com a chegada, a instalação dos setores extremistas nos principais órgãos de decisão e nos principais órgãos de poder dos Estados Unidos. Nós fomos vítimas disso neste ano. Todos vocês sofreram, certamente compartilharam sua angústia e sofrimento na primeira metade deste ano, onde a Venezuela foi submetida a uma forma de luta violenta para gerar as condições de uma guerra civil ou um golpe de Estado e uma ruptura da democracia venezuelana.

 Durante os meses de abril, maio, junho e julho, 120 dias contínuos fomos submetidos a uma forma de violência que já é popularmente conhecida como ‘guarimbas’, que tinha como objetivo sumir no caos a sociedade venezuelana, preenchendo as principais cidades com violência, justificando um golpe de Estado, mas, acima de tudo, criar as condições para uma intervenção militar, política, diplomática e internacional que transformaria nosso país em um tipo de protetorado.

 Tivemos que lutar muito, foi complexo. Eu lhes digo que não é fácil enfrentar circunstâncias como estas e levá-las, controlar a ordem pública com uma visão de autoridade democrática e desmembrar os núcleos financiados com dólares e dos grupos da direita internacional. Tivemos pela frente o dilema e a questão do quê fazer e, felizmente, da profundidade do legado que o nosso Comandante Chávez nos deixou, tivemos uma resposta, uma resposta que teve sua relevância, sua correção e que foi uma resposta vitoriosa: a convocação ao Poder Popular Constituinte, a convocação para uma Assembleia Nacional Constituinte, que foi eleita pelo nosso povo em 30 de julho deste ano e significou a chegada da Assembleia Nacional Constituinte, com mais de 8,3 milhões de eleitores, significou a chegada da paz política e a derrota dos grupos extremistas de violência que se tinham estabelecido em nosso país (Aplausos).

 Era talvez o apelo a um processo popular de caráter constitutivo que implicou a eleição de uma Assembleia Nacional Constituinte e que dêsse o poder constituinte ao nosso povo, que serviu de fórmula para combater fatores extremistas e fatores violentos e ganhar a vontade, a consciência da imensa maioria de nosso país, para retomar o trânsito político através da paz, ter um enorme triunfo político e moral, canalizando o desejo de paz da grande maioria através da Assembleia Nacional Constituinte.

 A chegada do Constituinte, sem dúvida, significou e significa na época, no mês de agosto, a chegada de um clima de paz que permitiu a retomada da capacidade de iniciativa política e ofensiva política por parte da Revolução Bolivariana.

 Imediatamente instalada a Assembleia Constituinte, entre outras, uma das medidas que tomou foi convocar sob seu mandato e proteção as eleições de governadores e governadoras dos 23 estados do país e com a mesma força com que a Assembleia Constituinte se levantou em 30 de julho, foi marcada a data de 15 de outubro, como vocês sabem, deste mesmo ano, apenas uma semana atrás, como a data para ir à batalha com os fatores da direita no campo eleitoral, e nosso povo respondeu como nos melhores momentos, foi capaz de responder ao chamado da Revolução Bolivariana e obtivemos, no dia 15 de outubro, uma grande vitória política e eleitoral das forças revolucionárias em 18 dos 22 estados que foram contabilizados (Aplausos), estados muito importantes, companheiros.

 Aqui está Peter Davis, da Granada. Peter Davis me disse que em Granada a informação que vem da Venezuela é transmitida pela BBC em Londres, e se você se informar pela BBC de Londres ou pela CNN em espanhol ou inglês é um desastre, então, você nunca pode entender o que está acontecendo na Venezuela, porque eles têm uma campanha orquestrada permanente, bem dirigida para marcar nosso país em cada evento, em cada circunstância, em cada situação. Pessoalmente, acompanhei a maneira como eles manipulam, desfiguram a situação real da Venezuela e o futuro da revolução e são uma sorte de cartel.

 É por isso que é muito importante conhecer de primeira mão a resposta que a nossa revolução tem dado para sair das circunstâncias muito, muito complexas e difíceis que vivemos no primeiro semestre deste ano de 2017.

 A vitória de 15 de outubro deste ano, sem dúvida, consolidou a liderança regional de base, muito poderosa. Estados muito importantes, como o estado de Miranda, que alguns de vocês que prestaram serviços médicos, é o segundo maior estado do país, está em torno da capital da república e foi governado por muitos anos pelas forças da extrema direita; e daí vinha o ex-candidato presidencial, o senhor Capriles Radonski. Lá, tivemos uma retumbante vitória, com uma liderança jovem, o camarada Héctor Rodríguez, com mais de 57% dos votos.

 Um estado ocidental, também grande, importante do ponto de vista da população, econômico e eleitoral, o estado de Lara, foi conquistado por uma nova liderança — também esteve nas mãos da oposição por muitos anos — nossa almirante-chefe, hoje a governadora Carmen Teresa Meléndez.

