ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA

Discurso proferido pelo primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, na cerimônia de condecoração, efetuada no Capitólio, em 24 de fevereiro de 2018, Ano 60º da Revolução

(Tradução da versão estenográfica - Conselho de Estado)

Companheiros e companheiros:

Comemoramos hoje, 24 de fevereiro, o 123º aniversário da retomada da Guerra da Independência, convocada por José Martí.

O significado profundo desta data marcou o ponto de maturidade e cristalização do projeto elaborado por Martí, que, para liderá-lo e torná-lo realidade, fundou o Partido Revolucionário Cubano.

Quando tudo parecia perdido, sua capacidade de encontrar uma alternativa e superar qualquer contratempo, levou-o a conclamar o povo para um esforço final: a guerra que achou necessária quando a considerou inevitável. Em todos os momentos, apelou para a unidade nacional, articulando as melhores tradições do passado, sem omitir aqueles que estavam dispostos a sacrificar e dar suas vidas pela causa mais elevada.

Um mês depois, em 25 de março de 1895, em Montecristi, República Dominicana, Martí assinou com o major-general Máximo Gómez o Manifesto que estabeleceu o alcance e os objetivos da luta. Juntos partiram para Cuba para se juntar ao esforço libertador, desembarcando em Playitas de Cajobabo em 11 de abril. Poucos dias antes, o major-general Antonio Maceo tinha desembarcado por Duaba.

Como Fidel apontou, ao se comemorar um século da Guerra dos Dez Anos, «Martí colheu as bandeiras de Céspedes, Agramonte e os heróis que caíram nessa luta e levou as ideias revolucionárias de Cuba nesse período à sua máxima expressão».

Nenhuma ocasião melhor do que esta para conceder o título honorário de Herói do Trabalho da República de Cuba, como um reconhecimento justo ao trabalho de uma vida inteira consagrada à Revolução, a três valiosos companheiros que já possuem o status honorável de Heróis da República de Cuba. Refiro-me a José Ramón Machado Ventura e aos comandantes da Revolução Ramiro Valdés Menéndez e Guillermo García Frías.

De Machado Ventura pôde apontar que começou suas atividades contra a tirania quando estudou medicina, na Universidade de Havana. Há 65 anos participou da primeira Marcha dos Archotes, em janeiro de 1953.

Em 1957, ele se juntou ao Exército Rebelde na Serra Maestra, participou de várias batalhas como médico e guerrilheiro. Foi o fundador do 2º Front; ali organizou e dirigiu o Departamento de Saúde Militar até o final da luta, onde foi ferido em ações de combate. Desenvolveu uma ampla rede de hospitais e clínicas de campanha que serviram não só aos combatentes, mas também, e fundamentalmente, à população da área, que em muitos lugares viu um médico, pessoalmente, pela primeira vez.

Quando a Revolução triunfou, foi nomeado chefe dos Serviços Médicos de Havana e FAR e depois Ministro da Saúde Pública.

É fundador do Partido Comunista de Cuba e em 1975 foi eleito membro do seu Bureau Político. Ele foi o Primeiro Secretário do Partido em diversas províncias.

Desde 2011, ele foi o segundo secretário do Comitê Central. Ele é vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.

Ramiro Valdéz Menéndez se juntou à luta revolucionária desde uma idade muito jovem. Ele participou da Marcha dos Archotes, em janeiro de 1953 e em julho desse mesmo ano do ataque ao quartel Moncada, onde foi ferido. Esteve na prisão de Isla de Pinos e no exílio no México, juntando-se à expedição do Granma.

Na Serra Maestra, ele interveio em múltiplas batalhas. Ele participou com Che Guevara na invasão até o Ocidente, como o segundo líder da coluna nº 8 Ciro Redondo.

Desde o triunfo revolucionário, ele ocupou cargos importantes, entre os quais destacam-se ministro do Interior, em duas ocasiões e vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, responsabilidade que hoje ocupa. É membro do Bureau Político do Partido.

Muitas coisas podem ser adicionadas a cada um deles, nesta ocasião, mas no caso de Ramiro sempre o admirei como o único de nós que, além desses passos alguns meses antes da Moncada, sob a liderança de Fidel, desfilamos na primeira Marcha dos Archotes — acontecimento que completou, recentemente, 65 anos — foi ferido na captura do principal posto no ataque ao quartel Moncada, com uma bala que entrou em seu calcanhar e se alojou na planta do pé. Quando nos juntamos no centro de detenção, em Santiago de Cuba, ele me mostrou o sangue das meias, mas não sabia onde estava o projétil. Os anos se passaram e ele começou a mancar na Serra Maestra, por causa de um calo que tinha no pé e, em mais de uma ocasião, não podia continuar a marcha junto com o grupo inicial da guerra de libertação, até um dia em que, com sua própria faca de campanha, ele começou a raspar o suposto calo e apareceu a bala recebida no ataque ao quartel Moncada, disparada por um inimigo que caindo mortalmente ferido, puxou o gatilho.

De todos eles podem ser contados dezenas ou centenas de feitos heróicos ou eventos importantes que, naturalmente, não foram coletados mesmo nos poucos diários de campanha que foram escritos. Além disso, na guerra de libertação ele teve o mérito e a honra de que os outros não tiveram de ser o segundo líder da coluna que Che Guevara liderava para chegar a Las Villas.

