ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

FIDEL foi um homem cujo pensamento sempre esteve à frente dos acontecimentos que se produziam no mundo. Graças a essa capacidade de antecipação, nossa obra social conseguiu ficar em pé perante as mais dissímeis adversidades de índole econômica, social e, aliás, climatológica.

Este último aspecto sempre fez parte de suas preocupações mais prioritárias, devido ao perigo iminente de que o homem seja quem destrua seu próprio mundo. Daí que em 2007, levando em conta os estudos desenvolvidos em nível nacional e internacional e os alertas emitidos pelo Comandante-em-chefe, o ministério da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente elaborou um mapa que tem em conta as afetações que acarreta para Cuba o aumento progressivo do nível médio do oceano.

Embora fosse cumprida naquele momento, a tarefa revelou a informação insuficiente a esse respeito. Por esse motivo surgiu o macroprojeto Lugares de perigo e vulnerabilidade da área costeira cubana, associados ao aumento do nível médio do oceano, entre os anos 2050-2100.

O amplo campo de estudos que se propôs serviu de plataforma, também, para outros empreendimentos importantes, como o Plano do Estado para o enfrentamento da mudança climática, Tarefa Vida.

PROJETOS QUE CONFORMAM A GRANDE IDEIA

Há 100 mil anos, o mar ficava a 130 metros abaixo do seu nível atual. É este um fenômeno lógico, que faz parte de ciclos naturais. Contudo, a conduta indiscriminada da espécie humana contra as áreas costeiras acelera a situação, até colocá-la em níveis que daqui a alguns anos serão críticos.

Treze importantes projetos contribuem com este empenho, e abrangem desde a avaliação da situação em curto, médio e longo prazo de nossas barreiras costeiras naturais, até as vulnerabilidades relacionadas com as moradias localizadas nas áreas de praia e o número de pessoas afetadas. Lamentavelmente, os resultados não são satisfatórios.

Durante seu percurso pelo litoral norte de Las Tunas, como parte das trocas com os Conselhos de Administração Provinciais, Sergio Lorenzo Sánchez, pesquisador do Instituto das Ciências do Mar e coordenador do macroprojeto, ofereceu ao Granma Internacional várias informações que permitem conhecer a magnitude do desafio.

O mangue é a terceira barreira de proteção de nossas costas e a primeira para o território emergido; por isso é imprescindível saber como será enfrentado o incremento do nível médio do oceano. Segundo o especialista, há certa tendência à diminuição do mangue em Cuba, associada também a este fenômeno natural, ao desmatamento indiscriminado e o uso indevido dos recursos.

Algo semelhante acontece com a crista recifal (ou de recifes), que constitui a primeira grande barreira de proteção de nossas costas, para diminuir a força das ondas.

«Caso não protegermos estas áreas naturais, as algas marinhas, o mangue e toda a estrutura natural, sofrerá consideráveis afetações. A crista recifal nos protege das ondas dos fenômenos meteorológicos perigosos. Ficou demonstrado que, em boas condições, são capazes de dissipar até 97% da energia da onda. Cuba anualmente perde 10% de barreira de coral vivente. Isso quer dizer que nos próximos 30 anos nossa crista perderá sua máxima capacidade de dissipar a energia da onda».

Existem outros trabalhos associados a estes estudos que refletem o perigo, pois não é necessário que se chegue ao ano 2050 ou 2100.

«Nos estudos de geologia e geomorfologia se evidencia o recuou da orla costeira, quer dizer, o mar está ocupando um território emergido de 1,5 a dois metros anualmente. Outro aspeto é que as leituras da Rede de Maregrama Nacional demonstram um incremento de 2,14 mm cada ano da aceleração do aumento do nível médio do mar», expressou Sergio Lorenzo Sánchez.

Pela tecnologia que se necessita para isso, as medições barométricas (pressão atmosférica) e o estimado das correntes marinhas implicam um alto custo para nosso país. Contudo, podem-se qualificar de imprescindíveis, pois as correntes marinhas determinam o clima do planeta e, naturalmente, de nosso arquipélago cubano. Ambos os aspectos são incluídos no macroprojeto, como outros também indispensáveis para se adaptar ao fenômeno.

