ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Photo: Alberto Borrego

DIZEM que quando se olham bem, os olhos de Angélica geram o efeito estremecedor do adejo de um beija-flor. Dizem que sua palavra tímida são dardos à imaginação.

Embora uma doença degenerativa lhe impedisse frequentar a escola, agora sua professora ambulante, sua família e amigos são os que em uma sala-de-aulas-lar, construída à sua medida, devolvem-lhe as razões para sorrir.

Para quem tem a encomenda de ensinar-lhe, o avanço em sua aprendizagem representa o maior orgulho; como é para o sistema de ensino especial em Cuba o exemplo mais eloquente de 55 anos de história, de criação de oportunidades e acessos, em uma ideia humanista desde seus primeiros referentes, quando em 1962, foi criado o Departamento de Educação Especial.

Um capítulo de atualização e transformações constantes se abriu então para esta modalidade de ensino, para colocá-la à altura de seu tempo. Uma convicção bem clara acompanhou esse processo e é a de seu principal artífice, o líder da Revolução Cubana, de «ensinar a todos aqueles aos que se possa ensinar. A todos e a cada um deles!».

«A Educação Especial em Cuba se sustenta sob os mesmos princípios da educação geral», diz a doutora Marlen Triana Mederos, diretora nacional desse subsistema, e apela às transformações em que se encontra imerso. «Hoje redimensiona seu papel, porque trabalha para o atendimento de meninas, meninos e adolescentes com necessidades educativas especiais, em qualquer contexto em que se encontrem».

Photo: ACN

A não obrigatoriedade da entrada aos centros do ensino especial — além de que, por seu reconhecimento, sejam identificados pelas famílias como palco ideal — e o caráter «eminentemente de trânsito» destas instituições, é ressaltada por Mederos, em uma clara referência ao papel da inclusão.

Nesses termos, bem como em termos de igualdade e equidade — valores chaves da educação especial em Cuba — os números podem ser reveladores, mas a melhor evidência se encontra na atuação dos mestres, psicopedagogos, logopedistas; nos alunos que aprendem bem seja em uma escola regular ou especial; nos recursos materiais à sua disposição; na possibilidade de transitar pelos diferentes escalões do ensino e de alcançar um emprego.

Resultado da detecção e atenção cada vez mais precoce das necessidades educativas especiais determina, como explica Mederos, a diminuição nos últimos anos da matrícula no ensino (Ver o quadro), na qual ganha importância singular o papel dos Centros de Diagnóstico e Orientação e seus especialistas, existentes em cada município do país.

Também o atingido aqui foi possível para outros no mundo, graças ao trabalho de Cuba, que age sob o princípio de compartilhar seus conhecimentos e, neste momento, por exemplo, apoia a assistência profissional na criação de um Centro para o Atendimento das Deficiências, nos países da Caricom.

«São apenas alguns ítens que mostram o que se pode fazer quando se trata de lutar, entre todos, pelos sonhos de muitos. Restam desafios por diante, em termos de eliminar barreiras físicas, na preparação e completar o quadro dos professores«, reconhece conscientemente Mederos. Persiste, contudo, o desejo de arrancar um sorriso àqueles que, como Angélica, aprendem a arte de desafiar a imaginação.