ÓRGÃO OFICIAL DO COMITÊ CENTRAL DO PARTIDO COMUNISTA DE CUBA
A doutora Isleydis Iglesias Marichal, afirma que essa instituição constitui um centro de referência da especialidade no mundo. Foto: Mayda Medina

DO manejo e educação sobre a diabetes mellitus e outras doenças metabólicas, bem como de seu diagnóstico e tratamento é responsável o Instituto Nacional de Endocrinologia, situado na capital cubana.

Esta instituição adstrita ao Ministério da Saúde Pública (Minsap) tem entre suas funções: estimular as atividades científicas; propiciar a introdução e generalização dos resultados investigativos; favorecer o desenvolvimento tecnológico de meios de diagnóstico e terapêuticos; bem como promover programas nacionais de Endocrinologia e divulgar os avanços atingidos, mediante a participação de eventos. Também é responsável pela formação dos recursos humanos nas modalidades de especialidade, mestrados e doutoramentos.

Com ampla experiência no atendimento médico a cubanos, também oferece serviços para todos os pacientes estrangeiros necessitados de um diagnóstico, tratamento ou segunda opinião dos especialistas cubanos, para o acompanhamento de algumas das doenças causadas pelas glândulas do organismo humano.

Para os diabéticos dispõem de um centro diurno adstrito à instituição, onde acolhem internações ambulatórias, estabelecem controles de laboratório, check-ups de complicações e educação terapêutica, segundo explicou ao Granma Internacional a doutora Silvia Elena Turcios Tristá, especialista de segundo grau em Endocrinologia.

Silvia Elena, também pesquisadora e professora auxiliar enfatizou que ali ministram conteúdos de educação nutricional, mudanças de estilos de vida, exercícios físicos e outros temas em Psicologia, Oftalmologia e Nutrição, em função da patologia. «O programa é individualizado, em uma primeira consulta se estabelecem os riscos e depois se projeta o tipo de atendimento e tratamento que receberá o paciente», assinalou.

O equipamento no Instituto Nacional de Endocrinologia responde às necessidades de diagnósticos certeiros dentro da especialidade médica. Foto: Mayda Medina

Precisou que para o pessoal radicado em Cuba como os diplomatas e técnicos estrangeiros, oferecem consultas médicas, com revisão periódica durante um ano para avaliar as complicações, ajustar seu tratamento e receber educação no tipo de alimentação a consumir, de acordo com a idade, o peso, o tamanho e os sintomas da doença.

«Também — acrescentou a responsável pelo Atendimento Médico Internacional no Instituto Nacional de Endocrinologia — contamos com a modalidade de hospitalização para aqueles que apresentem maior grau de impotência funcional ou para os que desejam ser internados para lhes serem praticados os controles com maior tranquilidade. Nesse caso, têm à sua disposição uma enfermeira 24 horas e o atendimento de um médico de plantão».

Também atendem outras doenças endocrinológicas, como as derivadas das glândulas da tiroides, tumores hipofisários, saúde reprodutiva, as endocrino-pediátricas, envelhecimento, climatério, osteoporose e outras de origem metabólica. De todas elas, o visitante estrangeiro pode receber ajuda se vem em uma viagem de turismo ao nosso país e se aproxima da instituição. Também, pode contatar via e-mail com a empresa comercializadora de Serviços Médicos Cubanos.

Para este tipo de atendimento, contam com endocrinologistas especializados, que realizaram pesquisas e ministram docência. Eles estão agrupados por temas em diferentes áreas do conhecimento da especialidade, dirigidos por um líder. «Esses especialistas concluíram cursos de treinamentos, mestrados, coordenam eventos científicos nacionais e constituem a primeira linha de atendimento aos pacientes que pedem os serviços médicos internacionais».

Ao mesmo tempo, possuem equipamentos de diagnóstico modernos para testes de laboratório específicos, que dão resultados certeiros em um prazo de 48 horas. Caso o paciente necessitar uma cirurgia ou uma imagem particular concludente, existem convênios subscritos com outras instituições que prestam o serviço.

Com ela concorda a diretora do Instituto Nacional de Endocrinologia, doutora Isleydis Iglesias Marichal. «Este lugar surgiu em dezembro de 1966, como parte do Hospital Clínico, Cirúrgico e Docente Manuel Fajardo pela necessidade de desenvolver a especialidade no país. Hoje, estamos situados em uma área próxima a esse centro assistencial».

A especialista em Medicina Geral Integral e em Endocrinologia explicou que em suas origens a Endocrinologia era tratada como consultiva pelos médicos clínicos, mas hoje o quadro de saúde das populações do mundo mudou e, portanto, se converteu em algo recorrente para os pacientes, porque muitas doenças têm causas metabólicas.

«Assessoramos o nosso ministério de Saúde, pertencemos ao grupo nacional de especialidades e aqui regemos, pela decisão espontânea dos membros, a Sociedade Cubana de Endocrinologia. Também lideramos a comissão nacional técnica assessora em diabetes, onde se envolvem outras instituições que não pertencem ao Minsap porque apoiam ou favorecem a prevenção e promoção de saúde», indicou a também professora auxiliar e pesquisadora agregada.

Assegurou também que neste momento formam uns 60 residentes da especialidade, deles 38 provêm de países latino-americanos, africanos e caribenhos, seus professores estão categorizados pelo nível superior para ministrar aulas e a maioria dos profissionais da instituição está envolvida em alguma temática investigativa. «Contamos com um pessoal e um recurso humano de alta especialização», reafirmou.

Isso foi corroborado pelo panamenho Iván Blasser Stanziola, que acompanha sua filha Lucrecia para tratar-se de um problema nas tiroides. Ele foi atendido por Ortopedia e Gastroenterologia anos atrás e afirma: «A preocupação de Cuba é buscar a causa dos problemas nas doenças, elaborando um diagnóstico correto, o que leva a uma ampla possibilidade de cura».

Algo mais que se deve saber sobre uma doença endócrina como a diabetes mellitus

Mais de 300 milhões de pessoas vivem no mundo com este padecimento e se prevê que nos próximos anos o número supere os 380 milhões.

Em Cuba, mais de um milhão de pessoas vive com diabetes, uma doença crônica não transmissível, considerada uma epidemia.

Segundo o Anuário Estatístico de Saúde, em Cuba constitui a oitava causa de morte.

Entre os múltiplos fatores de risco estão o estresse, o sedentarismo, o excesso de junk food, a hipertensão, o colesterol alto, ou outros relacionados com aquelas mulheres que tiveram uma gravidez ou bebê acima do peso normal, tiveram uma diabetes na gestação, ou a morte do bebê sem causa aparentemente conhecida.