Guillermo García Frías, que completou 90 anos, há poucos dias, organizou uma rede de camponeses para ajudar os expedicionários de Granma e levá-los para a Serra Maestra. Sua sagacidade lhe permitiu conduzir pessoalmente a Fidel e a outros lutadores para Cinco Palmas e recuperar vários fuzis.

Ele foi o primeiro camponês incorporado ao Exército Rebelde, com uma participação excepcional, primeiro como combatente e depois como segundo chefe do 3º Front, quando foi constituído, no início de março de 1958, sob a direção do então Comandante Juan Almeida.

De Guillermo também podem ser contadas centenas de anedotas; desses primeiros dias, após o desembarque, apenas mencionamos levemente alguns aspectos. Ele foi o que levou Fidel e mais dois companheiros: Faustino Pérez, médico e a Universo Sánchez, um dos quais estava desarmado porque, para curar os feridos do primeiro combate, o da Alegría de Pío, ele deixou o fuzil. Ou seja, Fidel chegou à Serra Maestra com mais dois lutadores e apenas um deles armado. Guillermo García foi quem os tirou do cerco em que estavam, na velha estrada da usina açucareira Pilón à cidade de Niquero. Ele foi quem cumpriu outras missões imediatas que o Comandante-em-chefe lhe ordenou, desde Purial de Vicana, ou seja, Cinco Palmas de Vicana, o lugar onde fizeram o primeiro acampamento, foi reunindo quase todos os que se juntaram a nós originalmente, entre eles o próprio Ramiro, Juan Almeida, Che Guevara, Camilo Cienfuegos e, dessa forma, ao grupo inicial de três, depois se juntaram cinco mais: oito; juntou-se esse grupo importante de companheiros.

Entre os primeiros passos que ele deu, de suporte ao nascente grupo guerrilheiro é a quantidade de fuzis que conseguiu recuperar, nos dias posteriores a esses eventos, que eu lhes estou contando, entre 15 e 18 fuzis, com os quais, junto com os poucos que tínhamos, não podíamos formar nem mesmo um pelotão, mas foram suficientes para realizar o primeiro ataque e, embora talvez não fosse o momento mais oportuno para fazê-lo, por causa da perseguição tenaz a que estávamos submetidos, por centenas de soldados, Fidel disse que era preciso dar a conhecer ao povo, com um primeiro combate, que a guerrilha se mantinha em pé e que a guerra continuaria. Daí o combate de La Plata, apenas algumas semanas depois que se reunisse, com a ajuda de Guillermo Garcia, este grupo inicial. Depois, outras tarefas viriam.

Sendo o primeiro camponês que se juntou ao Exército Rebelde, ele foi o primeiro, além disso, a ser promovido. Ele teve uma participação notável, primeiramente como combatente, e depois como segundo chefe do 3º Front, sob o comando de Juan Almeida.

Quando a Revolução triunfou, ocupou vários cargos nas Forças Armadas Revolucionárias. Posteriormente ocupou, entre outros, as responsabilidades de Delegado do Bureau Político na antiga província de Oriente, vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, ministro dos Transportes e presidente do Grupo Empresarial de Flora e Fauna, onde realizou um trabalho digno.

Ele entrou no Bureau Político do Partido de 1965 a 1986. Atualmente é membro do Comitê Central e do Conselho de Estado.

Como uma característica comum desses três mambises do nosso tempo, posso citar sua fidelidade à Revolução e a Fidel, sua dedicação ao trabalho, modéstia e simplicidade, que os tornaram dignos do reconhecimento e respeito dos cubanos.

Não é por acaso que nós lembremos esta data no Capitólio, cujo trabalho de restauração, levado adiante com tenacidade, permitiu exaltar os valores de um dos edifícios mais importantes do país, em cuja cripta foram colocadas as cinzas de um mambí desconhecido, diante da qual tremula a chama, como tributo do povo aos seus pais fundadores e ao glorioso Exército Libertador, e está cercado pelas bandeiras das nações do continente.

Este edifício é hoje o assento da Assembleia Nacional do Poder Popular. É também a prova fervente do cuidado e interesse que sempre deve ser dado à preservação do patrimônio cultural da nação.

Sirva este momento solene para prolongar felicidades bem merecidas ao Historiador de Havana, Eusebio Leal, e também a seus colaboradores que estiveram mais próximos do excelente trabalho de restauração do Capitólio. Entre eles, a arquiteta Perla Rosales; as engenheiras Mariela Mulet, Yohanna Aedo e Tatiana Fernández; a restauradora Patricia Coma; o professor Juan Carlos Botello e seus alunos da Escola-Oficina; a historiadora Lesbia Méndez; o diretor da Companhia de Construção do Gabinete do Historiador, Conrado Hechavarría; e o técnico alemão Michael Diegmann.

Em um dia como este, em que honramos os dignos cubanos que, em 1895, voltaram para o campo de batalha para libertar Cuba, lembro as palavras proferidas por Fidel em 1965: «Nós então teríamos sido assim como eles, eles teriam sido como hoje nós!» Esse é o compromisso que mantivemos e que também orientará as gerações atuais e futuras, para que a Pátria permaneça livre.

Muito obrigado. (Aplausos)