«Estuda-se a evolução das praias e sua resposta respeito ao incremento do nível médio do mar. Um minucioso estudo realizado pelo projeto demonstra que algumas praias já desapareceram e que essa é a tendência vigente. Também são estudadas as diferentes situações de enchentes, levando em conta que a ocupação em um futuro da orla da costa atingirá 27 cm até 2050 e 85 cm até 2100. Isso implica que Cuba deve perder cerca de 6% do território emergido.

«Analisam-se as vulnerabilidades relacionadas essencialmente com as moradias costeiras. No período que data o projeto, 121 delas devem ser afetadas e provavelmente o número seja maior. Porém, não é só isso, também se determina, inclusive, o número de pessoas que serão prejudicadas e o número de quarteirões de cada comunidade», assevera o especialista.

Nestes tempos em que a água potável escasseia, o termo intrusão salina é cada vez mais frequente. Embora a chuva ajudasse ao seu retrocesso e exista neste ano um alívio nesse sentido, durante os dez anos do projeto, maiormente este fenômeno coincide com a seca. Por esse motivo, Lorenzo Sánchez asseverou que em todos os municípios costeiros visitados é apreciável esta afetação.

Com o objetivo de determinar os lugares de perigo e vulnerabilidade da zona costeira cubana, associados ao aumento do nível médio do mar, a acidificação dos oceanos é outra tendência em nível mundial que não pode ser desprezada.

«Tudo aquilo que é despejado nos oceanos e os gases de efeito estufa provocam que o PH das águas diminua e isso é um indicador de acidificação acelerada. As comunidades marinhas não têm tempo de se adaptar e por isso morrem. Embora em nosso país ainda não seja observada, as baías de Havana e Santiago de Cuba mostram certas vulnerabilidades nesse sentido, por causa da poluição provocada logicamente pelo homem», assinalou.

O QUÊ FAZER PERANTE UMA COMPLEXA SITUAÇÃO

O princípio elementar para as ações radica no conhecimento e o entendimento da problemática, sem isso, a eficácia é impossível. Essa é a razão pela que, além de uma vontade estatal, resulta imprescindível divulgar o resultado destes estudos e, sobretudo, informar a cada um dos atores sociais e líderes.

«Tudo o que realizamos complementa uma avaliação detalhada das vulnerabilidades ecológicas, econômicas e sociais que, juntas, produzem estas novas situações. Essa informação se dá à máxima direção do país. Inclusive, o próprio general-de-exército Raúl Castro Ruz nos solicitou que estes resultados fossem mostrados em cada uno dos municípios costeiros de nosso país, para evitar, dessa maneira, que sejam engavetados os estudos, sem cumprir sua verdadeira função».

Cuba se preocupa e ocupa de assegurar o futuro de seu povo perante a mudança climática e suas consequências. Entender os fenômenos associados a ela, como o aumento do nível médio do oceano e ser readaptado perante esta ameaça, é um caminho longo que ainda resta por percorrer.

 NO CONTEXTO

- A ministra da Ciência, Tecnologia e Médio Ambiente de Cuba, Elba Rosa Pérez, defendeu, em 12 de dezembro, a importância do financiamento público na luta contra a mudança climática durante sua presença na Cúpula internacional One Planet, realizada na França.

- Nas declarações à Prensa Latina, explicou que Cuba considera chave elevar o financiamento para enfrentar os problemas ambientais, e as fontes públicas são fundamentais neste sentido.

- Segundo a ministra, «se bem são mobilizados esforços em nível mundial para que diferentes fontes contribuam para as finanças para o clima, não podemos dar maior dimensão ao papel dos fluxos privados, pois são muito instáveis e voláteis».

«Cuba resolveu ampliar sua cooperação com os países membros da Caricom (Comunidade do Caribe) no enfrentamento à mudança climática», assinalou.