 São dois pontos da geografia venezuelana, eu poderia trazer a esta intervenção.

 Imediatamente, a Assembleia Nacional Constituinte tomou em suas mãos a realização do outro evento eleitoral pendente.

 Durante o primeiro semestre, a oposição venezuelana não se cansou de perguntar: eleições já, eleições, eleições. É o que lhe demos. Você quer eleições? Cá tem eleições, então. Três eleições em cento e trinta e seis dias apenas! E foi como a Constituinte, acabando o processo de governadores, convocamos as eleições para escolher, desculpem a redundância, os prefeitos e prefeitas dos 335 municípios do país. A primeira autoridade: prefeitos e prefeitas dos 335 municípios do país. E foi o que aconteceu no domingo que acabou de terminar.

 Eu digo isso porque há um silêncio na mídia mundial: eles manipulam, colocam vários problemas, verdades com meias verdades e mentiras, para tentar ofuscar e continuar vendendo a ideia de que a Venezuela é uma ditadura atroz, um governo autoritário que nega os direitos políticos, sociais, econômicos de nosso povo.

 No domingo passado, mais de 9.3 milhões de compatriotas foram votar e, de 335 prefeitos, a revolução teve a vitória em 305, 92% das prefeituras que foram eleitas no último domingo 10 de dezembro (Aplausos), com uma vitória que há tempo que não obtínhamos com essa magnitude; com 70% dos votos em nível nacional para as forças patriotas revolucionárias bolivarianas, do Partido Socialista Unido da Venezuela e dos partidos aliados.

 Assim, nós podemos dizer-lhes, camaradas, que em face do ataque imperialista, dos fatores extremistas que assumiram o poder nos Estados Unidos e que monitoram diretamente, por vezes, brutal e vulgarmente a oposição venezuelana, a Revolução Bolivariana deu uma lição com o povo, com participação, com votos, com mais democracia.

 Essa é a lição que tiramos, diante das balas, diante das ‘guarimbas’, diante da queima de seres humanos, devido à sua cor de pele, a sua condição social, a suspeita de serem chavistas, levantou-se uma grande voz de paz, de humanidade e, felizmente, conseguimos unir os grandes desejos de paz e transformação do nosso povo, e a Revolução Bolivariana em 140 dias obteve três vitórias ressonantes em três instâncias fundamentais: a Assembleia Nacional Constituinte, as governações dos Estados e os municípios do país (Aplausos).

 Cada pessoa tem seu caminho, esta é nosso caminho abrindo espaços a novas situações mais elevadas, sem dúvida, e não há melhor cenário do que o da ALBA, neste 13º aniversário, para que possamos tecer um balanço, porque sabemos que vocês sofreram junto conosco, mas também sabemos que vocês desfrutam e gozam o sucesso do povo bolivariano, do povo revolucionário da Venezuela, e compartilhamos com vocês os sucessos e também a alegria (Aplausos).

 Muitas coisas ainda não foram feitas, dizemos, muitas coisas ainda não foram feitas e as faremos. Mas, acima de tudo, é necessário convocar os jovens, devemos convocar os jovens a acreditar, devemos convocá-los para ter fé no caminho percorrido. É necessário convocá-la para renovar essa fé e essa esperança, redescobrir-se com suas próprias formas, porque a juventude sempre tem formas renovadas de fazer e para fazer.

 No ano passado foi o primeiro aniversário que comemoramos sem Fidel fisicamente presente. Recentemente, foi comemorado o primeiro aniversário da despedida dada pelo povo cubano e os povos do mundo a Fidel, e os tempos passarão, e os tempos passarão, e tenho certeza, porque eu vejo isso e sinto isso neste aniversário, Tenho certeza de que, com o passar do tempo, haverá dois nomes inesquecíveis, que permanecerão para a posteridade como os fundadores desse caminho que nos achou para sempre: Fidel e Chávez. Lá eles sempre estarão, com seu sorriso, com sua mensagem, com seu amor infinito, com a verdade dita aos quatro ventos, goste a quem gostar (Aplausos). Vamos ser como eles, podemos ser como eles! Que a herança é pesada? Quem disse que ia ser leve? Que o caminho é difícil? Quem disse que seria fácil? Ah, isso merece muita tenacidade, muita perseverança. Este é o caminho, o caminho do encontro de nossos povos, o caminho para a integração espiritual, humana e cultural.

 Na Venezuela, temos milhares de médicos cubanos, milhares, não sei quantos chegarão, 50 mil? (Dizem-lhe alguma coisa), mais de 50,000? E a coisa mais linda que o povo humilde da Venezuela reconhece, além do conhecimento científico deles, porque a direita começou a conspirar, quando este plano começou em 2003, junho, julho de agosto de 2003, Bairro Dentro, de abril a maio, começaram a chegar os primeiros médicos, chegaram com a ideia de um médico, um ponto no bairro e se iniciaram os cuidados familiares primários, uma experiência que Cuba já havia desenvolvido desde a década de oitenta, o médico da família.

