ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
Os principais serviços consulares da Embaixada dos Estados Unidos em Havana permanecem paralisados do setembro passado. Photo: Archivo

Uma delegação bicameral do Congresso estadunidense advogou na quarta-feira (21) pela normalização do funcionamento da Embaixada de seu país em Havana, afetada pelas medidas unilaterais do Departamento de Estado que incluíram a saída de 17 funcionários cubanos da missão diplomática em Washington.

«É absolutamente essencial que volte todo o pessoal às embaixadas logo como for possível», disse à imprensa o líder da delegação e senador democrata do estado de Vermont, Patrick Leahy, que lamentou a retenção ou paralisação de alguns programas de cooperação entre ambos os países.

Do setembro de 2017, a Embaixada dos Estados Unidos em Cuba limitou seu funcionamento e praticamente paralisou os serviços consulares produto da saída da maioria de seu pessoal diplomático.

A decisão de Washington tentou justificar-se com supostos fatos de ataques sônicos contra seus funcionários. Contudo, durante meses de investigações cubanas e estadunidenses não se pôde encontrar tão só uma evidência destes acontecimentos, tampouco acerca das causas ou a origem das afecções de saúde alegadas.

O impacto das medidas do Departamento de Estado foi uns dos temas tratados pela delegação, conformada pelos senadores democratas Ron Wyden, de Oregón, e Gary Peters, de Michigan, bem como os representantes do partido azul James McGovern, de Massachusetts, e Susan Davis, da Califórnia.

O senador Wyden assinalou que a delegação teve um diálogo prolongado durante sessões de trabalho com a parte cubana que investigou os supostos fatos. Acrescentou a esse respeito que o melhor caminho é trabalhar entre ambas as partes para dar cabo do assunto.

Cuba «tem a disposição de oferecer a cooperação que quisermos para descobrir o que aconteceu», acrescentou Leahy.

A partir de sua notificação, as autoridades cubanas mostraram sua disposição para cooperarem e inclusive, permitiram a participação do FBI para realizar testes no lugar.

O representante McGovern teve preocupação pelo tempo em que se demorariam as conclusões. «Muitas pessoas sofrem, tanto em Cuba quanto nos Estados Unidos».

«Foi um erro diminuir o pessoal estadunidense em Cuba e a decisão de exigir a saída de diplomatas cubanos de Washington», acrescentou.

A esse respeito, também criticou as alertas de viagens emitidas pelo Departamento de Estado sob argumento de que os visitantes estadunidenses poderiam prejudicar-se, sendo Cuba um dos países de mais segurança para o turismo no mundo.

«Ontem dialogamos com estudantes estadunidenses na Universidade de Havana. Eles se sentem seguros. Falei com o pessoal de negócios, sentem-se seguros, e americanos trabalhando na nossa sede diplomática. Eles se sentem seguros», disse McGovern.

O senador Leahy lembrou suas visitas a zonas perigosas no mundo e inclusive às guerras, mas nessas ocasiões sempre viajou sozinho. No caso de Cuba, nesta oportunidade, viajou com sua esposa e sua neta de 13 anos. «Nunca as arriscaria».

Os legisladores estadunidenses tiveram um encontro de trabalho com o diretor-geral para os Estados Unidos do Ministério das Relações Exteriores, Carlos Fernández de Cossío, segundo uma nota oficial do Minrex.

«Respeito aos sintomas de saúde informados pelos diplomatas estadunidenses em Havana, Cossío significou que, como se disse categoricamente, Cuba não atacou nem permite ataque contra diplomatas de país algum, incluído os Estados Unidos», expressou.

Cossío explicou que a Ilha maior das Antilhas compreende a obrigação dos estados de proteger seus diplomatas que cumprem funções, mas alegou que Cuba é «um país seguro, estável e saudável, para cubanos e para estrangeiros, incluídos os diplomatas; que o país conta com as medidas, com os recursos e com a vontade de continuar protegendo a segurança da cidadania e os estrangeiros radicados no país, especialmente o pessoal diplomático».