 Fidel estava por trás disso, e então Fidel, conversando com Chávez, concordou em acelerar a chegada dos médicos e, com o passar dos dias, aviões, aviões e aviões com médicos e médicos começaram a chegar às centenas. Uma operação que, em primeiro lugar, foi em silêncio, e começaram a chegar às cidades, ao leste, ao sul, nas planícies, nas cidades centrais, nos Andes, em Zulia, e a direita começou a dizer que não eram médicos, que eram babalawos (Risos), desrespeitando os babalawos, que merecem todo nosso respeito e carinho, e eles eram médicos e médicas, eram cientistas da saúde, mas, acima de tudo, eram mágicos de amor. Se o nosso povo reconhece qualquer coisa, é o amor, a qualidade humana, o sentimento do médico, do médico que veio de Cuba e da Medicina Integral Comunitária, onde a Venezuela nem sequer tinha um médico formado. Hoje temos 40 mil médicos e graduados no conceito de Medicina Comunitária Integral (Aplausos), e o objetivo é atingir 100 mil, sem que os cubanos deixem a Venezuela, compartilhando o escritório, o ambulatório, o CDI, compartilhando tudo.

 A maior integração que temos de procurar é a espiritual, que é a verdadeira integração, sentirmo-nos como uma só pessoa, um só povo e poder compartilhar nossos modos de ser, nossos gostos, nossas ideias; a integração moral, a integração política e o progresso em direção a estágios superiores, o que espero que essa juventude assuma, integração e desenvolvimento comum no campo econômico. A resolução dos nossos problemas no campo econômico, no final, no final da estrada, neste mundo de blocos do século XXI provirá de uma dinâmica positiva gerada pela integração da capacidade econômica de nossos países, não há outro caminho. Cada um por seu lado, cada um por peças, não alcançará o desenvolvimento econômico.

 Eu sempre me lembro disso, acho que me lembrei disso há um ano; Lula disse isso quando era presidente do Brasil, e é preciso ver o Brasil, não é? O Brasil é um país continental, gigantesco, vinte vezes o tamanho de nossos países, e Lula disse: nem o Brasil pode pretender o desenvolvimento econômico por conta própria conta, você deve fazê-lo no âmbito da América do Sul, da América Latina e Caribe.

 Essa é a grande tarefa, continuar avançando, continuar caminhando juntos, continuar amando a ideia da união em uma única pátria, em um país grande; de união espiritual, cultural, política, social; continuar juntos aprendendo o caminho do social e que a juventude visualize com sua energia maravilhosa o futuro do desenvolvimento sustentado e sustentável de um novo modelo econômico produtivo, verdadeiramente diversificado, que transformará a nossa região em um polo respeitado pelo resto deste século e que seja a base do desenvolvimento integral dos nossos países.

 Estes são os sonhos que herdamos, são os sonhos que defendemos, são os nossos sonhos. E que me perdoem por essa expressão, mas só nós temos esses grandes sonhos para o país, ninguém mais os tem (Aplausos). Que sonhos podem ter a direita dependente, entreguista, ‘vendepátria’ em nossos países? Quais os sonhos que pode ter, o sonho da felicidade, o da integração; o sonho de ver nossos libertadores lá liderando a épica deste século? Não, eles não podem tê-lo, só nós temos esses sonhos, só nós aspiramos a esse mundo e essa é a força que nos move aqui e isso nos torna invencíveis, indestrutíveis contra todos os obstáculos e problemas que se interpõem em nosso caminho, que eles nos apresentaram.

 É a escola, é a escola que, aqui mesmo, há 13 anos, assinou Fidel; e é a escola desse jovem comandante que viu como seu filho e o assumiu como tal, o comandante Hugo Chávez.

 Valeu a pena, há 13 anos, ter fundado esse sonho. Já eles não estão fisicamente, mas estamos lá, e seus sonhos serão cumpridos. Então, nós juramos isso perante a história dos nossos povos: os sonhos de Fidel e Chávez serão cumpridos; os sonhos de uma grande pátria feliz e integrada! (Aplausos prolongados.)

 Muito obrigado, queridos companheiros. Muito obrigado, Raúl.

 Viva a Aliança Bolivariana para os Povos da nossa América! (Exclamações de: «Viva!»)

 Viva o legado de Fidel e Chávez! (Exclamações de: «Viva!»)

 Viva o futuro da América Latina! (Exclamações de: «Viva!»)

 Até a vitória! (Exclamações de: «Sempre!»)

 Vamos vencer!

 Obrigado, irmãos (Ovação).